Vítor Neto: Estratégia nacional de promoção tem que beneficiar todas as regiões

Na intervenção que proferiu na última sexta-feira no 2º Congresso da APECATE, Vítor Neto, presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve e ex-secretário de Estado do Turismo, voltou a falar de uma “década perdida” no turismo nacional devido a erros de estratégia e avançou que, em termos de promoção, deve haver uma estratégia a nível nacional mas que beneficie cada uma das regiões. Na sessão “Promoção no mercado externo” do 2º Congresso da APECATE – Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos, Vítor Neto falou sobretudo de factores estruturantes, muito embora tivesse começado por tecer diversas críticas a uma década que considera ter sido perdida para o turismo português e para a promoção turística: os anos de 2001 a 2012, em que o turismo nacional estagnou enquanto muitos dos nossos concorrentes cresceram exponencialmente, como aconteceu com a Turquia. Vítor Neto criticou sobretudo o facto de, naquela década, terem sido investidos cerca de 500 milhões de euros em promoção, à razão de 50 milhões por ano, sem que os resultados correspondessem ao investimento. “Nos últimos 10 anos, falámos em Top 10s e em Go Deepers, falámos em PENTs e em West Coast, falámos em PINs – 17 PINs no Alentejo, 17 PINs turísticos no Algarve -, temos o Allgarve, temos a Rider Cup, as Flóridas da Europa…” e “gastámos 500 milhões de euros em promoção, 50 milhões por ano, para ter menos turistas ou os mesmos”, disse, para concluir que, durante esta década, o que se passou foi que “houve uma estratégia errada e uma má definição de prioridades”. Por isso avançou que em promoção, a questão não está em gastar mais dinheiro, já que “pode até gastar-se menos dinheiro e ter uma promoção melhor”. Os dados estatísticos confirmam esta teoria, com Vítor Neto a sublinhar o bom ano turístico que aconteceu em 2013. Mesmo assim sublinhou que apesar do crescimento verificado o ano passado no Algarve “temos um milhão de dormidas a menos que em 2001”. Sobre a estratégia a seguir, alerta que “Portugal não é um destino homogéneo” em termos de produto, pelo que também não o pode ser em termos de mercados e de tipos de turistas. Por isso, alerta: “Temos que ter uma estratégia nacional global nos mercados mas uma estratégia nacional em que todas as regiões beneficiem”. Por outro lado, acentuou, “tem que haver propostas regionais, estratégias regionais que reflictam as realidades diferentes de cada região e os objectivos necessariamente diferentes de cada região”. Por isso, afirmou que “seria errado uma política nacional cega que não tenha em conta isto, seria errado também uma política nacional que não sendo cega, não fosse sustentada por políticas regionais sérias e objectivas”. Considerando que “o segredo do turismo reside na nossa oferta, na diversidade da nossa oferta, na diferenciação e na qualidade da nossa oferta” o que leva a que todos os produtos sejam importantes, “os grandes e os pequenos” Vítor Neto referiu-se ainda ao facto de hoje se falar “da necessidade do sector ter uma voz única” assumindo que a sua preferência vai, no entanto para “um coro bem afinado a jogar na mesma direcção”, incluindo neste “coro”, o Estado, as regiões e as empresas. M.F.