iTurismo: O País do Yin e do Yang

Os apoios que, no imediato, continuam a faltar ao Turismo, é um dos temas do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte alerta, também, para as “análises excessivamente optimistas” que alguns fazem da “animação” do turismo interno sentida nos últimos dias. Igualmente em destaque está a possibilidade de Portugal sediar a fase final da Liga dos Campeões e uma ou mais provas do Mundial de Fórmula 1.

 

Apesar de ter contemplado dois feriados e, consequentemente, uma “ponte”, a semana que terminou foi muitíssimo agitada no que toca a acontecimentos, desde logo com a entrega, na terça-feira, na Assembleia da República do Orçamento do Estado Rectificativo, que veio consubstanciar o PEES – Programa de Estabilização Económica e Social, de que aqui falámos há 7 dias (https://www.turisver.com/iturismo-sabe-a-pouco-poucochinho/) e que ocorreu em paralelo com profundas mudanças no Ministério das Finanças mas, também, com uma grande parte do país (principalmente a região de Lisboa) num estado de quase anticlímax pela falta (necessária!) dos tradicionais arraiais dos Santos Populares, nomeadamente os de Santo António, deixando antever que nos de São João, mais a Norte e daqui a alguns dias, o ambiente repetir-se-á, recordando-nos que a pandemia que atravessamos mantém-se presente no nosso quotidiano e que continua a “fazer estragos” seja na saúde, seja na nossa vida em sociedade seja, ainda, na economia, pondo em causa vidas e questionando formas de subsistência.

Não obstante estes aspectos, igualmente assistimos a alguma “animação” no que respeita ao turismo interno, pelo menos da parte daqueles com algum poder de compra ou que não viram o mesmo afectado, levando a análises excessivamente optimistas em muitos meios de comunicação social, que são importantes refrear, pois se é verdade que houve quem tenha viajado cá dentro, alugando casas, hospedando-se em hotéis e frequentando restaurantes, não menos verdade é que a maior parte dos estabelecimentos abertos não estiveram, porque legalmente não podem (nem por salvaguarda querem), a utilizar a sua total capacidade de lotação, tornando-se assim um exagero afirmar que muitos terão estado cheios. Para além disso, convirá ter presente os inúmeros que continuam encerrados e que, por esse facto, também contribuem para criarem essa espécie de sensação de maior concentração (e até de enchente).

 

Propositadamente destacámos estes acontecimentos, porque nos chegou um número muito significativo de reacções de grande preocupação quanto ao que aqui tínhamos alertado no comentário passado, isto é, por um lado, que o PEES elaborado pelo Governo seria a única “a ajuda e apoio” que as empresas iriam ter até ao final do corrente ano, quer para manterem a sua actividade, quer para assegurarem os empregos dos que nelas trabalham, mesmo que, entretanto (estima-se que será em Julho), o Conselho Europeu aprove a tão propalada “bazuca” de ajuda económica aos diversos Estados-Membro, já que, por outro lado, a definição dos critérios e das condições de acesso a esse auxílio económico e financeiro irá demorar alguns meses a desenhar, admitindo-se com enorme probabilidade que o(s) programa(s) que daí resultar(em) só ficará(ão) pronto(s) lá mais para o final de 2020, o que legitima – mais do que a pergunta! – a aflição de muitos empresários, pois começam a ficar e a ver-se sem soluções.

Ora para uma actividade como o Turismo, que vive em grande medida da receita que dia a dia (nalguns casos até hora a hora) consegue gerar ou, embora em menor escala, da que é capaz de antecipar em razão de um conjunto de factores, entre os quais se incluem a “certeza” e a “confiança” dos consumidores na oferta/produto, e que tem de lidar com a impossibilidade de produzir para (re)vender mais tarde e que, para além destes motivos, já sabe que vai continuar a ser afectada nos próximos meses, dadas as (inevitáveis) limitações às deslocações/viagens que perdurarão, estas são péssimas notícias.

Por isso, não admira que no seio da actividade turística cada vez sejam mais os empresários que se interrogam se vale a pena continuar? Se não será preferível “fazer uma pausa” e encerrar e, eventualmente, (re)abrir no futuro se a evolução da pandemia e da economia for favorável? Se o melhor não será desistir já, enquanto as dívidas e as responsabilidades não acumulam, mesmo que isso afecte drasticamente o (seu) rendimento pessoal e atire milhares de trabalhadores para o desemprego? Pelo menos, as prestações e os apoios sociais são certos…

Apesar dos incontáveis ataques que o Turismo tem sofrido nos últimos meses, tão próprios dos cobardes que os lançam na altura em que o sabem mais fragilizado, fazendo tábua rasa do muito que a actividade e todos seus agentes fizeram para que possamos viver num Portugal mais próspero, queremos acreditar que os decisores políticos não se deixarão embalar pelos cantos destas “sereias” da maledicência, da ignorância e da ingratidão. Contudo, para tal, é fundamental que não se refugiem na penumbra da passividade, traduzida em medidas como as presentes, que à constelação turística de pouco ou de quase nada servem. O alerta aqui fica, para que não contribuam (activamente) para agravar o Yin por que passa o Turismo!

 

Um dos temas que foi ganhando “força” ao longo de toda a semana que findou é o que está relacionado com a possibilidade do nosso país, neste caso Lisboa, poder vir a acolher no próximo mês de Agosto a fase final da mais prestigiada competição mundial de futebol disputada ao nível de clubes, a Liga dos Campeões, cuja decisão será tomada amanhã (dia 17 de Junho) pela entidade que a organiza, a UEFA. Recorde-se que o jogo de atribuição do título estava agendado para Maio, em Istambul, na Turquia, acabando por não se realizar devido à pandemia.

A interrupção das provas futebolísticas e a evolução da situação sanitária nos diferentes países, levaram a que fosse considerado um modelo alternativo para disputa dos restantes jogos desta competição, no qual o nosso país apareceu bastante bem posicionado, havendo mesmo algumas fontes jornalísticas bem informadas que já dão por garantido que os quartos-de-final, as meias-finais e a final da prova ocorrerão em Lisboa (pela nossa parte confirmamos a existência de pré-reservas em várias unidades hoteleiras).

Sobre esta possibilidade que, naturalmente, todos desejamos que se venha a confirmar, convirá referir que, mesmo considerando que os jogos a efectuar não contarão com público/adeptos, esta seria mais uma excelente oportunidade para a promoção do nosso país, em geral, e da região de Lisboa, em particular, tanto do ponto de vista turístico, como sanitário, cimentando a imagem de Portugal como destino de referência e acrescentando-lhe a garantia de confiança no que se refere a qualquer situação relacionada com o novo coronavírus. Concretamente para Lisboa que, tal como o Porto, tem uma tipologia de oferta que não é muito favorável ao distanciamento social actualmente necessário, esta seria uma forma de capitalização futura dado que, inevitavelmente, os meios de comunicação social que farão a cobertura da competição não deixarão de levar ao Mundo imagens da cidade e da região.

No entanto, a persistência e, até, o aumento de novos casos de infecção causada pelo CoViD-19 que vêm assolando toda a área de Lisboa e Vale do Tejo nas últimas duas semanas, podem influenciar negativamente a decisão, já que os nossos concorrentes não deixarão de esgrimir esse argumento em seu favor. Por isso, devemos refrear os ânimos (embora não a esperança) e manter o rigoroso cumprimento das regras de protecção e de higiene que nos são sugeridas pelas autoridades de saúde.

Ainda no plano dos eventos desportivos de impacto mundial, também tem sido avançada nos últimos dias uma outra excelente possibilidade para o nosso país, agora relativa à hipótese de o AIA – Autódromo Internacional do Algarve (Portimão) poder vir a acolher uma das provas deste ano do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 – que não chegou a iniciar-se – no dia 27 de Setembro (curiosamente data em que se celebra o Dia Mundial do Turismo). Inclusivamente, há quem alvitre que esta poderia ser uma competição de jornada dupla, com um segundo Grande Prémio a ter lugar no Domingo seguinte, isto é, no dia 4 de Outubro.

Liga dos Campeões e Fórmula 1. Venham ou não a ter lugar no nosso país, uma coisa é certa: Portugal é falado e considerado, porque reúne condições para acolher este tipo de acontecimentos. E isso, só por si, já é uma enorme vitória. E que demonstra que há um Portugal activo, positivo, turisticamente capaz e competente. Um Portugal do Yang!

 

Protejam-se a vós, aos vossos e, se possível ou necessário, ajudem o próximo. #vamostodosficarbem!

 

Nota – Não é demais recordar que o endereço de email iturismo@turisver.pt continua ao dispor das(os) nossas(os) leitoras(es).