IATA prevê prejuízo até aos 113 mil milhões de dólares na aviação devido ao Covid-19

A Associação Internacional do Transporte Aéreo actualizou a sua análise do impacto financeiro na indústria da aviação global por consequência do novo Coronavírus. Prevê, agora, perdas globais de receita em 2020 entre os 63 e os 113 mil milhões de dólares.

A perspectiva de prejuízo na ordem dos 63 mil milhões de dólares é feita para um cenário em que o novo Coronavírus, Covid-19, conte com mais de 100 doentes em alguns mercados, mas que fique contido nesses mesmos mercados. Um segundo cenário projecta uma propagação superior do vírus à escala global, atingindo mais mercados, e prevendo um prejuízo de 113 mil milhões de dólares. Ambos os cenários têm em conta os dados referentes ao Coronavírus de 2 de Março.

O primeiro cenário prevê que os mercados afectados pelo vírus sofram uma queda abrupta, seguida de um perfil de recuperação em ‘V’, e que os consumidores percam confiança em outros mercados. Prevê uma queda das receitas na China em 23%, em Itália em 24%, França em 10%, Alemanha em 10% e o resto da Europa em 9%, entre outros. Estes números representam uma queda global de 11% nas receitas, equivalente a 63 mil milhões de dólares.

No segundo cenário, em que a Associação considera a possibilidade de uma extensa propagação a nível global, causando um maior número de vítimas do Coronavírus, o resultado seria uma queda de 19% nas receitas, o que equivale a 113 mil milhões de dólares. A nível financeiro, a IATA compara este cenário de emergência de saúde pública, ao vivido durante a crise financeira.

Anteriormente, a Associação tinha desenhado uma projecção que afectava sobretudo os mercados associados à China, agora revista. Desde então, a propagação do vírus alastrou-se a 80 países, com os mercados internacionais a reagir fortemente. Os preços da aviação caíram perto de 25% desde o início do surto. O preço do combustível caiu, também, em 13 dólares por barril, o que permite um alívio dos custos da aviação, mas não acautela o impacto significativo que o vírus está a ter no tráfego.

O director-geral e CEO da IATA, considera que “a reviravolta do Covid-19 praticamente não tem precedentes”, sendo que em pouco mais de dois meses as perspectivas da indústria alteraram-se dramaticamente para pior. Embora não seja possível prever o desenvolvimento do vírus, Alexandre de Juniac afirma que “isto é uma crise”. Enquanto muitas companhias aéreas estão a tomar medidas drásticas para a redução de custos, o responsável afirma que estas estão “a fazer o melhor que conseguem para sobreviver enquanto desempenham a vital tarefa de ligar as economias mundiais”.