ETC: Turismo europeu deverá crescer apenas 3% em 2019

A Europa manteve-se como o destino mais visitado do mundo em 2018, mas 2019 traz consigo incertezas, nomeadamente o Brexit. Face aos novos desafios, a European Travel Commission (ETC) estima, para 2019, um aumento de 3% do turismo na Europa, face aos 6% de 2018.

O mais recente relatório da European Travel Commission (ETC), “Turismo Europeu – Tendências & Perspectivas 2018”, dá conta de que a Europa permanece a região mais visitada do mundo, com um aumento de 6% nas chegadas internacionais de turistas comparativamente com 2017. Este crescimento mostra que o turismo europeu continua a ter uma grande resiliência, apesar das tensões que afectam a indústria, em que se destaca a incerteza do Brexit e o abrandamento económico da Zona Euro e da China.

De uma forma geral, todos os destinos europeus (32 em 33) registaram uma evolução positiva em termos turísticos no ano que passou, destacando-se o crescimento de 22% nas viagens para a Turquia (face a 2017) indicador que reflecte a retoma continuada do destino, para a qual contribuíram vários mercados, nomeadamente o alemão mas também o britânico.

O relatório destaca também o crescimento de destinos como a Sérvia e Malta (+15% de chegadas), bem como Montenegro (+14%) e Letónia (+10), com este último destino a ter sido o único da Europa Central / Leste a registar um crescimento a dois dígitos.

O “forte crescimento das viagens para o exterior” por parte dos mercados da China e dos Estados Unidos é outro dos destaques do relatório que assinala de 24 em 30 destinos europeus registaram um aumento no número de turistas chineses, muito por via da melhoria das ligações aéreas e da facilitação das políticas de vistos.

Em praticamente todos os destinos europeus, os mercados tradicionais registaram performances positivas em 2018, mas o ano colocou em evidência as incertezas do Brexit por via da retracção que se começou a sentir por parte do mercado britânico. Segundo o relatório da ETC, este impacto negativo irá continuar a fazer-se sentir, pelo menos até ao final de 2020, caso venha a existir um “hard Brexit”. O relatório avança mesmo a possibilidade de os britânicos virem a realizar “menos oito milhões de viagens para o exterior”.

Eduardo Santander, director executivo da ETC sublinha que “apesar de riscos adversos como tensões nos mercados financeiros, da incerteza que rodeia a saída do Reino Unido da UE e os preocupantes indicadores no futuro, a indústria turística europeia provou uma vez a sua resiliência em 2018, concentrando mais de metade (51%) das chegadas turísticas mundiais. Olhando para as incertezas que 2019 tem para oferecer, prevemos um crescimento em torno dos 3% nas chegadas internacionais de turistas à região”.

O mesmo responsável afirma também que os desafios que se colocarão ao turismo europeu em 2019 “são uma oportunidade para reorientar as políticas nacionais e europeia no sentido do crescimento sustentável do turismo e do desenvolvimento a longo prazo na Europa”.