Vítor Silva: “É preciso pôr o CEPT a funcionar”

A promoção no mercado externo foi um dos temas do 2º Congresso da APECATE – Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos, que decorreu sexta-feira em Lisboa. Durante uma mesa redonda, Vítor Silva, presidente da ARPT do Alentejo, afastou a criação de uma Agência Nacional de Promoção Turística, avançando antes com a necessidade de pôr o CEPT a funcionar. Para Vítor Silva, o facto de Portugal nunca ter assumido a sua vocação turística nos mercados internacionais é um dos principais problemas que se tem colocado à captação de mais turistas. Assim, o que faz falta é discutir estratégias e não ferramentas, ou seja, o contrário do que na sua óptica, tem acontecido. Neste ponto diria mesmo que “o que está agora na moda é falar na Agência Nacional de Promoção”, sem que analise o funcionamento das estruturas existentes, como é o caso do Turismo de Portugal que, assumiu, “funciona bem” embora pudesse funcionar muito melhor. Mas, pôr a promoção a funcionar melhor, segundo Vítor Silva, não passa pelo esvaziamento do Turismo de Portugal mas sim por “juntar os actores todos para fazer melhor promoção”. A propósito recordou que “já temos um organismo onde estão os actores praticamente todos, só que esse organismo não funciona: o CEPT – Conselho Estratégico para a Promoção Turística” que no seu seio já concentra representantes da Secretaria de Estado do Turismo, Turismo de Portugal, Confederação do Turismo Português, Agências Regionais de Promoção Turística e agora também das Entidades Regionais de Turismo. “Só faltam algumas Associações nacionais que não estão filiadas na CTP. Se essas lá estivessem estavam todos os actores”, afirmou Vítor Silva, frisando que “é necessário pôr o CEPT a funcionar e dar-lhe poderes deliberativos e executivos”. O presidente da ARPT do Alentejo alertou também que uma estrutura para a promoção “não pode só representar interesses de uns e escamotear os interesses de outros, tem que ser uma estrutura que represente os interesses dos grandes, dos pequenos, dos médios e dos micros – tem que lá estar todo o turismo”. Da mesma forma, “não pode ser uma estrutura que só olhe para as três grandes regiões que concentram 85% da oferta e da procura, que é Lisboa, Algarve e Madeira, tem que ser uma estrutura que olhe para todo o país, que atenda às especificidades regionais e seja capaz de enquadrá-las num todo”. Afirmou ainda que uma estrutura deste tipo “não pode concentrar em si a comercialização do destino, deve ser uma estrutura apenas virada para a promoção”. Na mesma sessão, moderada pelo presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, falaram ainda o ex-secretário de Estado do Turismo, Vítor Neto, Pedro Machado, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Centro e Vítor Costa, presidente da Associação de Turismo de Lisboa, de cujas intervenções iremos também dar conta. M.F.