iTurismo: (Re)Conquistas, por Atilio Forte

No iTurismo desta semana estão em destaque os prémios recebidos por Portugal na gala europeia dos World Travel Awards 2019, nomeadamente o facto de o Pais ter revalidado o título de Melhor Destino Turístico da Europa. Atilio Forte comenta também a realização, nas cidades do Porto e de Guimarães, da 1ª Edição da Fase Final da Liga das Nações da UEFA e os reflexos positivos deste evento na actividade turística do Porto e Norte de Portugal.

 

Tópicos da Semana:

 

  • Melhorar as experiências através da Inteligência Artificial (IA): São já muitos os especialistas que defendem que uma melhor utilização da IA pode, por um lado, tornar os procedimentos perante o cliente mais homogéneos e/ou padronizados mas, por outro lado, também permite proporcionar uma optimização da interacção, do relacionamento e, consequentemente, das experiências e da relação humana. Por exemplo, o uso de máquinas inteligentes que sejam capazes de apreender as preferências dos clientes quando estes estão a fazer uma marcação através de um portal de reservas, pode ajudar a canalizá-los para a pessoa mais apta e qualificada a responder às questões, esclarecimentos ou aconselhamento que possam necessitar.

 

  • Aumento da procura por resorts “tudo incluído” exige redobrada atenção da gestão: Os responsáveis das maiores cadeias hoteleiras mundiais afirmam estar conscientes do aumento da atractividade que o “tudo incluído” tem vindo a ganhar e de como se têm esforçado para acompanhar esta tendência. Contudo, também alertam para o facto deste tipo de produto colocar a gestão das unidades perante novas necessidades de ajustamento, nomeadamente, ao nível dos programas de fidelização e de outros modelos de operação.

 

  • A Geração “Z” começa a ganhar importância turística: As mais recentes análises respeitantes ao consumo indicam com clareza que quem integra esta geração, que no próximo ano já representará 40% do total de consumidores, tem vindo progressivamente a ganhar um papel crescente no que respeita às decisões das viagens em família e, por essa razão, esta sua influência deve ser objecto de particular atenção por parte dos vários agentes turísticos, pese embora do ponto de vista socioeconómico aqueles que a compõem ainda não serem detentores de um rendimento significativo, já que, por definição, estão agora a chegar/entrar à/na casa dos 20 anos.

 

Comentário

 

Turisver.com – Pelo terceiro ano consecutivo, Portugal foi considerado o Melhor Destino Turístico da Europa na gala europeia dos World Travel Awards 2019, que teve lugar no passado sábado, na Madeira. Esta foi também a edição dos WTA que mais prémios outorgou a Portugal, 39 no total, mais três do que no ano passado. Considera que estas distinções são o reconhecimento da melhoria da nossa oferta turística?

 

Atilio Forte – Em primeiro lugar cumpre-nos felicitar todas as entidades premiadas pelas distinções recebidas e, muito particularmente, as que as repetiram pois, como é sabido, tão ou mais difícil do que chegar ao topo é manter-se nele. E neste aspecto em concreto gostaríamos de realçar a Madeira, não só pela organização desta gala europeia dos World Travel Awards (WTA) mas, sobretudo, por ter conquistado pela sexta vez (quarta consecutiva) o prémio de Melhor Destino Insular da Europa, facto que mais do que constituir motivo para grande orgulho por parte de todos os portugueses(as), nomeadamente para os que são madeirenses, vem reconhecer e enaltecer o esforço que todos os agentes turísticos – públicos e privados – daquela Região Autónoma têm vindo a desenvolver em prol da actividade e estimulá-los a continuar  e a perseverar num ano que, considerando a quebra verificada nalguns mercados turísticos emissores, está a ser profundamente desafiante para o destino.

Para além deste aspecto, e fazendo uma “leitura” mais geral dos resultados obtidos, convirá salientar o desempenho global do nosso país, não apenas por ter mais uma vez (terceira consecutiva) arrecadado o título de Melhor Destino Europeu, mas também por constatarmos que as nossas outras duas grandes regiões turísticas continentais foram igualmente distinguidas. Referimo-nos à conquista dos galardões, respectivamente, de Melhor Destino Europeu de Praia, pelo Algarve e de Melhor Destino Europeu de “City Break” (miniférias de cidade), por Lisboa.

Claro está que estes prémios jamais seriam possíveis de alcançar sem uma oferta turística de qualidade e inovadora, liderada por empresas, empresários(as) e profissionais altamente comprometidos com a constante melhoria do produto, como bem comprova a vasta variedade de distinções que recebemos.

Contudo, e mais do que a (renovada) responsabilidade de continuarmos a fazer mais e melhor em todos os domínios, por forma a darmos resposta ao inevitável aumento de exigência e expectativa dos consumidores, devemos ter plena consciência que o crescente número de prémios que o turismo nacional vem sucessivamente obtendo, não pode, nem deve, fazer-nos esquecer das nossas limitações e insuficiências, acima de tudo no que respeita à qualidade dos serviços prestados onde, como temos vindo a sublinhar nas análises que fazemos, necessitamos urgentemente de uma maior e melhor capacitação dos recursos humanos, já que o seu desempenho é crucial na cadeia de valor turística.

Mas estas são “contas de outro rosário”. Agora importa saborear o momento, agradecer e reconhecer o trabalho de todos quantos foram distinguidos, esperar que os nossos decisores interiorizem o quão vital o turismo é cada vez mais para o progresso do país e, desde já, tudo começar a fazer para obter novas (re)conquistas!

 

Turisver.com – Portugal foi o país escolhido para organizar a fase final da 1ª  Liga das Nações da UEFA, que se realizou no Norte do país. Com a vinda de milhares de adeptos de países como a Inglaterra, a Suíça e a Holanda, este evento ajudou a projectar a imagem desta região em termos de turismo?

 

Atilio Forte – A par do sucesso desportivo obtido, que a todos nos orgulha, merece destaque a qualidade organizativa de um grande evento internacional de que novamente demos prova, mesmo tendo em consideração que esta foi uma competição de muito curta duração.

De facto, o passado fim-de-semana veio demonstrar, mesmo para os mais cépticos que, apesar de ser um país pequeno, Portugal é capaz de grandes feitos. Foi assim, no Sábado, no que respeitou ao turismo – como vimos na resposta à pergunta anterior – e, no Domingo, idêntico êxito foi obtido, desta vez no futebol!

Há pois que reconhecer que estes foram dois dias “em cheio” para o nosso país os quais, por motivos diversos, nos colocaram pelas melhores razões nas “bocas” do Mundo.

E se no turismo as distinções internacionais já começam a ser um hábito que, diga-se, é fruto de um gigantesco trabalho, não menos verdade é que quando somos chamados a ser “palco” de uma grande competição desportiva, como agora aconteceu na área do “desporto rei” com a 1ª Edição da Fase Final da Liga das Nações – a mais recente prova de selecções do calendário da UEFA – Union of European Football Associations – e já havia ocorrido neste século com o EURO 2004, a nossa capacidade organizativa e hospitalidade sobressaem, mesmo quando temos de acolher em poucos dias um elevado número de turistas/adeptos.

Focando-nos mais em detalhe no plano turístico, deve sublinhar-se que a acertada escolha das cidades do Porto e de Guimarães para receberem os respectivos jogos, permitiu uma excelente promoção da região a nível global que, seguramente, irá frutificar e, por esse motivo, despertar o interesse de muitos consumidores turísticos em conhecer o Porto e Norte de Portugal, dado que, maioritariamente, quando alguém pensa visitar o nosso país (ainda) centra mais a sua atenção nos destinos de maior nomeada, como sejam, o Algarve, Lisboa ou a Madeira.

A este aspecto mais promocional, há que acrescentar os reflexos positivos que o evento trouxe para o negócio turístico, bem visíveis no facto da hotelaria do Grande Porto e do Minho ter (quase) esgotado durante os dias em que a competição teve lugar, e para a economia regional, atentos os efeitos indutores que o turismo provoca.

E, em jeito de corolário do que afirmámos, tivemos a sorte (normalmente protectora dos audazes) de, para além da Suíça, a Inglaterra e a Holanda terem chegado a esta Fase Final da competição pois, como é do conhecimento geral, trata-se de dois dos nossos mais tradicionais (e fieis) mercados emissores de fluxos turísticos, que sempre denotaram grande preferência pelo Sul de Portugal, mormente pelo Algarve. Ora, agora, tiveram oportunidade de contactar com uma outra realidade (a Norte), totalmente distinta, mas igualmente extremamente apelativa e aliciante, sobretudo para os ingleses que tiveram no passado uma vincada ligação à região e a alguns dos seus mais afamados produtos, como é o caso do Vinho do Porto. Assim, estamos em crer, que a visibilidade proporcionada por este torneio terá dado um bom contributo para o avivar dessas memórias, despertando naquele mercado maior curiosidade em (re)descobrir a região e por ela ser (re)conquistado.

 

O + da Semana:

 

Que a era da digitalização tem vindo, paulatinamente, a alterar as nossas vidas e comportamentos não é novidade. Como também o não é o papel (insubstituível) que a tecnologia já tem em todos os momentos da operação turística – desde a promoção de um produto ou serviço, à sua reserva, passando pelo pagamento e construção de uma relação duradoura entre quem vende e quem compra. Por isto, e numa época em que o dinheiro virtual começa a ganhar projecção, não espanta que o “próximo passo” para “equipar” um qualquer turista a preceito sejam as “e-wallets” (isto é, as “e-carteiras”). Portanto, não é propriamente uma surpresa que o último Relatório da empresa de processamento de pagamentos WorlPay afirme que é expectável que o volume global de transacções sem recurso a dinheiro físico venha a crescer cerca de 13% ao ano, até 2021, e que se estime que em 2022 47% dos pagamentos realizados on-line sejam feitos com recurso a “e-wallets”. No entanto, e enquanto não tem a sua “e-carteira” pode sempre recorrer ao uso do “Bunq”, um novo produto da Mastercard, que é um cartão semelhante aos tradicionais, com a vantagem de não ter qualquer custo mensal ou anual associado, excepto o da sua aquisição (que ronda os 9 Euros) e o de cerca de 1€ por cada levantamento efectuado numa ATM, mas que é recarregável e permite o acesso a taxas de câmbio padrão (fixas) evitando, assim, que quem o utilize seja penalizado com os habituais 2 a 3% de comissão cobrados neste tipo de transacções.