Atilio Forte: “Não basta para o Turismo adiar compromissos”

Na passada sexta-feira, dia em que foram conhecidas as quedas na actividade turística no passado mês de Março, Atilio Forte, que no Turisver.com assina a rubrica semanal iTurismo, esteve no “Jornal da Meia-Noite” da SIC Notícias para comentar os dados do INE, falar da situação das empresas e do futuro da actividade.

Na passada sexta-feira, os dados publicados pelo INE relativos ao mês de Março deram conta de uma queda homóloga de 62,3% no número de hóspedes e de 58,7% nas dormidas e uma variação de -60,2% nos proveitos totais. Os números são amplamente negativos mas não surpreenderam, como garantiu Atilio Forte na SIC Notícias. “Quem está ligado à actividade económica do turismo tinha consciência que os números, a partir da segunda metade de Março, e no mês de Abril iam ser desastrosos”, garantiu, até porque as medidas de confinamento impostas por toda a Europa apanharam o período da Páscoa, tradicionalmente um dos picos da actividade.

Com as pessoas confinadas e as fronteiras fechadas, o impacto nas empresas do turismo é grande e a sua situação não é fácil. “Há muitas empresas que, mais do que problemas económicos, estão com gravíssimos problemas financeiros” porque esta é uma actividade com grandes especificidades, não pode criar stocks e necessita que as pessoas tenham liberdade para se deslocarem.

Às medidas lançadas pelo Governo reconheceu “boa vontade” mas considerou-as insuficientes por não atentarem às especificidades desta actividade económica, o que espera venha a ser resolvido nesta segunda fase em que os apoios estão a ser redesenhados. “Não basta para o Turismo adiar compromissos, oferecer às empresas endividamento bancário ou protelamento das obrigações fiscais, pois nada disso resolve nenhum problema”, uma vez que “no futuro esses compromissos vão ter que ser honrados apenas com as receitas geradas nesse futuro”.

Assim, e porque “situações excepcionais merecem medidas excepcionais”, disse esperar que agora nesta segunda fase possam existir apoios efectivamente direccionados à actividade económica do turismo, nomeadamente apoios à tesouraria e a fundo perdido, até porque, em termos de emprego, “se não houver medidas que durante mais alguns meses permitam às empresas manter os postos de trabalho, a situação vai-se complicar”.

Lembrando que o turismo, os seus empresários e trabalhadores, têm mostrado, como na crise de há 10 anos, ter uma “grande resiliência”, Atilio Forte deixou claro que acredita que, apesar de a actividade ir passar por granes dificuldades no próximo “ano ou ano meio”, no futuro “iremos continuar a ter turismo” até porque “hoje o turismo é um bem essencial, já não é um luxo”.

A breve prazo, concretamente no que toca ao Verão que se aproxima, disse acreditar numa retoma gradual que começará primeiro pelo mercado interno, até porque, no que toca aos mercados internacionais há duas questões essenciais a resolver: a abertura das fronteiras e o transporte aéreo.