António Costa: pôr em causa o Montijo “comprometeria muito fortemente” a dinâmica do turismo

Num almoço-debate com o secretário-geral do PS promovido esta segunda-feira pela CTP, a questão do aeroporto de Lisboa, foi levantada logo no início por Francisco Calheiros, presidente da Confederação e António Costa deixaria claro que outra solução que não o Montijo comprometeria o país porque já não há tempo para voltar atrás.

Almoço Debate Legislativas 2019, CTP,  Francisco Calheiros, António Costa

Elencando algumas das principais preocupações dos empresários do Turismo, o presidente da CTP apontou a questão aeroportuária, nomeadamente no que toca a Lisboa e Montijo, complementando esta preocupação com outra que se relaciona com o SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que, avançou, “está melhor mas ainda não está bom”.

Em resposta, na intervenção que proferiu, o secretário-geral do PS começou por afirmar que é hoje “reconhecido por todo o país que há um estrangulamento muito grande chamado Aeroporto de Lisboa”, um consenso que “chegou tarde” e que por isso teve o custo de “termos perdido 10 anos”. Hoje, afirmou, “não é possível voltar 10 anos atrás para reescrever aquilo que foi feito” pelo que a solução tem que ser enquadrada à luz do que foi contratualizado aquando da privatização da ANA.

Criticando a posição do PSD que no seu programa eleitoral abre a possibilidade de reanalisar a viabilidade da construção de um novo aeroporto em Alcochete, quando a solução encontrada foi Portela + Montijo, Costa deixou claro que “hoje em dia já não há plano B” em relação ao Montijo e que “qualquer outra solução comprometeria muito fortemente o crescimento do turismo e a dinâmica económica deste sector”.

Recordando que o Programa Nacional de Infra-estruturas foi aprovado por dois terços dos deputados, incluindo do PSD, o secretário-geral do PS disse esperar que “o consenso não se desfaça” pois o “o país não pode ser devolvido à incerteza”.

“Agora é o tempo de agir”, afirmou, dizendo até que “qualquer dia o novo aeroporto de Lisboa será um case study de como não fazer decisões de investimento”.

Lembrando que o Estudo de Impacto Ambiental do Montijo “é claro em relação às medidas a tomar para limitar os impactos” disse que “até lá temos que continuar a fazer um esforço para maximizar as oportunidades do Aeroporto Humberto delgado” garantindo a propósito que estão a ser feitos todos os esforços nesse sentido, incluindo o reforço do número de boxes para controlo electrónico de passaportes e de agentes do SEF, embora tenha também admitido que, neste ponto, o trabalho terá ainda que ir mais além.