Covid-19: Como estão a lidar com a pandemia a Qatar Airways e o IHG

Ao longo do passado mês de Março a pandemia de Covid-19 deixou de ser um problema de alguns para ser o problema de todos, uma premissa com consequências também para algumas das maiores empresas do sector turístico. Conheça o que mudou na vida destas empresas nesta rúbrica do Turisver.com. A Qatar Airways mantém-se nos céus com o mote “viajar com confiança”, ao passo que o InterContinental Hotels Group continua a garantir #TrueHospitality através de diversas acções.

 

Qatar Airways aposta no mote “viajar com confiança”

A companhia aérea de bandeira do Qatar, com uma frota de 250 modernos aviões que ligam Doha a 170 destinos, apresenta como planos para 2020 alargar a sua rede a diversos novos destinos, como Osaka, Santorini, Dubrovnik, Accra, Lyon e Luanda. Foi a 24 de Junho de 2019 que a Qatar Airways aterrou pela primeira vez em Lisboa, numa rota que a partir de Junho deverá praticamente duplicar as suas frequências semanais, de sete para 13 voos por semana.

De momento, os voos directos entre as capitais do Qatar e Portugal estão suspensos. O normal calendário de operações da companhia aérea não está a decorrer como inicialmente planeado, devido aos constrangimentos causados pelo surto de Covid-19, mas a 24 de Março a Qatar enviava um comunicado em que avançava estar a “operar mais de 150 voos por dia para que o maior número de pessoas consiga regressar às suas casas em segurança”.

Na altura a transportadora estava a servir regularmente mais de 70 cidades a nível mundial, sendo que estava “constantemente a rever as nossas operações para perceber onde há mais procura e pedidos, e sempre que possível vamos adicionais novas frequências ou substituir aviões por equipamentos maiores”. Agradecia, também “aos aeroportos e autoridades e seus staffs à volta do mundo pelos esforços incríveis que têm feito para ajudar os passageiros a regressar às suas casas”.

Foi no início de Fevereiro que a companhia aérea começou a fazer ajustes operacionais, ao suspender os voos para a China “devido a desafios operacionais causados pelas restrições nas entradas impostas por diversos países”. Seguiram-se ajustes às rotas para a Coreia do Sul e Irão no final desse mesmo mês de Fevereiro, e tantos outros nas semanas que seguiram. Desta forma, a 6 de Março a companhia aérea anunciava uma nova política de reservas que assegurava maior flexibilidade aos passageiros.

Os clientes da Qatar Airways passaram a poder alterar gratuitamente as suas reservas, para viagens até 30 de Junho, passando também a ter a oportunidade de receber um voucher de viagem, válido por um período de um ano e com 10% de valor adicional, no caso de quererem cancelar os seus voos. Ambas as alterações podem ser realizadas até três dias antes da partida. A nova política surgiu com o intuito de garantir “confiança e paz de espírito ao reservar voos tendo em conta o Covid-19 e o seu impacto nas viagens globais”.

Desde o início que o objectivo da Qatar Airways se prende com o mote “viajar com confiança”. Tanto que a data limite de partida das viagens passíveis de alteração gratuita mudou, entretanto, de 30 de Junho para 30 de Setembro, com a companhia aérea a permitir também reembolsos das viagens canceladas, embora com restrições. “A segurança e saúde dos nossos passageiros e trabalhadores é a nossa mais alta prioridade”, afirmava Akbar Al Baker, CEO do Qatar Airways Group, que acrescentava esperar que “esta nova política, juntamente com as nossas robustas práticas de higiene e segurança, permita aos nossos passageiros viajar com confiança”.

A transportadora apresenta altos padrões de higienização, que incluem a regular desinfecção dos aviões, a utilização de produtos de limpeza recomendados pela IATA e OMS, a par com treino intensivo das equipas. Os aviões da Qatar contam com os mais avançados sistemas de filtração de ar, equipados com filtros HEPA de tamanho industrial que eliminam 99,97% de vírus e bactérias. As mantas e almofadas distribuídas a bordo são lavadas a 90°C e engomadas a 100°C. O mesmo tipo de cuidados com a higiene verifica-se também com as refeições e bebidas e outras comodidades disponíveis a bordo.

As tripulações da Qatar têm vindo a receber diversas formações que visam assegurar a sua segurança, bem como a dos passageiros. São feitos testes de temperatura às equipas de bordo antes da descolagem, com os trabalhadores a ser imediatamente testados e postos em quarentena em caso de suspeita. Foi também autorizada a utilização de máscaras e luvas descartáveis a bordo dos aviões. O distanciamento social tem sido cumprido a bordo, através de novas formas de trabalhar que pretendem limitar as interacções.

O mote “viajar com confiança” da Qatar Airways baseia-se, assim, em ajustes aos seus planos de voos, trabalho com governos e autoridades para garantir o regresso das pessoas às suas casas e na introdução de novas medidas que assegurem a segurança e saúde dos seus trabalhadores e passageiros. Para além do trabalho da Qatar Airways Cargo, que tem vindo a oferecer assistência humanitária a diversas comunidades afectadas pelo vírus em todo o mundo, a companhia aérea adquiriu 500.000 kits para testes ao Covid-19 que doou aos serviços de saúde do Qatar.

 

InterContinental Hotels Group e a sua “verdadeira hospitalidade”

Com um vasto portefólio de marcas hoteleiras, que incluem Six Senses Hotels Resorts Spas, Regent Hotels & Resorts, InterContinental Hotels & Resorts, Crowne Plaza Hotels & Resorts, e Holiday Inn Hotels & Resorts, o InterContinental Hotels Group franquia, aluga, gere ou é dono de mais de 5.900 hotéis, que correspondem a aproximadamente 884.000 quartos em mais de 100 países. Com sede no Reino Unido, o grupo tem outras 1.900 unidades hoteleiras em desenvolvimento ou pipeline.

Nesta altura complicada de pandemia, o IHG tem respondido aos pedidos de ajuda de diversos governos, autoridades locais de municipais, bem como autoridades de saúde na sua luta para controlar o Covid-19. A ajuda do grupo hoteleiro pode surgir em diferentes cenários, incluindo o alojamento de funcionários públicos, profissionais de saúde e outros grupos que necessitem de alojamento de emergência. O grupo observou um crescente número destes pedidos de ajuda ao longo de toda a Europa, destacando uma task-force para melhor poder responder aos mesmos.

A task-force europeia tem vindo a aprender com grupos semelhantes destacados na China e também no Reino Unido, onde os hotéis IHG vêm sendo utilizados para alojar trabalhadores ou doentes que necessitem de isolamento. “A situação que estamos a viver não tem precedentes e a saúde e bem-estar das pessoas deve ser a prioridade”, comenta a propósito Karin Sheppard, SVP e directora-geral para a Europa do IHG, que continua: “queremos contribuir para os esforços de recuperação e estar preparados para apoiar governos e autoridades locais quando assim for preciso”.

De forma individual, diversos hotéis do grupo têm-se associados a diferentes causas, apoiando as suas comunidades locais. Entre outros, o InterContinental Lisbon reforçou as doações de comida que faz ao núcleo de São Sebastião da Refood, para que nada falta aos beneficiários da Associação. O grupo tem vindo a partilhar estes movimentos de solidariedade nas suas redes sociais, associando os posts ao hashtag #TrueHospitality, a verdadeira hospitalidade. Recorreu também ao hashtag #LightsofLove para partilhar um vídeo das fachadas de diversos hotéis do grupo, iluminadas com mensagens de esperança, numa tendência que começou no Crowne Plaza de Belgrado, na Sérvia.

Num vídeo partilhado a 24 de Março também nas redes sociais oficiais do grupo hoteleiro, o CEO da IHG, Keith Barr, afirmava que todos os responsáveis do grupo estavam “diariamente a tomar decisões difíceis devido ao impacto que a pandemia está a ter no nosso negócio”. Ainda assim, assegurava: “estamos a enfrentar estes desafios em conjunto e é em conjunto que os vamos conseguir ultrapassar”. Atestava também que “gostávamos de ter todas as respostas, mas não temos. Ninguém tem”, pelo que o grupo tem vindo a tomar o que entende ser as melhores decisões neste contexto.

Entre as diversas medidas que têm vindo a ser tomadas pelo, Keith Barr avança ser importante garantir a sua liquidez numa época pós-pandemia, para uma rápida recuperação. Assim, foram sendo feitos esforços para garantir a capacidade financeira do grupo. “Reduzir os salários dos nossos colegas corporate, ou cancelar o nosso dividendo final para accionistas pela primeira vez na história da empresa, foram algumas das decisões mais complicadas que já tivemos de tomar”, confessa o CEO da IHG.

A pandemia criou, efectivamente, circunstâncias sem precedentes na indústria das viagens, em particular no sector hoteleiro, a nível global. À medida que as viagens atingiram um estado de pausa os hotéis do grupo foram fechando portas temporariamente ou reduzindo as suas operações, com impacto em diversos postos de trabalho. Desta forma, na América do Norte a companhia lançou o IHG Hotel Colleague Job Center, com o intuito de ajudar trabalhadores cujos empregos foram impactados pelo surto de Covid-19.

O site com o mote “nós apoiamo-lo” (we support you) oferece recursos, conselhos e orientações durante este período. Inclui oportunidades de trabalho em empresas líder nos Estados Unidos e no Canadá, como a Amazon, Walmart, CVS, Dominos, Pizza Hut, Lowe’s e The Home Depot. Relativamente aos hóspedes, como resposta ao surto de Covid-19, a incerteza causada pelo vírus e diversas restrições impostas por autoridades em todo o mundo, a empresa actualizou também as suas políticas de reserva.

Todas as reservas realizadas até 6 de Abril em todos os hotéis IHG podem ser alteradas ou canceladas, para estadias até 30 de Junho. O grupo avança que continua a monitorizar a evolução da situação, considerando potenciais revisões a esta política. Por outro lado, “queremos também ajudá-lo a planear e reservar futuras viagens com confiança”, pelo que foram tomadas medidas também referentes a futuras reservas, incluindo a possibilidade de reservar agora e pagar mais tarde, sem necessidade de qualquer depósito, para reservas até 3 de Setembro e estadias até 30 de Dezembro de 2020.

Olhando para um futuro mais risonho, e com a China a mostrar os primeiros sinais de recuperação pós-Coronavírus, o InterContinental Hotels Group anunciou esta segunda-feira a assinatura de um contrato de gestão com a Shanghai 21st Century Hotel Co. para a propriedade localizada em Xangai. Esta unidade hoteleira abrirá portas a 16 de Maio como Regent Shanghai Pudong, pronto a receber novos hóspedes. No vídeo partilhado em Março, o CEO da empresa afirmava já haver “sinais encorajadores na Grande China”, onde começava a haver novamente procura por alguns hotéis na região, o que considerava ser “uma tendência na direcção certa, o que é uma perspectiva reconfortante para todos pois esperamos um caminho semelhante no resto do mundo nos próximos meses”.