iTurismo: Ver para Crer

O comentário de Atilio Forte versa hoje sobre os aeroportos: o do Montijo, a que o Orçamento do Estado agora aprovado dá “luz verde” para o arranque das obras e o de Beja que os operadores turísticos estão a ser pressionados para utilizar nas operações de Verão. Por fim foca novidades que estão a ser adoptadas para maior conforto ou entretenimento aos passageiros.

 

Com a aprovação pela Assembleia da República do Orçamento de Estado para o corrente ano, no passado dia 6, a que se soma a Declaração de Impacto Ambiental favorável que havia sido emitida pela APA – Agência Portuguesa do Ambiente a 21 de Janeiro, embora condicionada à implementação por parte da concessionária dos aeroportos nacionais (ANA) de 160 medidas de compensação e minimização dos efeitos provocados pela construção e operação futuras do Aeroporto do Montijo, tudo indica que (finalmente!) as obras de transformação da (actual) Base Aérea Nº 6 (Montijo) poderão avançar.

Tratam-se, sem dúvida, de excelentes notícias para o turismo, para a economia portuguesa e para o país e mais alguns pequeninos passos em direcção à conclusão e superação de um debate que se arrasta há mais de meio século e que nas últimas duas décadas e meia tem recrudescido fruto do evidente estrangulamento do aeroporto da Portela/Humberto Delgado.

Contudo, desenganem-se os que já “esfregam as mãos de contentamento” por julgarem que “desta é que é!”, uma vez que se as 8 associações ambientalistas que já anunciaram providências cautelares cumprirem com o prometido, à fase de avaliação ambiental recentemente concluída, seguir-se-á a fase do “parecer dos Tribunais” nacionais e europeus que, inevitavelmente, condicionará a evolução daquela infra-estrutura aeroportuária. A este “pormaior” deverão adicionar-se, entre outros, o das obras de melhoria do Aeroporto Humberto Delgado que estão em curso até meados deste ano, e que lhe proporcionarão maior capacidade, a ausência de qualquer sinal de começo do “realojamento” da Força Aérea e/ou do início da construção das “novas” acessibilidades ao Montijo… apesar das inúmeras “juras de irreversibilidade” que têm sido feitas por (quase) todos quantos têm capacidade decisória neste processo.

Dito isto, é pois com alguma curiosidade que aguardamos pelo evoluir concreto da situação do Aeroporto do Montijo, com a esperança e imbuídos do optimismo de que todos os obstáculos acabem por ser ultrapassados mas, igualmente, com o realismo de quem – por já ter visto muita coisa, neste e noutros domínios do turismo – não se deslumbra com facilidade, nem se deixa embalar pelo “canto de algumas sereias” e, por essa razão, pende mais para o lado do “ver para crer”.

 

Por diversas vezes que nos últimos dois anos e meio temos aqui vindo a alertar e comentar “as pressões” que são feitas junto dos operadores turísticos que exercem actividade em Portugal para que os seus programas de Verão baseados em voos não regulares (vulgo, charters) com início no continente tenham as respectivas partidas/chegadas feitas desde o Aeroporto de Beja, “empurrando” para título definitivo casos que episodicamente chegaram a ocorrer.

A grande justificação que normalmente é apontada para esta “alternativa” às saídas/chegadas a Lisboa é o congestionamento do Aeroporto Humberto Delgado que, como atrás vimos, este ano pode ser agravado se o prazo das obras em curso derrapar. Só que na semana passada o sector das agências de viagens e dos operadores turísticos ficou (ainda mais) em alvoroço quando soube poder vir a ser confrontado não apenas mais uma vez com alguma coisa de semelhante mas, desta feita, com uma situação extensível às operações com início/fim no Porto.

Ora, convenhamos, não é preciso perceber-se muito de turismo para qualificar como totalmente leviana a possibilidade de propor a um qualquer consumidor que tradicionalmente vai viajar nas suas férias, com embarque/desembarque em Lisboa, ter de “apanhar” o avião ou aterrar em Beja… Agora pretender-se ir ainda mais além e estender-se essa “ideia peregrina” aos passageiros do Norte do país (que normalmente utilizam o Aeroporto Francisco Sá Carneiro) é algo, para sermos brandos na adjectivação, completamente inusitado e absurdo! A menos que se queira acabar com o negócio dos operadores turísticos no nosso país ou obrigar quem vai de férias a partir de Portugal aos incómodos e dispêndios de uma “visita forçada” a Beja, apesar da cidade e das suas gentes dela serem plenamente merecedoras, embora não, seguramente, por este motivo.

Estamos convictos que tudo isto não passará de um “susto” ou de um infeliz equívoco e que no próximo Verão todas as operações decorrerão dentro do que tem sido prática em anos anteriores. No entanto, com a “demora” (e até as dúvidas) da construção do novo aeroporto complementar de Lisboa não é preciso ver para crer que é mais do que garantido que ou o assunto fica resolvido de vez, ou “tantas vezes o cântaro vai à fonte, que um dia lá deixa (literalmente) a asa”… e, já agora, o resto do avião.

 

E, como não há duas sem três, fechamos o comentário desta semana ainda com aeroportos. Mas desta feita com novidades que têm vindo a ser adoptadas para proporcionarem maior conforto ou entretenimento aos passageiros que por lá passam, transformando a sua permanência em mais uma parcela da experiência e das emoções da própria viagem. Assim, destacamos entre muitos exemplos alguns que nos últimos dias foram alvo de reportagem nas conceituadas revistas Condé Nast Traveller e Forbes e no canal televisivo CNN:

No Verão o aeroporto de Munique instala (numa zona central) uma piscina de ondas onde é possível praticar surf e, até, ter aulas da modalidade; o aeroporto de Singapura – que é um dos mais premiados a nível internacional – privilegia o “ar puro”, oferecendo desde jardins luxuriantes no seu interior, até piscina, jacuzzis e espreguiçadeiras num dos terraços de que dispõe; Seul e Denver disponibilizam uma pista de gelo para quem deseje patinar; Hong Kong oferece um pequeno campo de golfe; São Francisco e (outra vez) Denver uma sala para praticar ioga; Los Angeles pôs em prática um programa de interacção com cachorros, para aliviar o stress de quem viaja; inúmeros são os que já têm cinemas; e Nova Iorque (JFK), já oferece num dos seus terminais múltiplas opções gastronómicas que vão desde um “wine bar”, a restaurantes de sushi e tapas.

A par destas “preciosidades”, em que não é preciso ver para crer, porque já existem, o sector aeroportuário está também a investir fortemente em tecnologia para introduzir melhorias em áreas tão diversas como a da identificação biométrica, a do uso de inteligência artificial para controlo e processamento de bagagens e toda uma parafernália de aplicações (“Apps”) – condições atmosféricas, estacionamentos e outras informações específicas – de modo a manter em permanência os seus utentes devidamente informados ou elevar o nível do(s) serviço(s) prestado(s).

Enfim, como se comprova, uma infra-estrutura desta natureza não tem de ser necessariamente um local aborrecido. E, quem sabe, talvez um dia possamos ter algumas destas ou de outras comodidades num dos nossos aeroportos. É que, como sempre defendemos, a oferta turística é um todo composto por inúmeras pequenas parcelas. Todas elas importantes. Todas a precisarem de qualidade. Todas a terem de ser competitivas, atractivas e diferenciadoras. Todas a acrescerem valor ao produto e ao destino. Mas com a certeza que só as mais aliciantes conseguirão seduzir os consumidores!

 

Nota – Não é demais recordar que o endereço de email iturismo@turisver.pt continua ao dispor das(os) nossas(os) leitoras(es).