Alexandre Relvas: “É fundamental apoiar empresas estruturais como a TAP”

Para Alexandre Relvas, ex-secretário de Estado do Turismo, o futuro do turismo poderá começar a ser jogado em 2021 mas há ainda muitos “ses”. Fundamental é que Portugal saiba comunicar-se como destino seguro, que as empresas, nomeadamente as estruturais, sejam apoiadas, que se invista na digitalização, saúde e segurança, sejam criados produtos específicos para o mercado interno e se aposte na formação.

Alexandre Relvas, que foi responsável pela pasta do Turismo nos anos de 1991 a 1995, foi um dos intervenientes no webinar “Covid-19 e Turismo: E daqui em diante?”, organizado terça-feira pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), que juntou a actual secretária de Estado do Turismo e seis ex-secretários de Estado.

Perante um ano 2020 que todos consideram já como “perdido” para a actividade turística, a esperança está agora em 2021 mas há alguns “ses”, já que, “para que a recuperação possa iniciar-se nos próximos meses e que o ano 2021 venha já a ser um ano mais sólido para o sector do turismo é fundamental o controlo da pandemia e, tão importante como isso, a nossa capacidade de comunicarmos Portugal como um destino seguro”, o que considerou ser “um desafio quer para as autoridades públicas quer para o sector privado”.

Mesmo assim, nos primeiros tempos nada irá ser como nos últimos anos, com Alexandre Relvas a alertar que “a recuperação do turismo será afectada pelo desemprego” que vai atingir “mais de 10% da população na Europa”. Será também afectada por uma alteração ao nível dos mercados, já que o futuro próximo vai jogar-se no campo do mercado interno que, nos últimos anos, representou em Portugal cerca de 30% do total mas que “este ano poderá vir a representar 50 a 60% da ocupação”, considerando por isso necessário que o sector privado acompanhe as campanhas de promoção interna lançadas pelas autoridades públicas, com a “estruturação de produtos dirigidos e adaptados ao mercado interno”.

Fundamental para dinamizar os mercados é atender às novas exigências da procura que passam acima de tudo pela higiene sanitária e pela saúde. Considerou por isso fundamentais “selos” como os do Turismo de Portugal e do WTTC mas também a formação. “É preciso adaptar a capacidade dos trabalhadores do sector ao novo ambiente e exigências dos consumidores”, afirmou.

Não menos importante é que as empresas continuem a ser apoiadas: “É importante manter os apoios financeiros e os apoios em termos de lay off para as empresas do sector” porque “Portugal tem uma capacidade instalada no sector do turismo que não pode ser perdida”, afirmou, chamando a atenção para o facto de esta crise não resultar de nenhuma incapacidade do sector, sendo-lhe completamente exterior, pelo que “há uma responsabilidade dos poderes públicos em manter esta capacidade produtiva num sector que é, inegavelmente, um dos principais na economia portuguesa”. A propósito sublinhou também que “é fundamental o apoio a empresas estruturais como a TAP”.

Entre as mudanças estruturais que o sector irá enfrentar e que terão que ser consideradas como novas áreas de investimento, vão estar, disse Alexandre Relvas, a digitalização; e a saúde e segurança. “Natas duas áreas vão ser necessários investimentos em equipamentos, vão ser necessários novos procedimentos e vai ser absolutamente necessário fortes investimentos em termos de formação de pessoal”. Quanto às empresas, terão também uma nova preocupação: a resiliência. Para isso, disse ser importante olhar para a redução de custos, ter capacidade para responder a situações de crise e diversificar mercados. “É preciso dar um novo valor ao mercado interno, é preciso dar um novo valor aos mercados de proximidade”, afirmou, acrescentando que as empresas devem preparar-se para investir mais na área do ambiente que, com esta crise, ascendeu a um novo patamar de preocupação por via de uma “nova consciência” ganha pelos consumidores.