1,15 mil milhões de euros para aumentar capacidade aeroportuária da região de Lisboa

O acordo assinado esta terça-feira entre a ANA – Aeroportos de Portugal e o Governo prevê que até 2028 a empresa gestora dos aeroportos portugueses invista 1,15 mil milhões de euros para aumentar a capacidade aeroportuária da região de Lisboa. O montante engloba a extensão do actual aeroporto de Lisboa e a abertura de um aeroporto complementar no Montijo.

  

Como parte do acordo assinado, a ANA irá investir 1,15 mil milhões de euros até 2028 no aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa. Nesta verba incluem-se 650 milhões de euros para a primeira fase da extensão do actual aeroporto de Lisboa, e 500 milhões para a abertura de um novo aeroporto civil no Montijo. Somam-se ainda mais 156 milhões de euros destinados a compensar a Força Aérea e a melhorar os acessos ao Aeroporto Humberto Delgado e ao futuro aeroporto no Montijo.

Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, reputou o acordo assinado de “muito significativo” dado que ele “define e permite que avancem desde já os investimentos necessários para o curto prazo, que permitem que o tráfego aeroportuário no Aeroporto Humberto Delgado continue a crescer em 2019 e nos anos seguintes, depois de um crescimento impressionante nos últimos anos, e da perspectiva de pela primeira vez atingirmos a cifra de 30 milhões de passageiros em 2019”.

O Aeroporto Humberto Delgado, continuou o ministro, “beneficiará de um investimento de 900 milhões de euros, e será significativamente descongestionado, pelo que terá as melhores condições para ser o grande hub das ligações entre a Europa, África e a América do Norte e do Sul. Aumenta muito o conforto de utilização, com fortes investimentos no terminal e zonas circundantes, aumentam as posições de estacionamento e os stands de contacto, aumenta a capacidade de pista e facilita a gestão do tráfego aéreo, com vários investimentos em saídas rápidas de pista ou taxiways, apenas para dar alguns exemplos. Será, estou certo, o aeroporto de referência da região e da nossa companhia de bandeira, a TAP, por muitas décadas”, garantiu.

Como é conhecido, o projecto contempla um sistema dual de infra-estruturas aeroportuárias , reforçando a função de hub do Aeroporto Humberto Delgado e um aeroporto ponto-a-ponto no Montijo,  com um terminal de nova geração. Com uma capacidade de 48 movimentos por hora na Portela e 24 movimentos por hora no Montijo, “este sistema dual de aeroportos poderá absorver o crescimento expectável do tráfego até ao final da concessão, que se mantém em 2062”, lê-se no mesmo comunicado.

Na sua intervenção, Pedro Marques fez referência às autorizações ambientais que continuam em falta, garantindo que “nenhum aeroporto começará a ser construído sem as competentes autorizações ambientais e sem que todas as medidas mitigadoras e compensatórias sejam definidas e assumidas”.

Já o primeiro-ministro, António Costa, garantiu que a conversão da base aérea do Montijo em aeroporto civil complementar à Portela “é a decisão” tomada para a expansão da capacidade aeroportuária da região de Lisboa, sublinhando que ela já chega com 50 anos de atraso, tanto assim que, disse, todo este processo poderia servir como “case study” do que não deve ser feito.

Nicolas Notebaert,  presidente da Vinci Airports, reforçou que os investimentos anunciados “confirmam os dois principais compromissos que assumimos há 6 anos, quando nos candidatámos pela primeira vez à privatização da ANA: contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa através do aumento do tráfego e investir em infra-estruturas para apoiar o crescimento futuro. O tráfego em Lisboa já aumentou quase 100% nos últimos 6 anos e aqui estamos novamente, anunciando novos investimentos depois dos 200 milhões de euros que já investimos nos diferentes aeroportos portugueses”.

Os termos do acordo, que sela o consenso entre as partes sobre os principais pressupostos técnicos, operacionais e financeiros do projecto, bem como a evolução da futura regulamentação económica, irão ser incluídos na adenda ao contrato de concessão, que deverá ser assinado ainda este ano, uma vez obtidas as autorizações ambientais.