Em caso de gestão pública da TAP não podem repetir-se os erros do passado, alerta Atilio Forte

Não é defensor da nacionalização da TAP como primeiro caminho mas não coloca de parte este instrumento como último recurso, ou seja, se não houver acordo negocial com os accionistas privados da empresa. Ainda assim, se este for o caminho, Atilio Forte alerta que uma gestão pública da empresa não pode cometer erros que já foram cometidos no passado.

Atilio Forte falava, na quarta-feira, no programa Negócios da Semana da SIC Notícias, onde deixou claro a importância que uma TAP forte tem para o país. “Mais do que estratégico, é vital para a economia, para o país e para o turismo que a TAP se mantenha em funcionamento”, afirmou, defendendo, por isso, que “o país tem que intervir [na TAP], recorrendo aos instrumentos que tiver que recorrer”, nomeadamente, a nacionalização. Sublinhando que, neste caso, “não podem voltar a cometer-se os mesmos erros do passado”, recorda que “sempre que tivemos gestão pública por parte do Estado, tivemos total desconhecimento ao nível da gestão daquilo que é o transporte aéreo e o sector da aviação”.

A estabilidade, ainda que “com erros” veio com a gestão da equipa de Fernando Pinto. Foram anos em que “a TAP desenvolveu-se e progrediu”, reconhece Atilio Forte que, no entanto, lembra que Portugal continuou, ainda assim, “sem uma estratégia para a aviação” na qual a companhia aérea se integrasse.

Estes são erros que o comentador do Turisver.com não gostaria de ver repetidos. Para que tal não aconteça e para que seja definida uma estratégia para a aviação, defende, mesmo que o caminho venha a ser o da nacionalização, “uma gestão profissional que seja do mundo da aviação e que entenda que estamos a falar, porventura, do sector mais competitivo à escala do planeta”.

Advoga também que “no caso de irmos para a solução extrema da nacionalização”, deve ficar bem definido o objectivo de, num horizonte temporal “entre 4 a 6 anos, arranjar um parceiro estratégico, e durante esse período, o Estado “definir uma estratégia global para o país em termos da aviação”, o que vai muito para além da própria tarde, incluindo, por exemplo, as infra-estruturas aeroportuárias.

No que toca à parceria estratégica que defende, Atilio Forte defende a venda futura de parte da companhia, afirmando mesmo que “não me escandaliza se for a maioria” do capital, seja a uma grande companhia aérea estrangeira ou a parceiros nacionais.

Sobre a injecção de capital na TAP, que ascende a 1,2 mil milhões de euros, Atilio Forte sublinha que “esta pandemia só veio acelerar um processo que era inevitável” uma vez que “historicamente sempre andou atrás de dinheiro e esta foi uma possibilidade que, felizmente, abriu uma porta a que houvesse financiamento público”.

“Infelizmente, parece que foi preciso o turismo mergulhar nesta pandemia e parar, para toda a gente perceber que a aviação, nomeadamente o transporte aéreo, é parte integrante e peça fundamental da actividade turística” e que “não podemos ter turismo sem ter uma TAP a funcionar bem”, frisa.

Sobre a recuperação do sector da aviação, Atilio Forte avança que será lenta e não acontecerá antes do final do próximo ano, muito embora tudo dependa da evolução da pandemia e de haver ou não tratamento disponível. Se isso acontecer, será uma recuperação mais rápida porque viajar deixou de ser um luxo para ser uma necessidade, pelo que “as pessoas querem viajar”. Também por isso, afirma que “é importante Portugal ter uma TAP pronta a dar resposta”.

Afirmando acreditar que vai existir um acordo, alertou também que, sem muito tempo para que a questão TAP se resolva e não se podendo pôr em causa a economia do país, se o acordo não vier célere, a nacionalização terá que ser o caminho mesmo que isso implique a injecção de uma verba ainda maior que a anunciada.