Mercado interno continua a ser preponderante nos cancelamentos de reservas de alojamento

Perto de 75% das 5.000 respostas válidas ao questionário específico realizado pelo INE aos estabelecimentos de alojamento turístico sobre o impacto da pandemia indicam que esta provocou cancelamentos de reservas para os meses de Março a Agosto. O número de cancelamentos foi maior na Madeira e o mercado interno foi o que mais cancelamentos originou.

De acordo com os dados publicados na passada sexta-feira pelo INE, 78,4% dos estabelecimentos de alojamento turístico que responderam ao inquérito específico sobre o impacto da pandemia, assinalaram que a Covid-19 motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de Março a Agosto, com o INE a assinalar que os referidos 78,4% representam 90,4% da capacidade da oferta dos estabelecimentos respondentes.

Por regiões, a Madeira apresentou o maior peso de estabelecimentos com cancelamentos de reservas (90,4% dos estabelecimentos e 98,3% da capacidade oferecida), seguindo-se os Açores (86,7% e 96,5%, respectivamente), o que o INE explica pelas restrições à mobilidade aérea. Seguiram-se a Área Metropolitana de Lisboa (84,3% e 93,6%) e o Algarve (81,7% e 91,2%).

No que toca à tipologia do alojamento, a hotelaria é a mais sacrificada, com 92% dos estabelecimentos a sofrerem cancelamentos (94,3% da capacidade oferecida). No alojamento local, os cancelamentos atingiram 74,2% (78,4% da capacidade oferecida) e no turismo no espaço rural e de habitação foram 68,8% do total (74,1% da capacidade).

Facto importante é que a proporção de estabelecimentos a reportar cancelamentos parciais ou totais de reservas diminui nos meses de pico. Mesmo assim, 74,4% dos inquiridos reportaram cancelamentos para Junho, 63,6% para Julho e 57,5% para Agosto.

Tal como aconteceu no inquérito publicado pelo INE no início de Maio, também neste caso o mercado interno continua a ser preponderante nos cancelamentos de reservas, tendo sido identificado por 60,8% dos estabelecimentos respondentes. Segue-se o mercado espanhol, indicado por 49,4% dos inquiridos e os mercados francês (31,9%), alemão (27,1%) e britânico (24,1% dos estabelecimentos).

Por regiões, no Norte, o mercado nacional foi identificado por 66,2% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado espanhol (61,6%); no Centro, as percentagens mudam bastante, aparecendo o mercado nacional a ser referido por 84,2% dos estabelecimentos e o espanhol, com 52,5%.

Na Área Metropolitana de Lisboa 59% dos inquiridos apontou o mercado espanhol como sendo o que maior número de cancelamentos provocou, seguindo-se o mercado francês com 39,7% e só depois o nacional, referido por 33,5% dos estabelecimentos.

No Alentejo, 81,3% dos inquiridos identificaram o mercado nacional como principal originador de cancelamentos (Espanha surge em segundo lugar com 43,1%) enquanto no Algarve, 65,0% dos respondentes referiram o mercado britânico, seguindo-se os mercados nacional (48,5%) e espanhol (43,8%).

Nos Açores, o mercado nacional foi identificado por 83,9% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado alemão (54,0%) e na Madeira, o mercado alemão foi referido por 72,9% dos inquiridos, seguindo-se o mercado francês (58,7%) e o mercado britânico (49,0%).

O INE sublinha ainda que “na hotelaria, o mercado nacional foi mencionado como um dos três mercados com maior número de cancelamentos por 66,5% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado espanhol (58,1%). Já nos estabelecimentos de alojamento local, o mercado espanhol foi identificado por 49,8% dos estabelecimentos, seguindo-se o nacional (48,2%). Nos estabelecimentos de turismo no espaço rural e de habitação, o mercado nacional foi mencionado por 74,5% dos estabelecimentos”.