Hotelaria deverá ter quebra de 20% nas receitas em 2020, considera Raul Martins

O presidente da AHP avançou esta quinta-feira que, tendo em conta os cenários traçados pela Associação para os meses de Março a Junho, a hotelaria deverá chegar ao final do ano com uma quebra de 20% nas receitas face a 2019, o que irá gerar uma “situação de crise de tesouraria” nas empresas hoteleiras.

“Se perspectivarmos que de Março a Junho teremos uma redução de 50%, que é muito mais provável que a de 30% que é a que está já a acontecer em Março (…) chegaremos ao fim do ano com menos 20% de receitas”, afirmou o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, acrescentando que, se tal se verificar “estaremos no limite do breakeven e as empresas de hotelaria terão um ano de 2020 muito pior que o de 2009”.

Isto significa, de acordo com o presidente da AHP que “a hotelaria vai ter uma situação de crise de tesouraria para garantir as remunerações que são devidas aos seus empregados”.

Raul Martins falava na conferência de imprensa em que foram dados a conhecer os resultados de um inquérito da AHP aos seus associados sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus, onde frisou que, apesar dos cenários já traçados, “os hoteleiros querem manter o seu quadro de pessoal”.

Para que o quadro de funcionários possa ser mantido, as empresas hoteleiras irão recorrer a vários mecanismos possíveis, a começar pela não contratação de trabalhadores em regime de extras.

Outro dos mecanismos possíveis é a adopção do regime de lay-off simplificado, que o Governo já considerou para todo o tecido empresarial. Esta será, no entanto, a última medida a considerar pelos hoteleiros que, antes disso, querem optar por outros recursos. Neste sentido, avançou Raul Martins, a AHP pediu já ao Governo o alargamento do regime de banco de horas individual para lá do mês de Outubro, data em que este mecanismo deveria acabar.

“Foi um erro acabar com o banco de horas individual”, afirmou, explicando que “as primeiras formas de ultrapassar a situação de crise serão a recuperação de horas e de férias, ou mesmo um crédito de horas aos trabalhadores, que poderão ser mandados para casa e compensarão as horas quando a situação for normalizada”, pelo que, garantiu, “se tivermos o apoio do Governo não teremos despedimentos”.

Por outro lado, o presidente da AHP adiantou ter conhecimento de que vários hotéis do Algarve que tinham programado reabrir em Março, irão adiar o reinicio da sua operação.