44º Congresso APAVT: Associação acusa Câmara de Lisboa de causar constrangimentos à operação turística

Eduarda Neves, vice-presidente da APAVT acusou a Câmara de Lisboa de falta de diálogo e de causar constrangimentos à actividade turística, nomeadamente no que toca à circulação de autocarros de turismo em várias áreas da cidade e à falta de informação atempada aos operadores. Por isso deixou um desabafo: “a parte técnica é, entre aspas, “lixada” pela parte política”.

Ao intervir no painel “O Turismo em Portugal: os desafios do crescimento”, Eduarda Neves, interpelada pelo moderador da sessão, Duarte Correia, referiu-se aos constrangimentos sentidos em Lisboa por parte da operação turística, sublinhando a dificuldade de diálogo com o município que impõem novas regras sem delas dar conhecimento atempado aos agentes do sector. No último ano, disse a vice-presidente da APAVT, “temos tentado conversar, dialogar com a Câmara – não só nós, também a Confederação do Turismo de Portugal (…) mas as coisas não são fáceis, o diálogo não é fácil”, afirmou, acrescentando que “cada vez que houve alterações fomos informados ou com uma semana de antecedência, ou na melhor das hipóteses um mês”. Daí que tenha afirmado que “para nós a operação turística em Lisboa é um ciclo novo todos os dias. Quase todos os dias temos surpresas da Câmara Municipal”.

Na base do descontentamento do sector das viagens e turismo, principalmente no que se refere às agências de receptivo, estão as restrições que o município impôs à circulação de autocarros turísticos na zona histórica da cidade. O pior cenário estará ainda para vir já que segundo a responsável, a proibição de circulação de autocarros turísticos deverá ser alargada a toda a zona da Baixa.

“Estamos desde Julho à espera de um projecto de um novo regulamento que ainda não chegou” e do qual a APAVT tem “uma ideia vaga”, disse Eduarda Neves, explicando que “rapidamente toda a Baixa vai ser proibida à circulação de autocarros de 50 lugares a partir dos Restauradores, na Ribeira das Naus, portanto, quem vem num cruzeiro e vai sair do barco em Santa Apolónia não vai conseguir ver a cidade a não ser que seja a pé”.

A falta de informação atempada leva a que os operadores não consigam honrar os compromissos tomados aquando da venda de pacotes aos clientes, uma vez que estes programas são vendidos “a um, a dois ou a três anos de distância”, pressupõem que os agentes do sector vão buscar e levar os passageiros a determinado local de autocarro e depois isso não é concretizável devido às imposições da autarquia. Uma situação que, afirmou, pode levar a que os agentes tenham que “pagar compensações”, ao mesmo tempo que se degrada a qualidade do serviço prestado ao cliente.

Sem ver que possam surgir “grandes mudanças a favor da operação turística” em Lisboa, Eduarda Neves finalizaria a sua intervenção com um desabafo: “a parte técnica é, entre aspas, “lixada” pela parte política”.