Apresentar o Alentejo tal como é para ganhar a retoma

Menor dependência dos mercados externos, segurança sanitária, turismo não massificado, autenticidade, boa gastronomia. Estas são algumas das vantagens competitivas com que o Alentejo arranca para a fase de reabertura do turismo. Vantagens que fazem com que o destino apenas tenha que se apresentar aos seus mercados exactamente como é, apenas tendo que acrescer a transmissão clara desses valores, sobretudo os sanitários.

O Alentejo tem uma vantagem relativamente às restantes regiões turísticas portuguesas porque “é a que menos depende dos mercados externos” e tem como primeiro mercado internacional a Espanha, sublinhou esta quarta-feira o presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo.

Vítor Silva falava na primeira conferência online promovida pela ARPTA com os mercados emissores, sob o tema “Turismo externo no Alentejo: situação presente e expectativas dos principais mercados emissores”, onde ficou claro que numa fase de reabertura em que se sabe que há que contar, na primeira linha, com o mercado nacional e logo depois com o espanhol, esperando-se que só mais tarde Portugal volte a conseguir captar os restantes mercados europeus, o Alentejo parte em vantagem.

Cidades e vilas não massificadas, boa relação qualidade-preço, sustentabilidade, tradições, unidades hoteleiras mais pequenas, muitas delas em zonas mais marcadas pela ruralidade, boa gastronomia assente em produtos locais de qualidade e, claro, segurança, principalmente agora ao nível sanitário, são alguns dos atributos que fazem do Alentejo uma região com todas as condições para se impor em tempos de “nova normalidade” no turismo, como aliás ficou patente nas intervenções e todos os participantes que falaram de mercados tão distintos como Espanha, Alemanha, Brasil e Reino Unido.

Comece-se pelo mercado espanhol, onde tanto Portugal como o Alentejo “estão em alta”, como assinalou Maria Pereda, da agência de comunicação New-link. “Portugal tem uma óptima reputação em Espanha”, e sai da crise também “com alta reputação” pela forma como tem lidado com a pandemia, bem assim como o Alentejo. Por isso a responsável acredita que no Verão, desde que as fronteiras abram, os espanhóis não terão qualquer problema. Basta que este Alentejo que “tem tudo” consiga transmitir isso mesmo aos consumidores, tanto os de cá de dentro como os de fora. “É tempo de escutar o consumidor” e “transmitir essa segurança” capitalizar o valor da marca Alentejo e conseguir passar a mensagem de que se trata de uma região “covid-free”. Os privados, nomeadamente os alojamentos e a restauração, terão que seguir as mesmas pisadas, dar as mesmas garantias.

Mercado mais difícil é o alemão – porque o é sempre e porque só numa segunda fase contaremos com os mercados europeus para além de Espanha devido ao transporte aéreo. Mesmo não acreditando que os alemães viajem para o exterior no Verão, João Sampaio e Castro, consultor de turismo na Alemanha, realça a crescente afirmação da marca Alentejo no mercado alemão. O facto de a região não estar dependente do turismo sénior, a sua autenticidade, a gastronomia, o turismo activo e o distanciamento dos grandes resorts, são mais-valias a que se junta o facto de “Portugal e o Alentejo darem uma sensação de segurança” que os alemães valorizam pelo que talvez lá para Outubro os alemães regressem.

Quanto ao mercado brasileiro, as questões são diferentes porque aqui já entra o problemas dos voos de longo curso que, segundo os especialistas serão os últimos a serem procurados. Mesmo assim, a marca Portugal é forte no Brasil e o Alentejo é querido e reconhecido, nomeadamente pela gastronomia e vinhos, pelo que Fábio Torres, â agência de comunicação brasileira AFT, recomenda à região que restabeleça o contacto com os brasileiros que por lá já passaram e levaram boas experiências.

Pelas mais-valias que encerra, pelo facto de conter em si “os principais componentes que o “novo” turista vai procurar na retoma” o Alentejo deve ser comunicado tal como é, sem subterfúgios, diz, mas indica que essa comunicação deve ser humanizada, apresentar as pessoas que fazem o Alentejo e o seu turismo ser o que é.

Num mundo em que “o pequeno vai ser o novo grande” e em que a tendência será pela “procura de destinos menos desenvolvidos” como disse Jayme Simões, que analisou o mercado dos EUA, Portugal será uma “boa aposta de futuro” para os norte-americanos. Alerta, no entanto, para o dever de resistir ao que é mais fácil. “A estratégia não pode ser a de ter preços mais baixos mas sim a de oferecer mais valor à experiência” porque “baixar preços não ajuda a marca nem o futuro”.