Francisco Calheiros: 2020 tem que ser o ano da descoberta de Portugal pelos portugueses

O presidente da Confederação do Turismo não está pessimista quanto ao futuro, apesar de considerar que “2020 vai ser um ano perdido”. Para que alguma coisa se salve este Verão, Francisco Calheiros deixa claro que há que “fazer uma aposta forte no mercado interno e no mercado interno alargado”. A CTP, anunciou, vai apresentar uma proposta ao Governo com contributos para a retoma.

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal falava sexta-feira no 3º Fórum de Turismo Visit Braga que se subordinou ao tema “Os desafios pós-pandemia no turismo” e em que participou também a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques.

“Fomos atingidos por um verdadeiro tsunami (…). O chão fugiu-nos dos pés num espaço de tempo muito curto” que não possibilitou uma preparação mínima, declarou Francisco Calheiros, para quem “o maior problema do vírus é a incerteza e o desconhecimento total”. O turismo está hoje no “zero” e a enfrentar uma situação totalmente inesperada num ano que deveria voltar a ser um dos melhores de sempre para o sector em Portugal. Pelo menos era isso que faziam esperar os indicadores de Janeiro e Fevereiro que reflectiam “vendas muito superiores ao ano passado”. Depois, em Março “as vendas quebram para 50% e em Abril e Maio, estamos a falar de quebras de 100% em praticamente todas as nossas empresas”.

Significa isto que o turismo vai acabar? Francisco Calheiros afirma que não, apesar de, antes da recuperação, estarem já aí tempos bastante difíceis. “2020 é um ano perdido. 2021 será um ano de retoma e tenho grande esperança que 2022 seja outra vez um óptimo ano”, afirma.

Sobre o futuro, garante não estar pessimista e acreditar que “vamos continuar a ter grande produto e grande oferta” mas, evidentemente, “temos de esperar que esta crise passe”, que venha a vacina ou uma cura para o vírus. Enquanto isso, há que continuar a trabalhar com cenários e com aquilo que se tem.

O que se tem, para já, é o mercado interno e depois, talvez ainda durante este Verão, o mercado interno alargado e o presidente da CTP não considera isso assim tão negativo pois “o mercado português sempre foi o nosso principal mercado. As dormidas de portugueses são superiores aos dos três principais clientes: ingleses, alemães e espanhóis. Este tem de ser o ano da redescoberta de Portugal por parte dos portugueses”, afirma.

Há, assim, que “fazer uma aposta forte” nestes dois mercados já que “2020 tem que ser o ano da redescoberta de Portugal por parte dos portugueses” que terão “uma oportunidade única para fazer férias no melhor destino do mundo”. Mas é fundamental, para que esta fase corra bem, que o governo tome “uma série de decisões e medidas no que diz respeito à hotelaria, à restauração, às praias…”.

A retoma não vai ser fácil e, a médio prazo, as empresas têm que continuar a ser ajudadas. Nesse sentido, a Confederação vai apresentar ao Governo, ainda esta semana “uma proposta de contributos com medidas para a retoma” de que constará, por exemplo, a continuidade do lay-off ou a anulação do Pagamento Especial por Conta.