Se não for injectado dinheiro nas empresas, muitas poderão não abrir, alertou a secretária-geral da AHRESP na Web Conference organizada pela ADHP. Ana Jacinto foi reafirmar que os apoios anunciados são positivos mas não chegam, até porque criam endividamento. Por isso, afirmou, muitas empresas estão já a ponderar não voltar a abrir.
“Não vamos morrer da doença, vamos morrer da cura”, desabafou Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP ao intervir, na quinta-feira, numa Web Conference organizada pela Associação dos Directores e Hotéis de Portugal. A responsável associativa referia-se ao facto de os apoios que estão agora a chegar às empresas não serem mais do que “alívios temporários que criam compromissos no futuro”, que o mesmo é dizer que vão contribuir, a prazo, para um maior endividamento das empresas num momento em que muitas “nem sequer têm condições de pagar os 30% que lhes cabem pelo lay-off”. Daí que tenha deixado claro que “temos que injectar dinheiro nas empresas”.
Para avaliar das intenções das empresas que foram obrigadas a fechar portas por via do estado de emergência, a AHRESP lançou um inquérito aos associados e, apesar de o prazo para responderem ainda não se ter esgotado “em 24 horas, tivemos quase 2.000 respostas”. Reflexo de que “os estabelecimentos de restauração estão enterrados” é o facto de quase metade das repostas já obtidas dar conta de que os empresários não sabem quando vão reabrir ou mesmo se o irão fazer.
“Os dados que já temos mostram que 75% das nossas empresas estão encerradas, não são só de restauração mas também alojamento, e cerca de 58% não tem previsão para abrir”, afirmou Ana Jacinto, avançando mesmo que muitos “equacionam fechar” as portas por não terem capacidade de endividamento e, por via disso, não terem capacidade para recorrer às linhas de crédito lançadas pelo Governo.
Para a secretária-geral da AHRESP, a única linha de apoio que “deu algum alento” ao sector foi a do Turismo de Portugal, que, por ser de apoio à tesouraria, “permitiu às empresas liquidar os vencimentos de Março”.
Face à situação, a responsável da AHRESP antecipa que “a retoma vai ser muito lenta e muito complicada”.

