Covid-19: Como estão a lidar com a pandemia a Hilton e a Oriental Land Co.

Ao longo do passado mês de Março a pandemia de Covid-19 deixou de ser um problema de alguns para ser o problema de todos, uma premissa com consequências também para algumas das maiores empresas do sector turístico. Conheça o que mudou na vida destas empresas nesta rúbrica do Turisver.com. Desde um presidente que renuncia o seu ordenado ao longo do restante ano (o da Hilton Worldwide Holdings) a uma empresa cuja data de reabertura é continuamente adiada (Oriental Land Company).

 

Hilton toma medidas sérias para a protecção do negócio e de postos de trabalho

A Hilton Worldwide Holdings anunciou, a 10 de Março, que iria retirar as perspectivas que havia avançado para as operações do grupo no primeiro trimestre e ao longo de todo o ano de 2020. Os valores pelos quais se guiavam anteriormente deixaram de fazer sentido com a propagação do vírus para além da Ásia Pacífico, as restrições de viagens por governos e os cancelamentos de reservas que chegavam em catadupa.

Ainda assim, Christopher J. Nassetta, presidente e CEO da Hilton, afirmava que “como uma empresa com 100 anos de história temos uma visão a longo termo, e estamos confiantes na resiliência do nosso modelo de negócio, na performance das marcas no nosso portefólio, e na nossa capacidade de responder apropriadamente às condições de mercado”. A Hilton é uma empresa líder em hospitalidade, com 18 marcas que reúnem mais de 6.100 propriedades, com mais de 971.000 quartos, em 119 países e territórios.

Com o avançar dos tempos, e do vírus por diversos territórios, a Hilton tem vindo a actualizar as suas políticas e a comunicar com os seus clientes estas novidades. “Como sempre tem acontecido, a segurança dos nossos hóspedes e trabalhadores continua a ser a nossa maior prioridade”, pelo que “estamos a fazer todos os possíveis para garantir a segurança em viagem e oferecer o máximo de flexibilidade ao passo que a situação à volta do novo Coronavírus continua a evoluir”, dizia o grupo em comunicado no início de Março.

Assim, a par com a segurança dos seus clientes e trabalhadores, o objectivo da Hilton é proteger o core do seu negócio a apoiar as suas equipas até que esta crise passe e recomecem as viagens. Como acontece com todos os operadores da hotelaria mundial neste momento, vários hotéis do grupo Hilton encontram-se de portas fechadas, enquanto tantos outros permanecem em funcionamento, mas com serviços reduzidos.

A Hilton tomou, então, diversas medidas para assegurar a liquidez da empresa e por conseguinte a manutenção de emprego. O objectivo tem sido a redução de custos, com a primeira medida a vir do próprio presidente e CEO da empresa, que renuncia o seu salário nos restantes meses de 2020. Segue-se o Conselho de Administração que, seguindo as pegadas do presidente, recebe um corte no ordenado de 50% ao longo da duração desta crise.

Desde 4 de Abril que diversos membros da equipa corporativa da Hilton passarão a ter horário reduzido ou serão temporariamente dispensados, pelo período de 90 dias. Durante este período, os profissionais dispensados manterão os seus benefícios de saúde e, de acordo com regulamentações locais, poderão submeter-se a ferramentas de desemprego. Quem continuar a trabalhar, mas com horário reduzido, terá uma redução no salário de até 20%.

Na sua luta contra a crise provocada pela pandemia, a Hilton vai, também, eliminar gastos não essenciais, incluindo despesas de capital, e suspender todas as recompras de acções, bem como o pagamento de dividendos. A empresa avança que todas estas decisões foram difíceis de tomar, mas que “vão permitir que a empresa resista à actual crise e reemerja na melhor condição possível para dar de novo as boas-vindas às suas equipas e hóspedes”.

Para além de tudo isto, a Hilton activou o seu Fundo de Assistência a Membros da Equipa, que garante apoios a membros da sua equipa que tenham sido directamente afectados pela crise, ou com membros da família afectados pelo impacto do Covid-19. Por outro lado, através do Hilton Workforce Resource Center, facilita o acesso a mais de 500.000 empregos temporários aos membros da sua equipa que foram temporariamente dispensados das suas funções.

Desta forma, a Hilton entrou em parceria com mais 30 de empresas líder, incluindo a Amazon, CVS, Albertsons e Walgreens, para fazer a ligação entre os seus trabalhares com postos suspensos com centenas de milhares de empregos de curta duração criados pela pandemia global. O grupo tem o intuito de estender este programa a nível global, sendo que pretende readmitir todos os trabalhadores dispensados uma vez que a crise seja ultrapassada.

As medidas de combate ao Covid-19 da Hilton ultrapassam as que se destinam à gestão da empresa. Mesmo durante a crise o grupo “continua a garantir hospitalidade”, sendo que por todo o mundo os hotéis têm doado excesso de comida a bancos alimentares locais, e ajudado diversas autoridades a fornecer alojamento a profissionais de saúdes. A Hilton Effect Foundation tem investido em doações a organizações que estão a lutar contra a propagação do vírus e a ajudar comunidades. Por fim, a Hilton aludiu aos membros Hilton Honor a doar os seus pontos (convertíveis em dinheiro) a estas organizações e associações.

Por entre todas estas preocupações, a Hilton não descura o atendimento aos seus clientes, pelo que fez que com todos os cancelamentos de reservas até 30 de Junho sejam totalmente reembolsáveis. A empresa permite também a extensão dos estatutos e pontos acumulados através do programa de fidelização Hilton Honors. Para conhecer com mais detalhe todas as medidas adoptadas pela Hilton Worldwide Holdings, clique [aqui].

 

Oriental Land Company sem saber quando poderá voltar a “criar felicidade”

A missão da Oriental Land Company é “criar felicidade e contentamento ao oferecer sonhos maravilhosos e experiências comoventes criadas com originalidade e imaginação”. O grupo japonês foi fundado em 1960 com intuito de “recuperar as terras da costa de Urayasy, desenvolver um território comercial e residencial e construir uma instalação de lazer líder, contribuindo assim para a vida cultural da nação e para o benefício dos seus cidadãos”.

As terras foram compradas e a Tokyo Disneyland abriu em 1983, sendo o primeiro parque Disney fora dos Estados Unidos. Seguiu-se a inauguração da Tokyo DisneySea em 2001, o único parque Disney dedicado ao tema marítimo. Foi também no início do século XXI que a empresa abriu vários hotéis Disney, um complexo comercial e um sistema de monocarril, transformando os dois parques num resort Disney. Actualmente, os parques acolhem mais de 30 mil visitantes por ano.

Para 2020, a Oriental Land tinha como objectivo reforçar a sua atractividade, manter os níveis de satisfação dos clientes e continuar a desenvolver as terras da costa de Urayasy com novas atracções. “Na nossa indústria, é comumente referido que os parques temáticos nunca estão completos”, assim sendo “os nossos desafios não têm limites e a forma final dos parques simplesmente não existe”.

Foi a 29 de Fevereiro que os parques Disney no Japão fecharam as suas portas, numa medida que embora temporária está a prolongar-se para além do esperado. A 27 de Março a Oriental Land Company anunciou que iria estender o encerramento dos parques até 20 de Abril, anteriormente previsto até 15 de Março e depois até 31 de Março, de acordo com as recomendações do Novel Coronavirus Response Headquarters do Japão. Desde 11 de Março que o grupo não aceita novas reservas para os parques e desde 27 de Março para os hotéis.

Entre vários eventos e programas que teriam início em Março e Abril, encontrava-se a inauguração de uma nova área da Tokyo Disneyland, marcada para 15 de Abril. Prevê-se que a expansão do parque seja inaugurada, então, a meados de Maio “ou mais tarde”. Esta expansão, que envolveu um investimento de 700 milhões de dólares, inclui uma nova atracção dedicada ao filme “A Bela e o Monstro”. Todo o calendário dos parques, geralmente anunciado com seis meses de antecedência, se encontra em ‘branco’ até 30 de Setembro.

Na última semana de Março o sindicato para trabalhadores não regulares da Tokyo Disneyland anunciou ter entregue à Oriental Land uma missiva que exigia que estes trabalhadores fossem pagos por inteiro no período em que o parque se encontra encerrado. O sindicato avança que os trabalhadores foram informados que os seus turnos tinham sido cancelados devido ao encerramento do parque, mas que não obtiveram mais informações relativamente a compensações durante este período. Num encerramento anterior, a Oriental Land pagou aos trabalhadores 60% do seu salário base, mas o sindicato está a exigir os ordenados devidos por inteiro.

Relativamente aos clientes, a empresa permite que as reservas para os parques realizadas antes de 11 de Março tenham um reembolso total caso canceladas, ou que não seja cobrada taxa de alteração para uma data posterior. O mesmo se verifica com pacotes combinados.