A TAP e os voos do Porto: afinal “a montanha pariu um rato”?

O Turismo do Porto e Norte e a Câmara do Porto já se tinham mostrado contrários aos planos da TAP para a retoma da actividade dado que, alegadamente, o Porto iria contar apenas com 3 voos contra os 73 de Lisboa. Esta segunda-feira, no programa “Prós e Contras” da RTP1, o presidente da Confederação do Turismo deu garantias de que os planos tornados públicos não correspondem à realidade. Oficialmente, o Turismo do Porto e Norte nada sabe dos alegados novos planos.

Esta segunda-feira, 4 de Maio, o Turismo do Porto e Norte de Portugal fazia chegar às redacções uma nota de imprensa em que se mostrava “frontalmente contra os planos tornados públicos para a retoma operacional da transportadora aérea nacional, que deixariam o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, numa primeira fase, com apenas três voos a partir do Porto”.

O assunto foi abordado à noite no programa da RTP1 “Prós e Contras” que teve como tema “Turismo Paralisado” e contou com as presenças da secretária de Estado do Turismo, do presidente da Confederação do Turismo de Portugal, e do presidente do TPNP que deixou clara a sua incompreensão sobre o esvaziamento do Aeroporto do Porto, infra-estrutura que tem apresentado assinaláveis crescimentos nos últimos anos, tal como já o tinha feito no referido comunicado à imprensa.

A notícia dos 3 voos à partida do Porto na retoma de operações da TAP “foi muito mal recebida” a Norte, afirmou Luís Pedro Martins, sublinhando que esta “não é uma informação oficial” mas apenas uma informação de que a região tinha tido conhecimento através da comunicação social pelo que o presidente do TPNP diz querer acreditar que a notícia terá sido lançada para “ver a reacção” e esta “foi bastante negativa não só poder parte do turismo mas também de todas as instituições da região”.

Com o aeroporto do Porto a apresentar um crescimento de 10% ao ano nos últimos anos e a servir “um perímetro de 5 milhões de pessoas”, o que significa que “está muito para lá da região”, Luís Pedro Martins deixa claro que a serem verdadeiras as notícias veiculadas na comunicação social, tratar-se-ia de uma disparidade anormal entre os dois principais aeroportos do país. “A TAP não é uma companhia regional, se fosse ninguém se chatearia, mas é uma companhia nacional exige-se maior equidade”, frisou o responsável, exigindo um esclarecimento por parte da TAP, não apenas sobre o arranque da operação como sobre os passos seguintes.

Até agora a TAP não esclareceu mas o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acabaria por fazer de “porta-voz” da transportadora ao indicar que as notícias veiculadas sobre o reinício das operações da TAP “são fake news”, garantia que, afirmou, lhe foi transmitida pelo presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves.

“Sabendo eu que vinha para este programa, sabendo eu que o Luís Pedro ia cá estar, era evidente que a questão dos “73-3” voos da TAP iria ser abordada”, contou o presidente da CTP que fez questão de lembrar que a TAP faz parte da CTP desde a primeira hora. Explicou que, a este propósito “tive o cuidado de lhe ligar antes” [a Antonoaldo Neves] que respondeu tratar-se de ““fake news”. Não há qualquer aderência à realidade. Não posso dizer se são 70-3, 80-0, ou 50-50, estamos a testar vários ensaios, não há nenhum número neste momento comprometido””.

Comentando as declarações, Luís Pedro Martins considerou tratar-se de “excelentes notícias”. Não deixou, no entanto, de alertar que “contra “fake news” fazem-se “news””, o que neste caso não aconteceu.

“Não acho normal que depois de jornais de grande credibilidade terem trazido a questão na 1ª página, de as televisões terem aberto noticiários com o mesmo tema, o presidente da Associação Municipal do Porto manifestou-se, a Associação Comercial do Porto manifestou-se, dezenas de autarcas da região manifestaram-se e não houve, até hoje, nenhuma notícia”, frisou Luís Pedro Martins que garantiu, mais uma vez que “nós precisamos da TAP, se assim não fosse, se não achássemos que a TAP é absolutamente estratégica para a região, não estávamos sequer a ter esta conversa”.