AHRESP propõe Guia de Boas Práticas e quer apoios à reabertura

Já entregue ao Governo, o guia foi um dos temas abordados esta quarta-feira no webinar “Problemas e Soluções para o Canal HORECA”, onde a AHRESP deixou claro que o sector precisa não apenas de normas para a reabertura mas também de apoios. Deixou também um apelo aos empresários para que não façam investimentos que são ainda desnecessários como medidores de temperatura ou separadores em acrílico.

A reabertura dos estabelecimentos de restauração e bebidas, ainda sem data marcada pelo Governo – recorde-se que estes estabelecimentos estão encerrados por decreto – assume duas vertentes distintas, a da saúde pública e a da economia. A reabertura é algo que muitos desejam mas é certo que terá que haver e apoios, e a AHRESP até já comunicou as suas condições ao primeiro-ministro.

Entre estas está a necessidade de “definir critérios de segurança saúde e higiene para os estabelecimentos” para o que a AHRESP desenvolveu e entregou já ao Governo um Guia de Boas Práticas com vista à reabertura dos estabelecimentos. Da parte da AHRESP, o Guia está pronto mas os procedimentos nele inscritos devem agora ser validados por entidades como a Direcção Geral da Saúde, Autoridade para as Condições de Trabalho, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e também pelo Turismo de Portugal.

O documento, sublinhou Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, foi amplamente discutido com empresários do sector de várias tipologias, realidades de estabelecimentos e regiões, e teve também em conta as experiências internacionais decorridas até ao momento.

Sem que sejam conhecidos publicamente os pormenores, porque falta ainda a sua validação, sabe-se que o Guia de Boas Práticas aborda temas como a capacitação dos empresários e colaboradores; a reorganização dos espaços; as regras de controlo de entrada; as regras de higiene pessoal; o fardamento e equipamentos de protecção individual (EPI’s); as regras de limpeza e desinfecção; os cuidados a ter na preparação e confecção de alimentos; menus e serviço; bem como requisitos específicos para self-service e buffets, take away, delivery e drive-in. Em complemento, AHRESP encontra-se também a preparar sessões de capacitação através de vídeos dirigidos aos empresários e seus colaboradores.

Questões sobre este documento os associados têm muito, até porque existe na sociedade “muito ruído” sobre a reabertura deste sector e ainda mais sobre os requisitos que lhe serão devidos, como realçou Ana Jacinto que, no webinar, aconselhou “calma e alguma ponderação” aos empresários do sector no sentido de não fazerem investimentos desnecessários, nomeadamente em medidores de temperatura, divisórias de acrílico, etc.

Segundo Ana Jacinto, alguns empresários estão já a comprar divisórias de acrílico para os seus estabelecimentos e a introduzir outro tipo de medidas que “não constam do guia”, garante a responsável reforçando “no guia que apresentámos ao Governo não constam essas medidas, não falamos de métricas da redução da capacidade nem de acrílicos que temos que ter nos espaços. Aquilo que o guia aborda é o que tem que ver com a reorganização dos espaços” e “coisas muito fáceis de aplicar”, que passam mais pela “intensificação de procedimentos já existentes” ao nível da higiene e segurança.

“Precisamos de apoios para a reabertura”

Mas há ainda a questão económica e neste ponto, a AHRESP é afirmativa: “precisamos de apoios para a reabertura”. E explica: “as empresas vão reabrir em condições muito excepcionais, com algumas restrições, com algumas limitações e isto faz com que as receitas sejam muito diminuídas até porque não teremos os clientes que desejaríamos”.

Nesse sentido, continua, “precisamos de apoio e ajuda para mantermos os postos de trabalho e também precisamos de apoio à compra dos equipamentos de protecção individual que é um custo que não teríamos e se o tivéssemos, numa altura normal, seria diluído pelas receitas. Nesta altura não é”.

Com o guia a dever ser tornado publico até ao final da semana, a AHRESP chama também a atenção para as datas: “não vamos abrir no dia 3 de Maio” e “ainda não sabemos se vamos abrir nos 15 dias subsequentes” como “não se sabe que a abertura será de forma faseada”. O que importa, assinala, é “estarmos preparados, e isso significa ter normas e ter apoios”.