Luz no fundo do túnel “ainda está longe mas já a vemos”, assume Rita Marques

Os efeitos da pandemia no turismo vão ser fortes e na perspectiva da secretária de Estado do Turismo, o choque nas receitas deverá este ano andar na ordem dos 50%, em média. Mesmo assim, a sua visão não é demasiado pessimista e diz que já se vai vendo alguma luz no fundo do túnel.

“Já vemos a luz ao fundo do túnel. Está longe mas já a vemos”, afirmou a secretária de Estado do Turismo. Rita Marques falava sexta-feira no 3º Fórum de Turismo Visit Braga que se subordinou ao tema “Os desafios pós-pandemia no turismo” onde lembrou que “há umas semanas estávamos a discutir o encerramento das fronteiras e agora já estamos a discutir a abertura das fronteiras” de “forma articulada”, no âmbito da Comissão Europeia.

Rita Marques acredita que a partir do momento em que as fronteiras sejam abertas “os operadores aéreos vão começar a posicionar-se e a seleccionar as suas rotas” e espera que Portugal “esteja na linha da frente” no que toca à “angariação dessas rotas”, até porque “Portugal teve uma resposta com qualidade no que toca à saúde pública, temos sido muito reconhecidos internacionalmente por causa disso e penso que podemos explorar esta oportunidade”. A governante acredita mesmo que a imagem de Portugal enquanto destino seguro “nos vai ajudar a poder granjear este interesse por parte dos operadores aéreos” e também a ser “considerado para as futuras viagens”.

Apesar de considerar que já se vai vendo luz no fundo do túnel, alerta que “tudo pode ainda correr menos bem”, pelo que “temos que estar preparados para o pior, contando que o melhor vai acontecer”, pelo que há que começar a preparar o sector para a reabertura, “de uma forma criativa, ainda que limitada”.

“Temos que instigar confiança para que o sector se possa abrir”, afirmou Rita Marques, acrescentando que, para esta reabertura, “temos que incitar a inovação e a criatividade”, porque, afirma, “o turismo vai mudar” e muitos modelos de negócio poderão não ser viáveis no futuro.

Calculando que “em média, o choque na receita será um pouco superior a 50%” face a 2019, Rita Marques mostrou-se preocupada com alguns subsectores do turismo, como é o caso do segmento dos eventos. “Não sabemos quando é que vamos ter eventos nem como vão ser. Temos mais interrogações do que certezas”, afirma, acrescentando que, por esta via, está também preocupada com os hotéis de cidade.