BdP: Turismo vai continuar a crescer acima da economia

“Exportações de turismo: desenvolvimentos recentes e perspectivas futuras” é o tema em destaque no Boletim Económico publicado esta terça-feira pelo Banco de Portugal que pela primeira vez integra projecções até 2021. Embora revendo em baixa as previsões de crescimento económico de Portugal até 2021, o BdP assinala que o turismo deverá continuar a ter, nestes anos, um crescimento superior, embora abaixo de 2017.

No Boletim Económico de Dezembro, o Banco de Portugal corta nas previsões de crescimento económico do país para os próximos anos, prevendo para este ano um crescimento do PIB em 2,1%, reduzindo para 1,9% em 2019 e para 1,7% e 1,6% nos anos imediatamente seguintes. Já no que toca ao sector do turismo, sujeito a uma análise própria, o BdP continua a prever um forte crescimento que, embora se preveja inferior ao de 2017, será mais amplo que o crescimento da economia.

As projecções deste Boletim incorporam a manutenção de um crescimento relativamente forte das exportações de turismo nos próximos anos – superior ao projectado para o total das exportações de bens e serviços e para o PIB – mas inferior ao registado em 2017”, lê-se no texto, com o banco central português a avançar que as exportações do turismo deverão ultrapassar a fasquia dos 20 mil milhões de euros em 2021, mais cinco mil milhões de euros do que em 2017, chegando a 9,3% do PIB e a 19,5% do total das exportações, um que mesmo assim reflecte um abrandamento face a 2017, ano em que a contribuição do turismo para o PIB terá andado perto dos 14%.

Numa análise de conjuntura, o BdP recorda que, no que toca ao turismo, o desempenho de Portugal tem sido superior ao do mundo e ao da Europa do Sul/Mediterrânea, apresentando um dinamismo que poderá em parte ser explicado pelo “aumento da insegurança em destinos concorrentes” a que acresce a “melhoria da percepção da qualidade do serviço oferecido” por Portugal enquanto destino turístico.

No que toca ao futuro, o BdP considera que “existe a evidência de alterações estruturais no sector que deverão continuar a sustentar um crescimento forte do horizonte de projecção” (2018-20)”. Entre estas alterações, o BdP enumera a “diversificação da proveniência de turistas estrangeiros, a distribuição geográfica mais abrangente dos turistas no território nacional e os sinais de uma menor sazonalidade dos indicadores”, acrescendo, do lado da oferta, o “forte aumento da capacidade de alojamento turístico e da presença de companhias aéreas de baixo custo no mercado português”.

Tendo no horizonte a perspectiva de que o número de chegada de turistas continuará a crescer em linha com o crescimento da actividade, o BdP assinala que “as perspectivas para as exportações portuguesas de turismo estão ancoradas nas vantagens comparativas da economia portuguesa neste sector e na margem de crescimento existente”, mas não deixa de sublinhar  que tais perspectivas estão “sujeitas a incerteza e riscos”, nomeadamente porque “a actividade turística tem uma elevada sensibilidade ao ciclo económico global” ressentindo-se em caso de evolução económica negativa e também porque “a recuperação da actividade turística em destinos concorrentes, que competem essencialmente na vertente preço, também poderá afectar negativamente as exportações portuguesas de turismo”. A isto somam-se, de acordo com o BdP, os “riscos de hostilidade por parte dos habitantes locais, a considerar, que poderão conduzir à deterioração da experiência turística e à degradação do património natural, cultural e histórico”.

Não obstante tudo apontar para “um crescimento das exportações de turismo superior ao da actividade económica” e de este ser, previsivelmente, um “crescimento forte”, o banco central português adianta continuar a ser necessário “uma melhor distribuição do turismo não residente ao longo do ano e em termos regionais”. Adianta ainda que “os progressos realizados nestas áreas deverão ser aprofundados de forma a evitar potenciais efeitos de congestão na época alta ou de subutilização de infra-estruturas na época baixa, bem como o impacto negativo da sazonalidade sobre o mercado de trabalho, onde contribui para aumentar o emprego temporário e precário”.

Além do continuado esforço de redução da sazonalidade, o BdP indica ainda que “o investimento em infra-estruturas de transporte e outras facilidades turísticas não deve ser descurado, evitando a criação de estrangulamentos”.

Para o BdP é ainda fundamental “continuar a apostar em factores de atractividade turística não centrados na competitividade-preço, nomeadamente num aumento da qualidade e valor acrescentado dos serviços oferecidos que contribuam para fidelizar os visitantes e para um aumento da receita média” e “manter um crescimento elevado das exportações de turismo em paralelo com o desenvolvimento de segmentos com margem de crescimento, como o turismo de negócios”.