XIII Convenção GEA: Saturação do aeroporto de Lisboa condiciona operações charter

Nuno Mateus (Solférias), António Gama (Nortravel) Diamantino Pereira (Grupo Ávoris, ex-Barceló) e Fernando Bandrés (Soltrópico) foram os participantes na mesa redonda em que, na XIII Convenção GEA, se abordaram vários temas relativos à operação turística. O aeroporto de Lisboa foi uma das pedras de toque de um debate em que os operadores responsabilizaram a sua saturação pelos atrasos que as operações charter sofreram este Verão.

“Temos um problema que se chama aeroporto de Lisboa”, começou por afirmar Nuno Mateus que considerou ser no aeroporto que começam os problemas com os horários. Citou o caso do Lisboa-Saidia em que os horários eram “antecipados duas horas” todos os sábados “porque não havia capacidade nos balcões de check-in”.

Referindo um recente estudo que coloca o aeroporto de Lisboa entre “os piores da Europa em termos de pontualidade”, Nuno Mateus, abordando outro tipo de problemas que se prendem mais directamente com os aviões ou companhias aéreas contratadas para as operações charter, deixou claro que os operadores “têm que ser selectivos com as companhias aéreas” tal como “as agências de viagens devem ser selectivas com os operadores turísticos”.

Para António Gama, presidente do Conselho de Administração da Nortravel, “ninguém pode esperar que a pressão do turismo não possa ter uma influência na dificuldade em resolver problemas que vão surgindo pelo excesso de pressão do negócio”. Destacando que “os operadores têm, normalmente, um grande cuidado na selecção das companhias aéreas com que trabalham” avançou no entanto que “as próprias companhias que lhes fornecem serviço são elas próprias vítimas de pressão”.

Também Diamantino Pereira, director-geral do Grupo Ávoris (ex-Barceló Viajes) em Portugal, não deixou de apontar o dedo à “falta de operacionalidade” do aeroporto de Lisboa que leva a que os aviões estejam na placa e o horário de partida seja atingido quando ainda estão dezenas de passageiros nas filas de segurança, o que leva à “perda de slots e atrasos inevitáveis” que podem atingir horas.

Já Frenando Bandrés, director de operações da Soltrópico, chamou a atenção para o facto de, nos próximos anos, os operadores terem que continuar a lidar com a saturação do aeroporto da capital portuguesa: “Vamos ter que conviver com esta situação até o aeroporto apresentar uma alternativa que seja viável e que consiga receber mais tráfego do que actualmente”, disse.

Face à falta de operacionalidade do Aeroporto de Lisboa, no que também todos concordam é na necessidade de encontrar uma alternativa rápida, até porque, em termos de constrangimentos, como disse Fernando Bandrés “não sei se, à data de hoje, existe muita diferença entre os voos charter e os regulares”. Por isso chegou a ser avançada a possibilidade de os operadores passarem a apostar mais nas operações à partida do Porto. Fora isso, o que também é comum é a aposta num serviço cuidado ao cliente, com as linhas de emergência 24 horas a funcionarem em todos os casos.