iTurismo: Em Equipa que Ganha…, por Atilio Forte

A nova orgânica do Governo Regional dos Açores e as eleições para a APAVT de que se começa a falar a um ano de distância, são os temas do iTurismo de hoje. Em “O + da Semana” Atilio Forte fala de solidariedade e em os “Tópicos da Semana” aborda o conflito entre hotelaria e OTAs, os custos da utilização de cartões de crédito e hotéis boutique.

Tópicos da Semana:

  • Estaremos perante uma “guerra” sem baixas?: O conflito latente entre a hotelaria e as OTA’s (Online Travel Agencies) pode, afinal, acabar por não registar “fatalidades” em nenhuma das partes, uma vez que a crescente (e bem sucedida) agressividade das grandes cadeias hoteleiras para atraírem directamente as reservas, está a ser compensada pelo aumento das comissões que as unidades independentes estão disponíveis para pagar àquelas entidades, preenchendo assim o “vazio” existente.

 

  • As (des)vantagens do “dinheiro de plástico”: O recurso crescente ao cartão de crédito para pagamento das reservas de grupo, aliado ao aumento das taxas e comissões cobradas está, um pouco por toda a parte, a ter um impacto significativo nos custos suportados pelos hotéis. Em contrapartida tal permite-lhes ter um acesso mais rápido ao dinheiro do que, por exemplo, se a liquidação da factura fosse efectuada por cheque.

 

  • Bem-estar e sustentabilidade: Os hotéis boutique procuram cada vez mais formas de se afirmarem e diferenciarem de modo a atraírem e fidelizarem novos clientes. Em consequência deste posicionamento denotam um foco crescente nas áreas do bem-estar e da sustentabilidade, que não circunscrevem apenas às suas instalações, procurando acrescentar valor à sua oferta através de parcerias com terceiros. Possibilitar aulas de ioga num jardim ou parque ou fazer visitas às explorações agrícolas e mercados onde adquirem os produtos alimentares que servem, são duas das múltiplas opções disponibilizadas aos hóspedes.

 

Comentário

 

Turisver.com – Até agora, e com êxito assinalável, o Governo Regional dos Açores, liderado por Vasco Cordeiro, tinha o Turismo e os Transportes sob a mesma Secretaria Regional. Agora o alinhamento vai mudar, a Secretaria Regional que tem o Turismo tem também a Energia e o Ambiente (Energia, Ambiente e Turismo) enquanto os Transportes se juntam às Obras Públicas noutra Secretaria. Que leitura faz desta alteração?

 

Atilio Forte – Antes de entrarmos na resposta propriamente dita à questão colocada, gostaríamos aqui de registar duas notas. A primeira para sublinhar que o desenho da composição de qualquer Governo – neste caso do Governo da Região Autónoma dos Açores – é da exclusiva responsabilidade de quem o lidera, seja quanto ao seu formato, seja no que respeita à escolha dos elementos que o integram.

A segunda para recordar que nestes comentários opinamos sempre sobre decisões, estratégias ou políticas pois são elas e os seus reflexos que interferem com a nossa vida ou actividade, e nunca sobre pessoas, já que estas são efémeras no exercício das responsabilidades que episodicamente possam estar sob a sua alçada.

Salvaguardando estes aspectos e no que à actividade turística respeita, convirá referir que não foi sem surpresa que constatámos existir uma alteração profunda da filosofia que tão bons resultados vinha produzindo a nível regional, a qual tinha por expoente mais visível a reunião dentro da mesma tutela das pastas do turismo e dos transportes.

É uma verdade que atentas as especificidades dos Açores e até da tipologia da sua oferta turística poderá, à primeira vista, fazer sentido juntar o turismo ao ambiente e, ainda, adicionar-lhe a área da energia, pois esta última nos tempos que correm, pelos impactos positivos ou negativos que pode gerar fruto das opções tomadas, é determinante para a sustentabilidade ecológica e preservação ambiental nas quais, por seu turno, está ancorada a estratégia turística do Arquipélago.

Mas não menos verdade é que a primeira condição para que o turismo exista e se desenvolva é ter “como chegar?”, o que se traduz no facto do turismo e dos transportes, sobretudo a aviação – até porque estamos a falar de uma região ultraperiférica –, integrarem não apenas a mesma moeda, como fazerem parte indissociável de uma das suas duas faces.

Foi aliás por haver este entendimento que num passado mais distante enaltecemos o Governo Regional da Madeira como, mais recentemente, o fizemos relativamente ao dos Açores, pois esta provou ser sempre a melhor fórmula e a única que permitiu com que se atingissem tão bons resultados turísticos e tão acentuado desenvolvimento económico, que se reflectiram no aumento de riqueza, emprego e coesão social como facilmente se constata.

Se podemos afirmar que foi a liberalização dos voos para os Açores a grande responsável pelos bons resultados turísticos obtidos, é bom termos presente que caso não existissem fluxos turísticos receptivos às demais valências da oferta açoriana não haveria quem ocupasse os lugares de avião disponibilizados. Portanto, a estratégia só teve êxito porque foi simbiótica; porque a aviação faz parte integrante e é peça fundamental do turismo.

Ora, pretender ignorar este aspecto pode, a prazo, ser altamente comprometedor para o escorreito desenvolvimento e crescimento da actividade turística.

A actividade económica do turismo é uma realidade altamente complexa, não apenas por liderar a economia mundial, nem pela sua transversalidade mas, também, porque já faz parte intrínseca do nosso quotidiano. E este último aspecto, o de fazer com que qualquer um se sinta tão perto dela, por ser algo com que convive (quase) diariamente, em grande parte das vezes leva a que se caia na tentação de julgar que a “sua ciência” ou os “seus segredos” são facilmente perceptíveis e compreensíveis e, por isso, estão ao alcance de todos ou são do domínio comum.

Se tivermos em conta o patamar de desenvolvimento do turismo açoriano, esta é uma decisão que não terá efeitos imediatos, pois há muitos projectos em andamento. Podemos até vir a nunca conseguir aferir o que se perdeu (ou perderá) pela adopção desta solução, uma vez que é impossível comparar realidades totalmente distintas. Mas, estamos certos, a dada altura será notória uma menor existência de sinergias, um abrandamento da rapidez na tomada de decisões e uma diminuição da eficácia das políticas ou estratégias.

 

Turisver.com – Começa a falar-se cada vez mais das eleições na APAVT, talvez porque se aproxima a realização de mais um congresso da Associação. A seu ver, o prazo de um ano que ainda falta até ao acto eleitoral para se falar mais abertamente de candidaturas, ou movimentos que a elas levem, pode ser cedo demais e perturbar a vida associativa?

 

Atilio Forte: Em nossa opinião as estruturas associativas são, talvez, o expoente mais representativo da chamada “sociedade civil” e, por essa razão, tudo o que possa contribuir para as dinamizar, para um melhor debate de ideias, para que estejam cada vez mais próximas das suas representadas, é extremamente útil, desejável e, claro está, bem-vindo. No fundo, é uma prova da vitalidade das próprias associações e dos sectores que representam.

Não obstante esta nossa posição de princípio, convirá que se tenha presente o trabalho que vem sendo desenvolvido, avaliando-o correcta e isentamente, tendo consciência que aqueles que a ele se dedicam em nome do colectivo, o fazem retirando tempo às suas empresas, às suas famílias e, em muitos casos (ou na maior parte), sem que lhes sejam reconhecidos os devidos créditos ou méritos.

Temos para nós que é sempre mais fácil criticar do que fazer. Até porque, apesar de serem em número pouco significativo, nestas alturas têm tendência para aparecer aqueles que decidem “abraçar” o associativismo não para servirem, mas para “se servirem”, o que faz com que na esmagadora maioria das vezes o justo pague pelo pecador. Como em tudo na vida os “oportunistas” acabam, fatalmente, por apresentar maus resultados, só que, entretanto, o mal ficou feito…

Considerando, entre outras, as razões que acabamos de expor, no caso da APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo) e independentemente da legitimidade que assiste a todos os associados em candidatarem-se, só se justificarão alterações profundas na eventualidade dos actuais Órgãos Sociais entenderem não prosseguir com o trabalho que têm vindo a realizar pois, em nossa opinião, o mesmo tem sido globalmente positivo.

Que ninguém julgue esta nossa posição como uma total concordância com tudo o que vem sendo feito. Aqui ou ali certamente que se tomaram decisões ou posições questionáveis. Mas só não erra quem não faz!

Apesar disto, o que mais pode perturbar a APAVT, como qualquer outra estrutura associativa, é o marasmo, a falta de ideias e de dinâmica futura em defesa do sector que representa. Ora se mesmo assim existirem outros projectos – candidatem-se ou não os actuais corpos dirigentes – é bom que eles sejam discutidos, que se troquem pontos de vista e se analisem possíveis alternativas para problemas concretos. Desse debate os maiores vencedores serão sempre os associados e, obviamente, a própria instituição que ficará mais rica e mais forte.

Para concluir deixamos um alerta. Se for esse o caso, discutam-se projectos, estratégias, ideias … mas nunca pessoas. Debata-se o que é verdadeiramente importante e não vaidades fugazes que o tempo se encarregará rapidamente por fazer esquecer.

 

O + da Semana:

Por mais desconfortáveis que nos sintamos com a situação, a dura realidade é que, infelizmente, vivemos num Mundo cada vez menos solidário, (quase) insensíveis a tudo quanto não nos afecte directamente ou esteja “à nossa porta”. Por essa razão vale a pena enaltecermos as excepções, sobretudo quando as mesmas emanam da vontade do tecido empresarial nacional, mormente do da actividade económica do turismo. Fizemos esta introdução porque na passada semana tivemos oportunidade de estar presentes em mais um Jantar Solidário, promovido pelo Sheraton Lisboa Hotel & Spa, no âmbito da parceria que a Starwood Hotels & Resorts mantém há 20 anos com a UNICEF e através da qual já angariou mais de 35 milhões de dólares que ajudaram a melhorar a vida de 4,5 milhões de crianças em 40 países de todo o Mundo. A realização, em Lisboa, destas Galas – já vão na sua 6ª edição –, que envolvem as entidades parceiras e os colaboradores desta unidade hoteleira, a par de outras iniciativas como a do “Check Out for Children” (em que todos os hóspedes são convidados a acrescentar à sua conta 1€ a título de donativo para a UNICEF), permitiram que nos últimos 6 anos só o Sheraton Lisboa Hotel & Spa angariasse um total de 68.000€ para projectos da UNICEF, que foram entregues à delegação portuguesa daquele organismo das Nações Unidas. Pode até parecer pouco, mas se tivermos em consideração que todos os dias morrem 1.400 crianças por doenças causadas por água imprópria para consumo e que 1 simples dólar é suficiente para fornecer água potável a 9 crianças durante um mês, vemos que esse “pouco” faz uma enorme diferença. Que bom seria termos mais empresas, associações ou outras entidades do turismo a aderirem a esta meritória causa. Aqui fica o apelo! E o repto…