CCB vai ter hotel de luxo dentro de 4 anos

Dentro de quatro anos, o Centro Cultural de Belém deverá ter em funcionamento um hotel de quatro estrelas ou superior com 140 a 180 quartos, e uma galeria comercial, que correspondem ao desenvolvimento dos módulos 4 e 5 daquele espaço. Esta é a intenção do presidente da Fundação CCB, Elísio Summavielle, que anunciou oficialmente, esta quarta-feira, o lançamento do concurso internacional para a cedência dos terrenos para a expansão do Centro Cultural de Belém.

 

A partir desta quinta-feira já se pode consultar no site da Fundação – https://www.ccb.pt – toda a documentação referente ao projecto denominado “CCB New Development”. Ao vencedor do concurso, ao qual, segundo a administradora do Centro Cultural de Belém, podem candidatar-se empresas a título individual, para explorar a parte comercial e a hoteleira, ou um consórcio que explore igualmente ambas as partes, a Fundação CCB vai ceder o direito de superfície por um período de 50 anos e em troca irá receber um mínimo de 900 mil euros anuais. O valor previsto do investimento a realizar pelo promotor é de 65 milhões de euros.

O mais expectável para a fundação é que os promotores tenderão a constituir uma “holding”. “A não ser que haja um promotor único que tenha o capital necessário para fazer um investimento destes, mas será, penso eu, uma pequena holding”, referiu Elísio Summavielle, esta quarta-feira, na sessão de apresentação do procedimento de negociação para a a celebração de contrato de subcessão de direito de superfície dos dois módulos, que contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina

“Se tudo correr bem”, o processo levará seis meses até chegar o contrato, seguindo-se depois a fase de licenciamentos, para uma obra que deverá durar pelo menos três anos. Nesse sentido espera-se que dentro de quatro anos, o CCB possa ostentar uma unidade hoteleira de luxo, cuja área é de 16.330 m2, com frente para o rio Tejo. Uma das condições impostas, segundo o presidente da Fundação CCB é que a construção respeite a linha arquitectónica dos edifícios já existentes. “O vencedor terá liberdade para a arquitectura de interiores que optar”.

Desde a inauguração do Centro Cultural de Belém, há 25 anos, que está previsto o desenvolvimento dos módulos 4 e 5, que agora se anuncia, dando assim plena concretização ao projecto inicial de “Cidade Aberta”, então preconizado pelos projectistas Gregotti Associatti e Risco.

Para Fernando Medina, “este é um dia especial para a cidade de Lisboa, porque 25 anos depois dá-se início à conclusão do projecto inicial do CCB. Vamos proceder à requalificação desta zona da cidade, que estava há mais de duas décadas abandonada e sem uso”. O Pedido de Informação Prévia (PIP) para a construção destes equipamentos já foi submetido e aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Este empreendimento “dotará a cidade de Lisboa de uma nova centralidade, convidando habitantes e visitantes a uma permanência e fruição acrescidas da área monumental Belém-Ajuda”, realçou o presidente da Fundação, para acrescentar que pretende-se que “o novo conjunto de edificado crie uma relação de harmonia entre os diferentes usos, bem como com o próprio Centro Cultural de Belém cujo complexo integra”.

O autarca de Lisboa desafiou os promotores e construtores presentes na conferência de imprensa a “agarrarem a oportunidade” por forma a que este projecto seja construído e comece a operar “o mais rapidamente possível”. Na verdade, representantes dos grandes grupos hoteleiros nacionais como o Altis, a Sonae, o Vila Galé, o Sana, a NAU e o Pestana, entre outros, estiveram presentes na sessão.

A sessão foi encerrada pela ministra da Cultura que considerou que este “é um projecto emblemático do que pode ser o cruzamento de áreas tão determinantes para uma cidade. O turismo é muito importante para a cultura, trazendo novos públicos, mas os equipamentos culturais também são um factor determinante na atracção de turistas”.