Europa precisa de “um novo Plano Marshall”, diz o comissário Thierry Breton

Na reunião informal desta segunda-feira, os responsáveis pelas pastas do turismo na União Europeia vincaram a importância de criar soluções conjuntas para lidar com a crise provocada pela pandemia, apoiando a futura recuperação de um sector com o potencial de alavancar a economia global.

A videoconferência convocada pela presidência croata do Conselho da União Europeia, em que participou também Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, teve com objectivo partilhar as melhores práticas e identificar as melhores maneiras de apoiar o turismo europeus, após o forte impacto da crise provocada pela pandemida de Covid-19. Foi presidida pelo ministro do Turismo da Croácia, Gari Cappelli, e atendida pelo Comissário Thierry Breton e por Zurab Pololikashvili, secretário-geral da OMT.

Por parte dos ministros, houve um amplo apoio à implementação de medidas adicionais de apoio ao sector, bem como de uma melhorada coordenação ao nível da União Europeia. Foi reforçado que o turismo deve estar entre as principais prioridades da UE no seu plano de recuperação. Foi destacada a importância de uma solução harmonizada para os reembolsos das viagens organizadas, incluindo vouchers, e concordada a importância de recolher informações em medidas relacionadas com o turismo e promoção de boas práticas em toda a UE.

Relativamente ao quadro legal desenhado para operadores turísticos, a Comissão Europeia foi convidada a trabalhar com prioridade numa abordagem comum que garanta flexibilidade temporária e liquidez, que assegurem um equilíbrio de interesses entre operadores e consumidores. Zurab Pololikashvili referenciou as directrizes da OMT para gestão da crise para o turismo no contexto do Covid-19, e convidou a Comissão Europeia a priorizar o turismo dentro do plano de recuperação da UE.

Por seu lado, Thierry Breton lembrou que as medidas de emergência e fundos garantidos pela Comissão apoiam os Estados-Membros a curto e médio prazo. “Precisamos de um novo ‘Plano Marshall’, com um poderoso orçamento da UE, para acelerar o caminho para a recuperação europeia e de uma União mais forte e resiliente”, assevera, para acrescentar que “vamos precisar de uma acção rápida, pragmatismo e criatividade”, mas que “acima de tudo, esta crise pede solidariedade”. “Nenhum país consegue ultrapassar esta crise sozinho”, conclui.

“A nossa missão é, como membros da UE e como parte da mais bem-sucedida região de turismo a nível mundial, sermos líderes na recuperação do turismo, que como actividade horizontal afecta directamente a recuperação de toda a economia”, atestava na sua nota introdutória Gari Cappeli. Relembrava também, que a indústria representa 10% do PIB da UE, garantindo 12% do total de postos de trabalho e com uma receita de mais de 400 mil milhões de euros.

“É importante encorajar a criação de soluções conjuntas para lidar com a crise no sector do turismo, mas também criar programas e planos para combater ameaças semelhantes no futuro”, considera o ministro do Turismo croata. Referindo a importância do turismo regional dentro da UE, sugeriu a criação de corredores turísticos entre os Estados-Membros, enfatizando a importância de incluir epidemiologistas no processo de reabertura das fronteiras.

Gari Capelli lembrou ainda que a priori da reunião de segunda-feira tinha recebido diversas cartas de ministros do Turismo de Estados-Membros que apelavam ao incluir de fortes apoios ao turismo no Plano de Recuperação da UE e destacando a importância de estabelecer regras homogéneas para a mobilidade aérea, marítima e terrestes. Na reunião, diversos participantes referiram que para muitos países da UE o turismo não contribui apenas o produto nacional bruto, afectando também directa e indirectamente diversos outros sectores económicos.