Furacão Leslie: Centro pede apoio ao Governo para recuperar equipamentos turísticos danificados

Os prejuízos totais causados às infra-estruturas turísticas no Centro de Portugal devido à passagem do furacão Leslie no último fim-de-semana ainda estão a ser contabilizados, mas o Turismo Centro de Portugal já comunicou à secretária de Estado do Turismo e ao Turismo de Portugal para “que possam ser criadas linhas de apoio imediatas”, revelou ao turisver.com, Pedro Machado.

O presidente do Turismo Centro de Portugal adiantou que o solicitado junto do Governo tem a ver com uma linha de apoio com vista à recuperação dos equipamentos danificados, e outra de apoio à tesouraria para fazer face às necessidades de fundo de maneio das empresas de turismo  uma vez que algumas dessas infra-estruturas estão encerradas e não abrirão portas nas próximas semanas. No entanto “ainda não tivemos resposta concreta”, disse, sem no entanto adiantar os valores necessários uma vez que “ainda estamos a contabilizar os prejuízos”, mas realçou que “são elevados” .

O furacão que passou pelo Centro de Portugal “teve, à semelhança do ano passado, com os incêndios, impactos fortes, e deixou um rasto de prejuízos em equipamentos turísticos muito avultado”, reconheceu Pedro Machado, que acrescentou que “em coordenação com os municípios atingidos, estamos a fazer um levantamento exaustivo, e já nos foram comunicados mais de 44 estabelecimentos atingidos”, que vão desde hotéis, a parques de campismo, escolas de surf, unidades de alojamento rurais e empresas da animação turística, tanto localizados na costa como no interior.

O responsável regional do Turismo acredita que com o apuramento final “estaremos a falar de 60 a 70 unidades danificadas” pela passagem do furação Leslie, dando como exemplo o parque de campismo do Cabedelo, na Figueira da Foz, que vai necessitar de mais de um milhão de euros para recuperar os estragos.

Pedro Machado aponta mais de 20 municípios do Centro atingidos, localizados em praticamente toda a zona da costa, mas também no interior. Figueira da Foz, Mira, Marinha Grande, Penela, São Pedro do Sul, Montemor-o-Velho e Figueiró dos Vinhos foram os que mais sentiram o rasto de destruição.

Vidros partidos, telhados que voaram, sistemas de energia, nomeadamente painéis solares danificados, são os principais danos causados aos equipamentos turísticos daquela região.

Entretanto, sem ser especificamente para o sector do turismo, o Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira um “regime excepcional de contratação de empreitadas públicas” para fazer face aos danos da tempestade Leslie e uma linha de crédito para empresas que não deverá ultrapassar os 10 milhões de euros.

“Estimamos que esta linha de crédito não necessite de um valor que seja superior 10 milhões de euros, que será suficiente para fazer face àquilo que nós conhecemos nos municípios fundamentais, com maiores impactos. Trata-se de necessidades líquidas, após a nossa previsão de cobertura por seguros”, anunciou o secretário de Estado do Desenvolvimento e da Coesão, Nelson de Souza citado pela Lusa.

O regime excepcional de contratação de empreitadas públicas aprovado em Conselho de Ministros prevê a possibilidade de contratação por ajuste directo, após consulta a três entidades, de empreitadas até cinco milhões de euros, anunciou também Nelson de Souza.

A linha crédito para empresas será “accionada dentro de semanas”, referiu, sublinhando que terá “uma abrangência que vai cobrir todos os sectores económicos e empresariais.

Os prejuízos causados pela tempestade na região Centro ultrapassam os 80 milhões de euros, de acordo com os dados preliminares avançados pelas câmaras municipais mais afectadas.