iTurismo: Curtas… e Certeiras

A apresentação do documento “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030”; a aprovação da “bazuca financeira” da União Europeia; o regresso da Fórmula 1 a Portugal; o reforço das campanhas de turismo interno; a reestruturação accionista da TAP e também as fragilidades no combate ao coronavírus em Portugal e os incêndios, são temas abordados por Atilio Forte neste iTurismo de formato diferente do habitual.

 

A semana que acaba de findar revelou-se recheada de acontecimentos com impacto directo na actividade turística. Por isso, e ao contrário do habitual, em vez de seleccionarmos dois ou três temas para comentar, decidimos abordar, ainda que de modo sintético, aqueles que consideramos que tiveram ou vão ter maior relevância para o Turismo nacional, e que (com)provam que este ano a actualidade turística vai ter uma agenda “carregada” durante o mês de Agosto. Daí a escolha do título: Curtas… e Certeiras.

 

Assim, e logo a abrir, tivemos a apresentação do formato final do documento “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030”, elaborado, a pedido do Governo, por António Costa e Silva, o qual já aqui havíamos recentemente analisado na sua versão preliminar (https://www.turisver.com/iturismo-o-silencio-dos-inocentes/). Lamentavelmente, no que à Actividade Económica do Turismo respeita nem uma só vírgula foi alterada transformando, para já, os receios e os alertas que então identificámos, em certezas de amador, em palpites de alguém que nem sequer se esforçou por pesquisar num qualquer motor de busca os motivos em que se tem alicerçado o desenvolvimento (e sucesso!) do Turismo no/do nosso país. Resta-nos (continuar a) acreditar que os agentes turísticos não irão cruzar os braços perante tamanho equívoco, e aproveitarão o mês em que o documento estará em debate público (até ao dia 21 de Agosto), para proporem/exigirem, mais do que correcções – nem vale a pena falar em estratégia! –, um tratamento digno, informado e conhecedor do que aí acabar por ficar mencionado sobre a actividade. É o mínimo dos mínimos que podemos esperar!

 

Em seguida, tivemos (finalmente) a aprovação pelo Conselho Europeu da tão propalada “bazuca financeira” da União Europeia, para dar resposta à pandemia e auxiliar a recuperação económica dos seus Estados-Membro, decisão que nos deixou com um misto de sentimentos pois, se por um lado o Governo Português deve ser felicitado pelo “envelope” que conseguiu obter (cerca de 58 mil milhões de Euros entre subvenções e empréstimos), dado o mesmo ter excedido as melhores expectativas iniciais, por outro lado, ficámos a saber que só em Outubro é que Portugal irá apresentar o desenho sobre como irá utilizar este pacote financeiro.

 

Ora isso significa que, na perspectiva mais optimista, o dinheiro só chegará à “economia real” no início do próximo ano, ou seja, tarde de mais para muitas empresas e muitos empregos…, particularmente na actividade turística, uma vez que a mesma continuará a ver o seu normal funcionamento fustigado pelas enormes limitações que decorrem do CoViD-19. A menos que o Governo tire “algum coelho da cartola”, leia-se avance com apoios directos às empresas, situação que, muito sinceramente, não se nos afigura que exista intenção de pôr em prática. Portanto, até podemos vir a ter dinheiro como nunca tivemos, mas tal de pouco ou nada servirá porque nessa altura a nossa capacidade produtiva estará, provavelmente, nos “cuidados intensivos” e, consequentemente, sem capacidade de resposta para aproveitar a “onda da retoma” podendo, no caso do Turismo, gerar efeitos perversos que alterem o trajecto de sucesso que, nesta área da economia, o país vinha registando.

 

Quase de imediato, recebemos a excelente notícia que, 24 anos depois, a Fórmula 1 regressará a Portugal, desta feita ao Autódromo Internacional do Algarve (Portimão), no penúltimo fim-de-semana de Outubro (dias 23, 24 e 25), naquela que é mais uma fantástica oportunidade para a promoção turística da região e do país, a qual pode ainda vir a ser potenciada, já que é bem real a possibilidade do Grande Prémio se poder realizar com a presença de público nas bancadas, dependendo da evolução da pandemia.

 

Em sentido oposto, e como que a sublinhar as fragilidades que continuamos a apresentar no combate ao novo coronavírus, ficámos a saber que a República da Irlanda nos colocou na lista de países cujos turistas que daí provenham são obrigados a cumprir um período obrigatório de quarentena, no “regresso a casa”. E, como um mal nunca vem só, o Reino Unido reconfirmou a manutenção do nosso país fora do “rol” de corredores turísticos que considera seguros, após surgirem notícias em contrário as quais, durante escassos dias, deram fundado alento a muitos, sobretudo no Algarve e na Madeira, a que se seguiu uma natural e enorme desilusão, mas igualmente muita incompreensão, face ao recrudescer do surto pandémico em Espanha, e daquele destino manter-se entre os que não contavam com restrições para turistas britânicos. Embora com o mal dos outros possamos nós bem, o facto é que uma injustiça é uma injustiça, e esta acabou por ser corrigida no dia seguinte, com o anúncio por parte do Governo inglês da inclusão de “nuestros hermanos” no mesmo patamar de Portugal, provando que no que respeita aos mecanismos de controlo da presente crise sanitária nada pode ser dado como certo ou adquirido, nem esforços colectivos e individuais aligeirados.

 

Coincidência ou não, a semana transacta também ficou marcada pelo reforço das campanhas de turismo interno, levadas a cabo por diferentes regiões, municípios e sector empresarial privado, numa dimensão nunca antes vista, esperando-se que o que hoje é olhado como uma necessidade – aposta no mercado doméstico – se mantenha intacto e devidamente valorizado após a superação da actual crise de saúde pública e do regresso à normalidade dos mercados e dos fluxos turísticos. No fim de contas, a realidade é que nas horas menos boas (e más!) os(as) portugueses(as) nunca falharam ao (seu) Turismo!

 

Como se tudo isto não bastasse, os grandes incêndios fizeram a sua “cíclica e infernal” aparição, vitimando pessoas e destruindo património particular e natural, assumindo-se como mais um dos factores que contribuem para instalar compreensíveis dúvidas no espírito de muitos – nacionais ou estrangeiros – sobre se valerá ou não a pena fazer férias por cá (leia-se continente)?!

 

Cerca de duas semanas após a reestruturação accionista da TAP, um preocupante manto de silêncio parece ter descido sobre o assunto e, tão ou mais importante, a retoma das operações por parte da empresa começa a tardar. Se é verdade que muitas vezes o “silêncio é de ouro”, atentas as experiências no passado que envolveram a ingerência (necessária ou não) dos Governos na companhia, tal pode não ser um bom prenúncio. Pior, do pouco que se vai ouvindo e sabendo, continuamos sem descortinar vontade política em traçar uma estratégia para o sector da Aviação ou, mesmo, de o passar a considerar como parte integrante e peça fundamental da actividade turística, algo que sendo tão óbvio poderia (e deveria!), por exemplo, ter figurado no “Plano de Recuperação” que mencionámos logo no início do presente comentário.

 

Para terminar, e prestes a chegarmos ao fim do mês, e com ele ao final do denominado “layoff” simplificado – excepto para quem tenha de estar encerrado por imposição legal –, as empresas turísticas continuam em sobressalto (tal como os seus trabalhadores), uma vez que os mecanismos que, doravante, passarão a estar ao seu dispor para manutenção dos postos de trabalho, não se coadunam minimamente com as necessidades do Turismo, quer face à redução significativa da actividade, quer face à tipologia dos serviços a prestar. Portanto, caso não se encontrem soluções específicas para os diversos sectores turísticos, muitos agentes económicos não terão outra alternativa que não encerrar, o que motivará um crescimento significativo do desemprego e, em simultâneo, um disparar do correspondente subsídio, ou seja, um considerável aumento de custos sociais e financeiros do país, para nem sequer falar nas perdas de competitividade e de produtividade que afectarão a economia nacional, em geral, e a actividade, em particular, num futuro não muito distante. Será isto o que se pretende? Sinceramente, esperamos que não. Mas a pergunta (e a preocupação!) aqui fica… à consideração de quem de direito.

 

 

Nota do Autor: Após seis anos e meio de ininterruptos comentários semanais eis que, por força da suspensão da publicação da Turisver e da Turisver.com, o “iTurismo” chega ao fim, tendo este sido o seu último capítulo. À Equipa da Turisver, e muito em particular ao seu Director, o meu muito Estimado Amigo José Luís Elias, deixo um penhorado agradecimento por toda a colaboração prestada e, também, pelo carinho com que sempre me trataram. A todos(as) quantos(as) – e foram muitos(as)! – fielmente nos seguiram, colocando perguntas, lendo e partilhando as análises que aqui fomos fazendo, um enorme OBRIGADO, acompanhado de um ATÉ JÁ! Sim, é que depois de tantos anos juntos, a comunicar, a reflectir e a (re)pensar o Turismo era inconcebível quebrar esse poderoso vínculo e não prosseguir com estes comentários. Porque o Turismo (tudo) merece! Assim, com a promessa de muitas surpresas e de um figurino totalmente inovador para a actividade turística, convido todos(as) e cada um(a) de vós a juntarem-se a mim, num dos seguintes canais (alguns em acabamento final):

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