WTM: Brexit e sustentabilidade são as preocupações do futuro

No primeiro dia da edição de 2019 do World Travel Market, que celebra o seu 40º aniversário, muitas foram as discussões que se prendiam com as preocupações do futuro, que vão desde os impactos do Brexit a uma maior procura por uma indústria mais sustentável e até uma potencial recessão.

“Estamos a caminhar para um modelo de negócio cada vez mais sustentável na indústria do turismo”, atestava Caroline Bremner, head of travel do Euromonitor, no painel de discussão “Travel Leaders Speak: UK Travel Markets – What to Expect in 2020”. O futuro tende, então, para a sustentabilidade, com 59% dos consumidores actuais a preocuparem-se com alterações climáticas.

Já Neil Slaven, UK Country Director da easyJet, afirmava que “em 2020, na aviação a grande discussão vai ser a sustentabilidade”, sendo que, por outro lado, “a diversidade de género é também importantíssima para a easyJet, e queremos tornar a aviação numa carreira atraente tanto para rapazes como para raparigas”.

Jo Rzymowska, vice-presidente e managing director da Celebrity Cruises para o Reino Unido e Irlanda & Ásia, atestava que “o turismo tem de ser inclusivo e diverso também nos seus trabalhadores”, ao mesmo tempo que “temos de garantir que na nossa pegada deixamos os destinos por onde passamos melhores do que como os encontrámos”. Quando questionada com a recente rejeição das viagens pelo seu impacto no meio ambiente afirmava que “viajar é bom, não é mau!” e que não prevê que se chegue a um estado em que a indústria diga que as pessoas se devem moderar nas viagens, tudo se prende com o “investimento em tecnologia e aposta na sustentabilidade”.

O que vivemos agora, segundo Caroline Bremner, são “winds of change”, em que “parece que estamos a viver uma coisa diferente cada dia, que as atitudes perante o turismo estão a mudar”. Algumas destas mudanças prender-se-ão, também, com o efeito de um qualquer desfecho do Brexit, e alerta que no sector turístico “sente-se muito a incerteza do Brexit”. “Serei bem-vindo ao Reino Unido?” é a questão imposta por alguns dos mais importantes mercados emissores para este destino, como é o caso da Alemanha e dos Países Baixos.

Ainda assim, “somos uma indústria muita resiliente”, contrapunha Julia Lo Blue-Said, CEO da Advantage Partnerships. Explicava que 2019 tem sido um ano bom e que as vendas para o próximo Verão são também muito positivas. Uma visão optimista partilhada também por Neil Slaven, que considera 2019 “um ano relativamente estável, com alguns destinos a ter um ano muito bom” na easyJet, nos quais se destaca a Turquia, mas também Portugal e Espanha que continuam a crescer, “e espero ver algumas destas tendências a continuar em 2020.

Nas conversas desta segunda-feira de WTM, 4 de Novembro, foi também falada da uma possível recessão da economia britânica, que já regrediu cerca de 0,2% este ano, e também a nível global. Na sessão “Brexit, Trade Wards and Populism”, David Goodger, managing director da Tourism Economics, dizia ser uma em três a hipótese de uma recessão global acontecer em 2020. “Há uma desaceleração da economia europeia”, sendo que “a Alemanha está a mostrar tendências negativas em termos de produção”.

Voltando ao tema Brexit, David Goodger afirmava que o acordo proposto por Boris Johnson trará um impacto ainda mais negativo que o da sua antecessora Theresa May, em termos de efeitos na economia britânica. “O acordo de May teria retirado 2% do PIB, enquanto o acordo actual tirará 3,1% do PIB”, o que terá, na sua opinião, “um impacto claro na indústria das viagens”.