Conclusão vai custar 15M€: Palácio da Ajuda vai ter Museu para Jóias da Coroa

O Palácio Nacional da Ajuda vai ser alvo de um projecto de valorização e intervenção das áreas Poente e Norte, onde será instalada a exposição permanente das Jóias da Coroa e dos Tesouros da Ourivesaria da Casa Real. O projecto, que irá concluir o Palácio inacabado há mais de 200 anos, vai custar 15 milhões de euros, dos quais 11 milhões ficarão a cargo da autarquia e do Turismo de Lisboa (ATL).

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A mostra deste acervo será aberta ao público e reforça o contributo do Palácio Nacional da Ajuda no plano cultural e turístico de Lisboa, através da exposição permanente de um conjunto de ourivesaria que constituía o Tesouro Real. Esta iniciativa amplia a oferta de conteúdos no eixo Belém-Ajuda, potenciando os percursos turísticos nesta área monumental da cidade.

O projecto de valorização das áreas Poente e Norte e instalação da exposição terá a colaboração do Ministério da Cultura/Direcção Geral do Património Cultural, da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação de Turismo de Lisboa. A adjudicação da obra está prevista para o segundo semestre de 2017, com a conclusão do Palácio a estar prevista para Dezembro de 2018. Para a sua realização foram imprescindíveis as verbas resultantes da taxa turística – seis dos 11 milhões de euros que vão ser responsabilidade da autarquia e da ATL provêm da cobrança desta taxa.

O programa base do projecto prevê o fecho da ala poente com uma implementação que vai respeitar os limites actuais da massa edificada do palácio, coexistindo com a traça da Calçada da Ajuda e Jardim das Damas. Serão realizadas operações de completamento das partes inacabadas e de adição de um novo volume a poente com uma linguagem não mimética.

A nova fachada poente projecta-se com desenho e expressão contemporânea, em que é utilizada uma composição formal, com referências aos alçados pré-existentes. São ainda utilizados dois corpos laterais mais elevados, com perfil em altura idêntica à dos torreões Norte e Sul da fachada Este.

O piso 3 desta nova ala albergará a área da exposição permanente das Jóias da Coroa da Casa Real, com a exposição do Tesouro de Ourivesaria patente no piso 4.

A colecção de joalharia é constituída por cerca de 900 exemplares, de diversas tipologias e proveniências, num período cronológico entre finais do século XVII e finais do século XIX. Este acervo integra dois núcleos. O das Jóias do Quotidiano, com 830 exemplares, compreende exemplares de produção oitocentista originários de oficinas nacionais, francesas e italianas.

O núcleo Jóias da Coroa reúne um conjunto de peças predominantemente do século XVIII de produção nacional. Incluem-se neste núcleo as jóias de adorno, armas de grande aparato, complementos de traje e uniformes de gala e insígnias honoríficas, nacionais e estrangeiras, usadas pelos monarcas em ocasiões solenes.

O acervo de ourivesaria ronda os 6340 exemplares, abrangendo os núcleos as Pratas da Coroa, Pratas Utilitárias e Decorativas, Ourivesaria Religiosa e Ordens e Condecorações. O acervo iconográfico e documental será, maioritariamente, constituído por pinturas e reprodução de fotografias que enquadrem as peças, mantos régios, plantas do palácio e outros materiais gráficos raros, como a carta de D. Sebastião, Luís XIV ou partitura de Mozart.