IV Cimeira do Turismo: António Costa garante irreversibilidade do aeroporto do Montijo

O Primeiro-Ministro António Costa garantiu esta quinta-feira, na abertura da IV Cimeira do Turismo, promovida pela CTP, no Teatro de São Luiz, em Lisboa, que para resolver o problema de estrangulamento do aeroporto de Lisboa, a solução “é manter a Portela e juntar-lhe uma resposta no Montijo”. António Costa respondia assim a uma questão colocada pelo presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, na intervenção, na mesma cerimónia, ao colocar sobre a mesa os desafios que a actividade turística em Portugal enfrenta.

  

“Estamos no limite. Neste momento, o aeroporto que temos não só não serve o Turismo, e consequentemente, o país, como representa um fortíssimo entrave ao seu crescimento e à sua imagem para o exterior. De que esperamos para avançar com a solução do Montijo? Já estamos a perder um milhão de turistas por ano, quantos mais teremos de perder, Senhor Primeiro-Ministro? Será que é hoje que vai anunciar a boa nova?”, questionava Francisco Calheiros.

Em resposta à principal reivindicação feita pelo presidente da CTP, António Costa esclareceu que o Governo aguarda os resultados do estudo do impacto ambiental, para realçar que existe consenso nacional sobre este projecto, que vai “colmatar um erro cometido há 10 anos atrás”, pois “não há tempo a perder”.

O Primeiro-Ministro centrou grande parte da sua intervenção a agradecer ao turismo por tudo o que esta actividade tem dado ao país. Portugal “deve muito ao turismo e temos que continuar a acarinhar” este sector. Costa lembrou os crescimentos que estão a acontecer nas regiões que não eram habitualmente destinos turísticos como o Centro, o Alentejo e os Açores, para sublinhar como exemplo da diversificação “para 365 dias de actividades e em todas as parcelas do território nacional” que “crescemos 18% no interior e 10% no litoral”, em que há mais 5% dos nossos hotéis no interior do país, que 96% do alojamento local está concentrado no interior, bem como 54% de empresas de animação turística.

O governante considerou, no entanto, que há muito trabalho a fazer, mas “os desafios não passam por limitar ou condicionar a actividade turística”, para referir que “o país tem sido capaz de dotar o turismo de estratégias com consenso político, que dá confiança a quem investe”. “Só assim continuaremos a fazer juntos o país crescer e o turismo evoluir”, concluiu.

Por seu turno, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, rejeitou que seja o turismo o responsável pelo problema da habitação e defendeu uma redução dos impostos sobre os rendimentos prediais para aumentar a oferta de alojamento.

Num discurso pautado pelo agradecimento da cidade de Lisboa ao turismo, o autarca lembrou que o próximo ano será marcado pelo arranque da nova lei do alojamento local, que está convencido que vai “resolver o reequilíbrio da cidade”, uma vez que permitirá a cada freguesia usar as ferramentas disponíveis para limitar ou promover o alojamento local.

Medina falou igualmente da necessidade de um novo centro de congressos para Lisboa e do aumento da capacidade para congressos porque senão “vamos perder oportunidades para nos colocarmos num novo patamar”, disse.