IATA prevê queda de 3 mil milhões de dólares nas receitas das transportadoras portuguesas

Nas suas mais recentes estimativas do impacto da pandemia Covid-19 na aviação, a IATA prevê um prejuízo de 3 mil milhões de dólares para as companhias aéreas portuguesas, a perda de 141.000 postos de trabalho, um decréscimo de 6 mil milhões de dólares na contribuição para o PIB e menos 21,3 milhões de passageiros em voos de e para Portugal.

A Associação Internacional do Transporte Aéreo voltou a pedir medidas urgentes por parte dos governos esta quinta-feira, num documento onde avança as previsões de perdas de receitas, tráfego, postos de trabalho e contributo para o PIB das companhias aéreas de 13 países europeus, incluindo Portugal. A previsão para a Europa fixa-se numa queda de 76 mil milhões de dólares nas receitas com a aviação, a perda de 5,6 milhões de empregos e quebra de 46% no tráfego aéreo nesta região.

Na estimativa da IATA os casos mais gravosos são os do Reino Unido (-113,5 milhões de passageiros / -402.000 empregos / -21,7 mil milhões de dólares / -32,7 mil milhões de impacto no PIB), Espanha (-93,7 milhões de passageiros / -750.000 empregos / -13 mil milhões de dólares / -49,9 mil milhões de impacto no PIB), Alemanha (-84,4 milhões de passageiros / -400.000 empregos / -15 mil milhões de dólares / -28 mil milhões de impacto no PIB), Itália (-67,7 milhões de passageiros / -256.000 empregos / -9,5 mil milhões de dólares / -67,4 mil milhões de impacto no PIB) e França (-65 milhões de passageiros / -318.000 empregos / -12 mil milhões de dólares / -28,5 mil milhões de impacto no PIB).

Rafael Schvartzman, vice-presidente regional da IATA para a Europa, lembra que “a indústria da aviação é um motor económico que suporta até 12,2 milhões de postos de trabalho na Europa”, sendo que “cada trabalho criado na aviação suporta outros 24 postos na economia mais ampla”. O apoio urgente que é novamente solicitado aos governos tem o intuito de assegurar a viabilidade das companhias durante o período de isolamento, e mais tarde garantir uma rápida recuperação das empresas.

Para além de apoio financeiro, a IATA pede medidas de alívio como uma emenda temporária do regulamento EU261, bem como o fornecimento de um conjunto de medidas que garantam a continuidade das operações de transporte de carga. A emenda ao EU261, que diz respeito a indemnizações a passageiros por atrasos e cancelamentos, deve permitir a utilização de vouchers ao invés de reembolsos, como aconteceu com alguns operadores turísticos, para permitir que as companhias tenham espaço para consertar os seus cash flows.