Geota cria ferramenta para monitorizar fluxo de visitantes em pontos turísticos de Lisboa

O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (Geota) está a desenvolver um projecto que permite a detecção, monitorização e gestão do “crowding” em tempo real nos bairros históricos de Lisboa.

O projecto “Sustenturis Prevent Crowding”, concebido em 2018 e apresentado pela vice-presidente do Geota, Olga Romão, no 7º Congresso da APECATE, que decorreu na cidade da Horta (Açores), é composto por três soluções concretas para a mitigação do crowding, que passam, nomeadamente, pelo desenvolvimento de uma rede de detecção em tempo real de situações de pré-overcrowding  (quantidade excessiva de pessoas presentes) nas principais artérias ou zonas dos bairros históricos.

Outra solução consiste no fornecimento de uma aplicação móvel aos turistas e aos profissionais do turismo, tais como guias e condutores de transportes turísticos, que representa os níveis de congestionamento desses locais, sob a forma de heat-maps, bem como itinerários alternativos menos congestionados. “A Solução que propomos passa pela colocação de pequenos sensores em várias zonas, de forma não intrusiva, que permitem monitorizar a quantidade de pessoas que ocupam os locais”, disse a responsável.

O projecto visa ainda a capacitação dos profissionais do turismo para a gestão do crowding através do melhoramento de competências e treino da utilização da aplicação.

Na sua intervenção, Olga Romão, realçou que este projecto surgiu após um levantamento de informação feito junto de pessoas que vivem e trabalham nestas comunidades, associações de moradores e do património, e pelas juntas de freguesia, que revelou que, apesar das comunidades dos bairros históricos estarem habituadas à presença turística, a incomodidade associada ao crowding, sentida na actualidade emerge sobretudo da acumulação da presença dos turistas de passagem com os que permanecem nos alojamentos locais que surgiram em massa recentemente, acentuando-se em dias de desembarque de navios de cruzeiros no porto de Lisboa, sem contar com visitas de grupo promovidas por operadores turísticos, empresas de animação e guias.

A vice-presidente do Geota lembrou que “o turismo trás vantagens, mas também interfere com a qualidade de vida das comunidades dos bairros históricos”, uma vez que, em Lisboa, “são sempre as mesmas zonas que são percorridas” pelos turistas.