Covid-19: Como estão a lidar com a pandemia a Marriott International e a Beijing Capital Airlines

Ao longo do passado mês de Março a pandemia de Covid-19 deixou de ser um problema de alguns para ser o problema de todos, uma premissa com consequências também para algumas das maiores empresas do sector turístico. Conheça o que mudou na vida destas empresas nesta rúbrica do Turisver.com. A Marriott International aposta na ajuda às comunidades ao mesmo tempo que garante que “vamos viajar novamente”, ao passo que a Beijing Capital Airlines considera o retomar da rota directa entre a China e Lisboa ainda para este mês.

 

Marriott International: “Vamos viajar novamente”

A 13 de Março, Arne Sorenson, presidente e CEO da Marriott International, afirmava que durante os 90 anos de negócio a empresa viveu sob o princípio estabelecido pelo seu fundador, JW Marriott Sr., de “cuidar dos nossos hóspedes e associados”, um princípio que viria também a guiar o grupo hoteleiro na forma como lida com pandemia de Covid-19. O objectivo era assegurar os hóspedes que a sua segurança é prioridade e agradecer a quem “confia na Marriott nos seus planos para futuras viagens”.

Passadas três semanas, a 8 de Abril, Arne Sorenson emitiu novo comunicado em que dizia que “vamos viajar novamente”. “Embora estes sejam tempos difíceis para todos, continuo optimista que o nosso mundo prosperará novamente”, atestava, para acrescentar que o grupo que conta com um portefólio com 30 marcas e mais de 7.000 propriedades em 131 países e territórios, tem estado focado em “apoiar as comunidades onde os nossos associados vivem e trabalham”.

A Marriott considera essencial “ajudar e fortalecer os profissionais de saúde e prestadores de cuidados, que estão a trabalhar na primeira linha para conter esta doença”, estabelecendo diferentes programas de ajuda. Com apoio dos parceiros American Express e JPMorgan Chase, comprometeu-se a oferecer estadias no valor de 10 milhões de dólares aos profissionais de saúde a lidar com o combate ao Covid-19 nos Estados Unidos da América, onde a empresa é sediada. A iniciativa Rooms for Responders providencia alojamento gratuito a estes profissionais em algumas das áreas mais impactadas pelo vírus naquele país.

Já através do Community Caregiver Program, disponível nos EUA, Canadá, Caraíbas e América Latina, os hotéis do grupo oferecem tarifas com grandes descontos para estes profissionais que escolham alojar-se em unidades perto dos seus locais de trabalho nesta fase de combate ao vírus. Embora grande parte das unidades hoteleiras do grupo a nível mundial se encontre de portas fechadas, devido às restrições de viagens associadas à pandemia, a Marriott assegura que os seus associados em diferentes pontos do globo encontraram formas de ajudar as comunidades onde se inserem.

Diversas propriedades doaram os produtos alimentares não utilizados das suas cozinhas a instituições de caridade infantil, enquanto outras contribuíram com refeições cozinhadas e materiais de limpeza e desinfecção às autoridades de saúde locais. Em sinal de solidariedade, e no que se vai tornando uma tendência global, vários dos hotéis da Marriott International iluminam as suas fachadas com símbolos e mensagens de esperança e amor.

No seu tratamento ao cliente, desde o início que a Marriott International vem flexibilizando as suas políticas de cancelamento. A última actuzlização a estas políticas faz com que em todas as reservas existentes para qualquer data futura o cliente tenha a oportunidade de gratuitamente alterar ou cancelar a reserva até 24 horas antes da chegada, desde que estas alterações sejam realizadas até 30 de Junho.

Para os membros do programa de fidelização Marriott Bonvoy também há boas novidades. Os estatutos ganhos em 2019 serão prolongados até Fevereiro de 2022, enquanto todos os pontos ganhos expirarão apenas a partir de Fevereiro de 2021, caso a conta esteja inactiva há 24 meses. Por outro lado, a Marriott pede aos seus clientes que apoiem diversas associações activas na resposta ao Covid-19, doando os seus pontos Marriott Bonvoy, através do Marriott Bonvoy’s Giving Platform.

O ano de 2020 teve um arranque positivo para a Marriott International, com um crescimento de 3,2% no RevPar na Europa e de 3,5% nos Estados Unidos, nos primeiros dois meses do ano. Naquela altura, a Ásia-Pacífico registava já uma quebra de 24,7% no RevPar. Na China os níveis médios de ocupação eram, a meados de Março, de 15%, o que mostra o início de uma contida melhoria. Enquanto esta região começava a mostrar uma linha ascendente ao nível no negócio, todas as outras regiões mantinham-se numa linha descendente, com a Europa e os Estados Unidos a apresentar taxas de ocupação nos 25%.

Assim, a empresa previa um continuar da queda da performance. “Embora não consigamos prever quanto tempo esta crise vai durar, sabemos que passará. E quando passar a procura por alojamento vai recuperar e estamos confiantes que a nossa empresa possui a experiência e recursos necessários para enfrentar esta crise”, asseverava o presidente e CEO da companhia. Embora tenha surgido um número esmagador de cancelamentos para primeiro semestre, a Marriott avança que tal não se verificou ainda para o segundo semestre e que muitos dos clientes, em principal grupos, estão a tentar reagendar as suas férias.

Ainda assim a companhia está a apostar em planos de mitigação dos impactos operacionais do Covid-19. Têm sido implementados planos de contingência de negócio que têm vindo a ser reajustados, para dar a melhor resposta possível à situação. Foram fechados estabelecimentos de f&b das propriedades, houve redução de staff e pisos ou hotéis inteiros a fechar portas temporariamente. As renovações de hotéis e equipamentos de franchisados agendadas para 2020 foram adiadas por um ano e foram suspensas as auditorias de padrão de marca.

A nível corporativo, os planos de contingência incluem cortes significativos em salários de trabalhadores senior executive, a requisição de licenças temporárias, a redução da carga horári e cancelamento de todas as viagens e gastos não essenciais, incluindo com estratégias de marketing. A Marriott International estima que estes cortes reduzam os custos em 140 milhões de dólares, um número que prevê que cresça ao passo que novas medidas vão sendo adoptadas.

 

Beijing Capital Airlines: um braço de um grupo em ‘suporte de vida’

A Beijing Capital Airlines, fundada em 2010 através de uma parceria estratégica entre o Governo Municipal de Pequim e o HNA Group, com sede em Pequim, oferece uma rede com 14 rotas internacionais, 111 ligações domésticas e rotas regionais para Hong Kong, Macau e Taiwan. Começou a ligar directamente a China a Portugal, com o lançamento da rota Hanghzou e Pequim a Lisboa, a 26 de Julho de 2017, o primeiro voo directo entre os dois países.

Esta rota foi depois abandonada, com a transportadora a retomar as ligações directas entre China e Portugal o ano passado. A 30 de Agosto de 2019 decorreu a primeira ligação de Xi’an/Pequim a Lisboa, numa rota com três frequências semanais. Em Outubro a companhia mudou a sua principal base do Aeroporto Internacional de Pequim para o novo Aeroporto Internacional Daxing, como parte da estratégia de negócio. A par com as outras rotas internacionais, a ligação a Lisboa foi também transferida para este novo aeroporto.

Contudo, em tempos de Covid-19, a operação para Portugal retornou ao Aeroporto Internacional de Pequim, desde 14 de Março. Mais tarde, a 26 de Março, o Governo da República Popular da China anunciava a suspensão de entrada de cidadãos não chineses no país, como medida de prevenção. Os passageiros chineses que se encontrem num conjunto de 26 países onde consta Portugal, são obrigados a partilhar as suas informações de saúde e histórico de viagens recentes antes de embarcarem nos voos, através de um miniprograma no WeChat.

O país que agora apresenta uma esmagadora maioria de novos casos importados decidiu que a partir desta segunda-feira, 13 de Abril, arrancavam novas restrições à circulação aérea. As directrizes anunciadas pela Civil Aviation Administration of China determinam que as companhias aéreas chinesas podem apenas operar uma rota por país, com apenas um voo semanal em cada rota, ao passo que as companhias estrangeiras podem realizar as suas ligações ao país também apenas uma vez por semana. Voos que devem ter uma ocupação máxima de 75%.

No início de Abril, e conforme estas novas directrizes, Beijing Capital Airlines anunciava que a ligação a Lisboa poderia ser retomada a 24 deste mês. O voo semanal, operado em Airbus A330-200, teria partida de Pequim marcada para as 20h45 e chegada a Xi’an 22h55 partindo então para a Lisboa às 1h10 do dia seguinte. A chegada a Portugal estaria prevista para as 7h20, de onde o avião partiria novamente de regresso à China pelas 11h00, segundo notícia avançada pelo PressTur. Ainda assim, o regresso desta ligação directa poderá ser comprometido por um potencial novo prolongamento do Estado de Emergência em Portugal.

Ainda assim, a rota entre a China e Portugal não foi totalmente suspensa, com a Beijing Capital Airlines a ter realizado um voo no final de Março que trouxe 4 toneladas de ajuda humanitária para Portugal. O avião que chegou a Lisboa com equipamentos, luvas, máscaras e outros meios para prevenir o contágio do Covid-19, regressou à China com 160 cidadãos chineses que foram repatriados.

A Beijing Capital Airlines encontra-se no umbrela do HNA Group, através do HNA Aviation & Tourism, subsidiária do grupo que opera nas áreas da aviação, hospitalidade e turismo. A 29 de Fevereiro o grupo emitiu um comunicado em que anunciava que as autoridades chinesas iam ajudar a empresa, reconhecida como um dos players privados mais importantes do país, a lidar com a sua dívida, em muito agravada pelo impacto do Coronavírus. Desta forma, dois funcionários do Governo de Hainan, onde a companhia tem sede, foram nomeados para altos cargos dentro da companhia, com Gu Gang a assumir a presidência executiva e Ren Qinghua a tornar-se co-CEO.

Assim, o maior conglomerado de aviação do sector privado da China encontra-se sob custódia estatal, para reduzir o peso da sua dívida evitando um colapso financeiro que prejudique o sistema bancário mais amplo. O objectivo do governo seria assumir controlo da empresa e vender os seus activos de companhias aéreas. Em Dezembro do ano passado a companhia tinha já concordado em vender a sua participação na West Air à empresa estatal Chongqing Yufu Assets Management Group, ao passo que a Hainan Air, companhia aérea de bandeira do grupo, pediu aos seus obrigacionistas um adiamento de pagamentos no prazo de 270 dias.