Governo está a “trabalhar na redução das portagens do interior”, confirmou Ana Abrunhosa

A ministra da Coesão Territorial falava, esta terça-feira, na 8ª videoconferência “Vê Portugal ON”, uma iniciativa da Turismo Centro de Portugal, desta vez subordinada ao tema “Coesão Territorial e Crescimento”.

Ana Abrunhosa respondia desta forma ao repto lançado pelo presidente da Câmara de Aveiro, que participou também na videoconferência e que, referindo-se à questões como a da acessibilidade ao interior do país, afirmou que “não faz sentido pagarmos portagens na A 25”.

“Estamos a trabalhar na redução das portagens do interior”, assegurou a ministra referindo-se, nomeadamente, à A 25 que considerou ser “um corredor estruturante para todo o país e não só para a região e é estruturante não só na rodovia mas também na ferrovia”.

A propósito, Ana Abrunhosa que defendeu a regionalização e a classificou como uma nova forma de fazer política, de ouvir as pessoas efectivamente e de acentuar a co-decisão, sublinhou mesmo que “há investimentos que temos que fazer que já estariam feitos há muito tempo se houvesse regionalização”.

“Coesão territorial significa mais descentralização, significa entregar a decisão a outros actores, significa partilha de poder, significa co-decisão, autarcas mais fortes com mais competências e com mais meios e regiões mais fortes”, disse a governante, acrescentando que só através desta descentralização “podemos adaptar as políticas e os instrumentos ao serviço dessas políticas”.

O conceito de coesão territorial, acrescentou, “é fácil de explicar mas difícil de conseguir no terreno”, disse Ana Abrunhosa, que deixou claro que “coesão territorial não tem só a ver com o interior” mas com o desenvolvimento equilibrado de todos os territórios, considerando que “a componente do desenvolvimento urbano é hoje muito importante e reflecte-se na importância que o turismo tem, no city-breack, na qualidade de vida que temos que garantir nos centros urbanos, nas pequenas e médias cidades”. Por isso “não é por haver praia que o desenvolvimento é garantido e que não há problemas de coesão”.

Não obstante, recordou que o Governo abriu “pela primeira vez, um aviso de concurso para as empresas que quisessem fazer projectos de inovação nos territórios do interior”. Tratou-se de um concurso específico “apesar de também termos aberto concurso para outras áreas” e “já estávamos em pandemia quando fechámos a primeira fase, com uma procura de 112 milhões de projectos de investimento que perfazem uma intenção de investimento de mais de 400 milhões de euros”.

Numa videoconferência que pretendeu reflectir sobre questões como a Coesão Territorial e o Crescimento, Smart Cities e Baixa Densidade e Economia de Competências, à luz da crise económica e social que deriva da Pandemia do COVID-19, o presidente da Câmara de Aveiro, José Ribau Esteves provou que não gosta da dicotomia que quase sempre marca a questão do litoral e do interior. Para o autarca trata-se de uma questão “absurda”: um país com 240Km de largura não pode continuar a gerir este absurdo”, e Portugal “é pequeno demais para abordagens tão parcelares”.

Para Ribau Esteves, se há uma lição que a Covid-19 veio ensinar foi a da “necessidade de nos focarmos mais nas pessoas, de nos focarmos mais na soma das capacidades, no aproveitamento dos recursos e de perdermos menos energias com coisas que não interessam e que não contribuem para a resolução de problemas de coesão territorial e qualidade de vida”.

O webinar, onde também se falou muito de turismo, foi encerrado por Pedro Machado, presidente da Entidade Regional de Turismo Centro de Portugal-