AHP: hotelaria deve perder entre 3,2 a 3,6 mil milhões de euros este ano

“Temos uma perda gigantesca de receitas”. Foi assim que Cristina Siza Vieira, CEO da AHP, se referiu às projecções avançadas na 3ª fase do estudo “Impacto da Covid-19 na Hotelaria” , apresentado esta quinta-feira e que traça dois cenários, tanto para a perda de receitas (entre 70 e 80%) como de room nights (entre 60 e 80%).

Com base no inquérito efectuado aos associados entre os dias 15 e 29 de Maio, as projecções da Associação da Hotelaria de Portugal apontam para perdas que, até ao final do ano, podem chegar aos 3,6 mil milhões de euros nas receitas e aos 46,4 milhões em dormidas, comparativamente com os resultados do ano passado, números que levaram a CEO da AHP a admitir que “não temos dúvidas de que para a hotelaria será um ano perdido”.

Tal como tinha acontecido nas duas primeiras fases do estudo, apresentadas em Março e em Abril, respectivamente, também agora a AHP traçou dois cenários sobre os efeitos do Covid-19 nas empresas hoteleiras.

Num cenário mais positivo mas que é, mesmo assim, muito negativo, a hotelaria deverá perder 60% das dormidas, ou seja, 34,8 milhões de room nights. Num cenário mais “negro”, a perda de dormidas atingirá este ano os 80%, o que significa que serão perdidas 46,4 milhões de dormidas.

No que toca às receitas, há também dois cenários. No mais optimista, a quebra de receitas será de 70%, com os hotéis a perderem 3,2 mil milhões de euros este ano. No segundo cenário traçado, o mais pessimista, a perda de receitas atinge os 80%, o que significa que as perdas atingirão os 3,6 mil milhões de euros.

Na base das projecções feitas pela AHP estão os resultados da terceira fase do inquérito sobre o impacto da Covid-19 na actividade. Comentando os resultados, Cristina Siza Vieira acentuou que “o primeiro semestre de 2020 foi efectivamente uma desgraça” e agora, num momento em que os empresários hoteleiros se tornaram mais realistas, “a estimativa é brutal em termos de queda de receitas, com o grosso dos inquiridos a ter uma estimativa de que vai perder entre 70 a 90% de receitas no primeiro semestre”.

Ainda assim, as respostas não terão sido ainda mais negativas porque “a reabertura, o desconfinamento e a expectativa dos feriados de Junho” dão algum alento, e levam a que os inquiridos não dêem a receita do primeiro semestre por totalmente perdida, justifica a CEO da AHP.

Mesmo tendo em conta que “há alguma expectativa de que 2020 não seja tão negativo como o primeiro semestre”, a CEO da AHP alerta que ninguém deve ter ilusões quanto ao ano de 2020 e menos ainda quanto ao Verão: “Não vamos ter ainda este Verão nada que nos faça pensar em retoma efectiva. Há uns balões de oxigénio”, afirmou, acrescentando que o grosso dos inquiridos demonstra que não confia numa normalização do turismo internacional a curto prazo, aliás, apenas 0,18% tem uma confiança muito elevada na retoma, com 37,3% a apresentar um grau de confiança “muito reduzido”.

Na base da falta de confiança estão constrangimentos vários, a começar pela falta de ligações aéreas ao país, a que se soma ainda o medo de viajar. Os inquiridos apontaram ainda como condicionantes a falta de apoios financeiros à retoma e a impossibilidade de manutenção do lay-off. Outra das condicionantes reside no segmento MICE que tem muito peso na operação hoteleira, especialmente peso fora da época alta porque, lembrou Cristina Siza Vieira, “uma parte substancial das recitas da hotelaria não vem da venda da cama”.