AHP e hoteleiros de Fátima contra aplicação de taxa turística

A AHP – Associação da Hotelaria de Portugal e os hoteleiros do destino turístico de Fátima mostraram-se esta quinta-feira contra a criação de uma taxa municipal de ocupação turística naquela região.

Segundo o mesmo comunicado, a AHP esteve reunida a 13 de Novembro com mais de 30 hoteleiros, associados e não associados, em Fátima, que se mostraram unanimemente contra a referida taxa, e diz agora tomar uma posição ao entregar a sua contestação “em sede de consulta pública da proposta de regulamento”. A AHP refere, ainda, estar em articulação com a ACISO, maior associação regional do Concelho de Ourém, também ela frontalmente contra esta taxa, “lado a lado na defesa dos interesses do Turismo de Fátima”.

A AHP mostra-se surpreendida com esta tomada de decisão da Câmara Municipal de Ourém e considera mesmo, que “para além de desajustada à realidade de Fátima, esta inoportuna medida prejudica fortemente os hoteleiros locais, relativamente aos demais agentes económicos daquele destino”, chamando a atenção para o facto do destino turístico Fátima/Templários “ser o destino com mais baixa performance hoteleira do país, o que decorre de ser fortemente marcado por picos de visitação, de uma grande quantidade de oferta de alojamento, da sua dependência da tour operação e de proximidade a outros destinos”.

A AHP relembra ainda os bons resultados que ocorreram com a vinda do Papa Francisco, e que coincidiu com a comemoração do Centenário das Aparições, reflectindo-se num “acentuado crescimento da taxa de ocupação e dos preços em 2017”. Mas sublinha que este foi um ano de carácter “totalmente excepcional para a realidade de Ourém-Fátima”.

“Este facto é comprovado também pelo trajecto e descida dos indicadores para 2018, resultando à data em performances similares a anos anteriores a 2017. A taxa de ocupação, no acumulado até Setembro 2018, caiu 8,4 p.p. (48%) e o REVPAR caiu 10% (fixando-se nos 29€). Para lá da comparação relativa homóloga mostrar quão relevantes são os eventos extraordinários para este destino, os seus resultados são, objectivamente, muito díspares da média nacional, onde a taxa de ocupação, neste período de 2018, foi de 72% e o REVPAR de 70€ (subiu 6%)”, lê-se ainda no mesmo comunicado.

Para Raul Martins, presidente da AHP, “o turismo em Fátima é um turismo de peregrinação e visita. O turista de Fátima não é um turista típico, não sendo necessariamente um hóspede. Pelo que não podemos sobrecarregar os hoteleiros com esta taxa que não traz vantagens para o desenvolvimento turístico do destino, não tem qualquer fundamento económico-social e não é sustentável quanto à sua legalidade”. E acrescenta: “A gravidade de uma medida deste tipo teria um impacto directo também sobre o comércio, restauração e serviços de Fátima. É nosso entendimento que deve haver diálogo entre a Câmara Municipal de Ourém e as associações em representação dos hoteleiros e demais parceiros da actividade turística, e todos pugnarmos pela afectação parcial do denominado ‘IVA turístico’ ao Concelho, para ser alocado a investimento que venha melhorar qualidade da experiência do visitante e da vida da população que trabalha e vive do Turismo. Esperamos, sinceramente, que não seja tomada uma decisão que iria colocar em causa a sustentabilidade do destino”.