iTurismo: Lisboa Verde, de Cá e de Lá

A sustentabilidade e o título de Capital Verde Europeia 2020 que Lisboa ostenta e que já levou à realização de algumas iniciativas simbólicas em termos ambientais; o Tejo como via de aproximação entre Lisboa e a margem Sul e, ainda, a escalada da tensão no Médio Oriente, foram os temas escolhidos por Atilio Forte para o seu comentário semanal.

 

A preocupação com o “estado do Planeta” é, sem dúvida, um tema com presença crescente nas nossas vidas, não só porque o nosso futuro dele depende como, também, porque à medida que o tempo passa e a inacção política se instala, podemos constatar o resultado de gestos, decisões e práticas acumuladas ao longo de anos que, paulatinamente e um pouco por toda a parte, intervieram e transformaram o meio ambiente, sobretudo pelas alterações climáticas que provocaram – e provocam! – as quais, entre muitos outros factores, vêm dando origem a um cada vez maior e mais intenso número de catástrofes naturais, levando a que quase sempre alguma parte da “nossa casa comum” esteja impotentemente a debater-se com uma qualquer devastação. Por estes dias são os gigantescos e incontroláveis incêndios na Austrália que mobilizam a nossa atenção e já nos fazem temer pelo flagelo que se lhes seguirá…

Por outro lado, e como aqui vimos dando eco, a procura por produtos e destinos turísticos que valorizem a componente ecológica e ambiental, que permitam um contacto mais imersivo com a natureza e que possibilitem a vivência de sensações mais genuínas e autênticas, mais do que ganhar protagonismo, encontram-se hoje no topo das prioridades daqueles que viajam, isto é, dos turistas.

 

Vem isto a propósito da sustentabilidade e de todas as acções que concorram para o aumento do ganho de consciência para a sua importância ou que conduzam a comportamentos e atitudes que façam a diferença na melhoria da qualidade de vida, nossa e das demais espécies, tornando os habitats de cada uma mais naturais e aprazíveis. Queira-se ou não, a realidade é que Lisboa tem vindo a apresentar francas melhorias neste domínio, de mais jardins e parques, à criação de infra-estruturas que permitem o uso de novas soluções de mobilidade, e que motivaram o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido através da sua distinção como Capital Verde Europeia para 2020, em cerimónia que se realizou no passado fim-de-semana.

Obviamente que neste tipo de processos nem tudo corre bem e muitos “tiros saem pala culatra”. Veja-se o sucedido inicialmente com os “tuk-tuks” (esses veículos tão genuinamente portugueses/lisboetas, perdoem-nos a ironia), em que nenhuma alma com capacidade de decisão teve presente que, a avançar-se com o licenciamento deste meio de transporte, uma das condições obrigatórias seria que o mesmo fosse movido a electricidade – como agora acontece – para que não existisse como mais um elemento poluente ou, mais recentemente, com as bicicletas e trotinetes que rapidamente se tornaram em autênticos flagelos espalhados por todas as cidades nacionais e em exemplos da total ausência de civismo e educação da esmagadora maioria dos seus utilizadores, que só agora começam a ficar enquadrados e obrigados ao cumprimento de determinadas regras, quase obliterando o seu propósito inicial dentro das “novas mobilidades” mais amigas do ambiente e promotoras de hábitos de vida mais saudáveis.

Apesar disto, devemos valorizar e enaltecer outro tipo de iniciativas, como a de plantar 20.000 árvores em quatro pontos destintos da capital, que ocorreu no Domingo e que serviu, simultaneamente, para dar o mote ao vasto programa que envolve o novel “estatuto” ecológico e ambiental europeu, de que Lisboa gozará durante o presente ano.

 

No entanto, a semana que terminou trouxe-nos “mais Lisboa”, particularmente no que se refere ao estreitar da ligação da cidade ao rio e, principalmente, à outra margem, com a assinatura de um protocolo que visa reabilitar vários pontões de ambos os lados do Tejo de modo a fomentar novas soluções de mobilidade, aproximar as suas populações e potenciar turisticamente um lado de Lisboa que, não obstante a notoriedade internacional alcançada pela região, ainda permanece oculto da quase totalidade dos turistas que nos visitam.

Um dos grandes objectivos desta iniciativa é permitir que o rio se transforme numa “estrada de proximidade”, pelo fomento do uso de barcos como meio de transporte – público ou privado, colectivo ou individual, turístico ou de lazer –, dando assim corpo à sugestão/ideia que aqui avançámos na rubrica de 1 de Julho de 2014, num artigo intitulado “Lisboa Cidade de Duas Margens”, de aproveitar turisticamente ambos os lados do rio, permitindo acrescentar à perspectiva do lado de “cá”, a do lado de lá”.

Em face de exemplos passados, alguns atrás já mencionados, espera-se que o licenciamento das embarcações de transporte que venham a ter permissão para operar nesta área tenha em conta factores ambientais e ecológicos, nomeadamente ao nível dos combustíveis que possam ser utilizados, de modo a salvaguardar as espécies autóctones, bem como a beleza da própria paisagem e a capacidade de carga turística, precavendo e protegendo o turismo daqueles que estão sempre prontos a apontar-lhe o dedo acusatório de (quase) único responsável por todos os malefícios locais.

 

Outro dos temas que marcaram a semana passada foi a escalada da tensão no Médio-Oriente, entre os Estados Unidos da América e o Irão, que motivou uma breve “troca de galhardetes” a nível militar, em qualquer dos casos muito motivada pelas conveniências internas – de um lado para desviar as atenções do processo de “impeachment”, do outro da crescente contestação popular –, da qual o que mais sobreleva foi o lamentável e horrendo “dano colateral” provocado com o abate por engano (?!) de um avião comercial ucraniano, que dizimou todos quantos nele viajavam.

Em sequência e como consequência deste cenário onde o bom senso nunca esteve presente, a maior parte dos países emitiu recomendações e aconselhamento de cautela para os seus cidadãos que têm de viajar para a Região do Golfo Pérsico; muitas companhias aéreas suspenderam temporariamente os seus voos, em particular para Teerão; e a quase totalidade decidiu alterar as suas rotas habituais para não ter de sobrevoar o espaço aéreo quer daquela república islâmica, quer do vizinho Iraque.

Naturalmente, que do ponto de vista turístico alguns destinos da região serão pontualmente afectados. Contudo, e a manter-se a situação, não antecipamos qualquer possibilidade de contaminação ou prejuízo sério nas operações para os principais países localizados na zona, concretamente, para os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar ou, sequer, perturbação do tráfego nalgum dos seus grandes “hubs aéreos”, como é o caso do Dubai.

 

Nota – Não é demais recordar que o endereço de email iturismo@turisver.pt continua ao dispor das(os) nossas(os) leitoras(es).