Alargar subsídio de voo a todos os portugueses para levar mais continentais à Madeira

A ideia foi defendida por André Barreto, keynote speaker do painel que, no 45º Congresso da APAVT, se debruçou sobre as opções estratégicas para a Madeira e onde, no tom que lhe é habitual, deixou propostas “out of the box”.

Numa intervenção em que começou por abordar o produto turístico – “Quando pensamos Turismo, julgo que o foco primordial inicial tem sempre de ser um e um só: – o produto!”, declarou –, André Barreto, economista e administrador da Quintinha de São João, afirmaria que, no caso da Madeira, “é na Natureza que devemos fundar os alicerces do nosso produto, porque é aí que encontramos os factores que nos diferenciam”, a ela se juntando a cultura, a riqueza histórica e a originalidade das gentes madeirenses.

Considerou também que o turismo, porque trabalha sobre um bem comum que é território, “tem que ser regulado” e que o futuro do turismo da Madeira tem que ser pensado, principalmente depois da falência de múltiplas companhias aéreas e de vários operadores turísticos, com destaque para aquele que era considerado um gigante, a Thomas Cook.

“Temos de estar preparados para um longo período mau e há que pensar o futuro da Madeira enquanto região turística”, alertou, frisando a necessidade de reforçar a promoção para fazer face à perda de companhias aéreas e operadores. Mas, porque “não podemos achar que vamos com um cacho de bananas embrulhado num saco de bordado Madeira conseguir atrair novos operadores” e a região precisa de captar mais operações turísticas e mais turistas de forma rápida, André Barreto apresentou uma das suas propostas algo “out of the box”: alargar a todos os portugueses os subsídios de voo que vigoram para os residentes da Madeira.

“É neste enquadramento que me parece poder fazer sentido tentar acelerar uma outra solução, pensando especificamente na ligação entre o Funchal e Lisboa”, disse, defendendo a aplicação do Princípio da Continuidade Territorial que, na sua opinião, “não foi nunca aplicado da forma correcta”. E justificou: “Nós, por cá, sempre pensámos nele na perspectiva do ilhéu que tem de poder ir ao continente mas e a inversa por que não se aplica? O território não é o mesmo? Um cidadão de Beja, por exemplo, paga menos portagem para lá chegar do que um nascido em Lisboa?”.

Propôs, assim, a “abertura de um concurso público para aquisição deste serviço” uma medida que apresentaria várias vantagens, desde logo o aumento do número de continentais que se deslocaria à Madeira porque iriam pagar menos pelas viagens e, por outro lado, “o valor das compensações tenderia para zero. Porque se no concurso público a viagem ficasse por exemplo nos anunciados 100€ de valor médio (…) seria esse o valor a cobrar ao cliente final”.

Além de propor que a AP Madeira passe a ser financiada exclusivamente por dinheiros públicos, André Barreto manifestou-se ainda totalmente contrário à taxa turística regional, propondo em alternativa o princípio do utilizador-pagador, defendendo a cobrança de entradas em locais como os miradouros e que o turista pague por ir às levadas ou usufruir de outros recursos naturais.

*O Turisver.com deslocou-se ao Funchal a convite da APAVT