iTurismo – Comentário Semanal de Atilio Forte

A influência dos “baby-boomers” no turismo, os custos energéticos e a “cultura do tablet” compõem os “Tópicos da Semana” do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte escolhe para “O + da Semana” as várias nomeações da TAP para os “Óscares do Turismo”. O mercado alemão para Portugal e o comportamento do mercado nacional em termos da antecipação na compra de viagens, são os temas do habitual Comentário.

 

Tópicos da Semana:

Os “baby-boomers” não estão acabados!: Nos últimos anos o turismo tem andado obcecado em seduzir os turistas mais jovens (principalmente a geração “Y” ou do milénio), acabando por negligenciar a geração do pós II Grande Guerra Mundial. A título de exemplo convirá recordar que só nos Estados Unidos da América existem 76 milhões de “baby-boomers”, os quais se espera que gastem cerca de 120 biliões de dólares em viagens de lazer, ao longo de 2016. E mais, bastas vezes fazem com que os seus filhos e netos se lhes juntem nas férias. Por isso, ignorá-los é um erro!

• Poupar na conta da electricidade: Na esmagadora maioria das empresas turísticas, particularmente nos hotéis, os custos energéticos normalmente representam a segunda maior despesa. Contudo, aqueles que têm vindo a adoptar soluções com origem na tecnologia digital (através de sistemas automáticos de controlo da temperatura nos diferentes espaços) conseguem poupanças assinaláveis, melhorando tanto os seus resultados de exploração, como valorizando as suas unidades.

• A tendência do “tablet”: Ao que tudo indica 2016 será, na época digital em que vivemos, o ano da consagração da “cultura do tablet”. Como exemplos máximos desta afirmação encontram-se algumas adaptações que os hotéis têm vindo a introduzir, de que se destacam: pedidos instantâneos de serviços; alertas para eventos/acontecimentos e facilidades/comodidades disponibilizadas aos hóspedes; e, espelhos nos quartos que funcionam através de um simples toque (écrans tácteis).

 

Comentário

 

Turisver.com – A ITB – Feira de Turismo de Berlim, terminou no passado fim-de-semana. O mercado alemão tem crescido para Portugal mas segundo os dados disponíveis continuamos a receber uma pequena parcela de pouco mais de 1% dos turistas alemães que fazem férias no estrangeiro. Uma das perguntas que andou na “boca de todos” é “ porque não captamos mais turistas germânicos”? Na sua perspectiva que devemos fazer para que este mercado possa atingir outros valores em Portugal?

 

Atilio Forte – Antes de entrar na resposta propriamente dita à pergunta dos nossos leitores convirá destacar alguns indicadores relativos ao mercado alemão, com particular ênfase nos respeitantes ao sector da distribuição, quer pela ordem de grandeza que ilustram, quer pelas pistas que nos podem dar sobre o que poderemos fazer.

Assim, em 2015, o total de receitas dos operadores turísticos alemães ascendeu a 27,3 biliões de euros, a que corresponderam 45 milhões de viagens vendidas; 77,1% de alemães realizaram uma viagem com pelo menos 5 dias de estada; através dos dois principais operadores turísticos daquele país (TUI e Thomas Cook) viajaram quase 12,5 milhões de pessoas; na Alemanha existem perto de 10.000 balcões de agências de viagens, que empregam cerca de 69.000 profissionais.

Portugal, no ano transacto, recebeu 1,9 milhões de hóspedes oriundos daquele país, com uma taxa de repetição de 41% e um índice de satisfação a roçar a perfeição (100%). Apesar do crescimento de 15% face a 2014 e dos alemães já serem o nosso segundo mercado em número de dormidas e o quarto em termos de receitas e hóspedes, o facto é que só conseguimos captar cerca de 1,6% dos alemães que viajam para o estrangeiro.

Contudo, a acentuada turbulência associada a alguns mercados mais tradicionais para os turistas alemães – como a Turquia -, aliada ao facto de termos acolhido em Novembro passado, em Lisboa, e com assinalável êxito, o congresso da associação alemã de agências de viagens (DRV), a que poderemos adicionar o já anunciado reforço das ligações aéreas (entre ambos os países) por parte do Grupo Lufthansa (Lufthansa, Brussels Airlines e Eurowings), só por si são factores concretos que nos induzem a melhores expectativas para o ano de 2016. A comprová-lo está a maior participação de sempre de empresas turísticas portuguesas na edição da ITB, que acaba de findar.

Paralelamente, o Governo português anunciou que irá manter, em 2016, um esforço de investimento igual ao realizado naquele mercado no ano transacto, que se traduzirá numa verba de 4,6 milhões de euros.

Feito este enquadramento, debrucemo-nos agora sobre o que fazer para conseguirmos captar mais turistas alemães para Portugal. Assim, e sem sermos exaustivos, aqui deixamos algumas sugestões:

  • Reforçar a verba que o Turismo de Portugal tem disponível para promoção turística na Alemanha, pois atenta a conjuntura internacional – que claramente nos pode beneficiar -, é muito importante, até pelo momento do ano em que nos encontramos (o da decisão de reserva das férias), marcar uma presença mais assertiva junto dos consumidores alemães. Por outro lado, atentos os efeitos multiplicadores que a actividade turística gera na economia nacional, este pode ser um excelente investimento, justificando-se, portanto, uma maior aposta no mesmo (isto para não referir que manter um valor idêntico ao de 2015, mesmo que melhor aproveitado/distribuído, revela pouca ambição de crescimento);
  • Caso não seja possível efectuar esse reforço, deverá considerar-se a reafectação de verbas atribuídas a mercados que se encontram em perda, como sejam o brasileiro, o angolano e o russo;
  • Transmitir aos alemães que Portugal é “Sol & Praia”, mas também é Mar, Cultura, Natureza, Gastronomia, Compras, Ilhas, Férias em Família, numa expressão, um enorme concentrado de diversidade (próximo e disponível todo o ano), que proporciona experiências autênticas e genuínas, e que tem vindo a obter uma elevadíssima taxa de satisfação por parte dos (exigentes) turistas provenientes da Alemanha;
  • Aproveitar, estreitar e capitalizar o êxito obtido no acolhimento do congresso anual da DRV, tanto junto das agências de viagens e operadores turísticos, como dos profissionais que nelas trabalham pois, quer uns, quer outros, têm um papel decisivo no aconselhamento junto dos clientes;
  • Continuar a garantir a todos os níveis, com total descrição e sem qualquer alarde, a segurança.

Poder-se-á dizer que algumas destas sugestões são quase um “Ovo de Colombo”. E, em parte, isso é verdade. Mas são seguras, têm uma enorme probabilidade de sucesso e, não nos esqueçamos, contam com a superior qualidade global da nossa oferta e estão caucionadas pela afamada hospitalidade portuguesa que, no final, faz a (grande) diferença.

 

Turisver.com – As vendas de viagens ao público bateram recordes na última BTL, e as reservas antecipadas para o Verão nas agências estão acima do ano passado. Muitos profissionais dizem que é por se conhecer que o Algarve está cheio e que há falta de camas em Cabo Verde, destino muito procurado pelos portugueses. Pensa que esta situação demonstra já a maturidade dos turistas portugueses?

 

Atilio Forte – Sem dúvida alguma que, paulatinamente, os hábitos de marcação e compra de viagens por parte dos consumidores portugueses têm vindo a alterar-se. Em nossa opinião tal verifica-se por duas grandes ordens de razões:

A primeira, prende-se com os argumentos contidos na pergunta, isto é, temos consumidores cada vez mais atentos ao que se passa, melhor informados, mais conscientes do que têm que fazer, não apenas para reservarem os produtos, serviços ou destinos que mais lhes agradam mas, também, como o levarem a cabo ao melhor preço. E, neste particular, parece-nos óbvio que a evolução das novas tecnologias e as possibilidades de ajuda que elas actualmente permitem, tanto na recolha de informação (quer sobre conjuntura internacional, quer sobre os mercados, quer ainda sobre os diferentes locais ou regiões de destino), como na facilidade de efectuar as reservas, dão um precioso contributo para que seja mais simples e rápido fazê-lo.

A segunda, está mais relacionada com aspectos psicológicos, pois a percepção dos consumidores é que o seu poder de compra irá aumentar, fruto do “fim da austeridade” a que estivemos sujeitos durante os últimos anos. Ora esta aparente – e libertadora (assim todos o esperamos) – maior disponibilidade económica e financeira, a par das baixas taxas de juro que não são apelativas à poupança, induzem a uma maior predisposição para o consumo e criam, por seu turno, um efeito de ansiedade que se traduz numa maior “urgência” na tomada de decisão.

Mas devemos querer ver mais longe. Por isso, e quanto a nós, a grande questão que se coloca é se este comportamento será duradouro? Vivemos na “era da informação instantânea” e num Mundo em permanente mutação, com inúmeros episódios (surtos epidémicos, terrorismo, instabilidade política, etc.) que, em segundos, podem alterar aquilo que, neste momento, temos definido como padrão. Assim sendo, devemos estar sempre atentos e nunca, mas mesmo nunca, dar nada por garantido. Longe vão os tempos em que o que “era verdade hoje, já poderia não o ser no dia seguinte”. Agora o que “é verdade neste instante, poderá já não o ser … no próximo minuto”.

 

O + da Semana:

Enquanto empresa estratégica para o turismo português, a TAP tem sido, nos últimos anos, quase sempre notícia pelas piores razões e, diga-se também, em muitas dessas vezes por motivos que lhe são alheios (a gestão da sua privatização feita pelos políticos é o exemplo mais paradigmático). Talvez por isso valha ainda mais a pena destacar quando algo de bom lhe acontece, pois tal é fruto daqueles que nela trabalham e que, apesar das adversidades criadas pelos que “atrapalham mais do que fazem”, jamais baixam os braços, continuando diariamente a dar o melhor de si mesmos à companhia. Imaginamos que lhes deve ter “sabido” bem (tal como a todos nós) o facto de verem a “sua” TAP bater o recorde de nomeações (seis) na ronda europeia dos “World Travel Awards” (os “óscares” do Turismo): melhor companhia aérea; melhor classe executiva; melhor classe económica; melhor companhia aérea para África; melhor companhia aérea para a América do Sul; e, melhor revista de bordo (Up Magazine). Mas faltava a cereja no topo do bolo, que acabou por chegar poucos dias depois, com o reconhecimento da sua pontualidade no último mês de Fevereiro, por parte da Flightstats – entidade independente que a nível mundial afere os indicadores de desempenho das companhias aéreas -, que a colocou no 6º lugar à escala global.