Neeleman admite entrada imediata do Estado na Comissão Executiva da TAP

Numa declaração escrita enviada esta segunda-feira, 29 de Junho, à agência Lusa, David Neeleman, accionista da TAP, garante o “empenho dos privados” no futuro da companhia, agradece “muito” o empréstimo de emergência do Estado e afirma aceitar a entrada imediata deste na Comissão Executiva da empresa.

Na declaração enviada à Lusa, o empresário declara que “apesar de não ter sido essa a nossa proposta, agradecemos muito o apoio do Estado português através de um empréstimo de emergência à TAP e aceitamos obviamente as medidas de controlo da utilização desse empréstimo”.

Neeleman justifica esta tomada de posição com a necessidade de “rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”, e garante que estes estão “disponíveis para aceitar a participação do Estado na Comissão Executiva imediatamente e mesmo antes de uma eventual capitalização do empréstimo”.

Afirmando não poder deixar de “rejeitar as declarações sobre o empenho dos privados no futuro da TAP”, o empresário deixa claro que  os privados estão “também disponíveis para capitalizar os nossos créditos na companhia no momento da aprovação do plano de reestruturação que será negociado com a Comissão Europeia”.

“O nosso empenho é o mesmo de 2015, quando ganhámos a privatização e salvámos a TAP de uma situação de insolvência, e após cinco anos de trabalho muito duro transformámos a TAP numa companhia renovada, de maior dimensão e preparada para o futuro. Continuamos a acreditar na TAP apesar desta enorme crise que afectou toda a economia e em particular o sector da aviação”, declara.

O empresário afirma ainda que “desde o início da crise a equipa executiva tem trabalhado noite e dia em conjunto com os fornecedores, tendo negociado e obtido apoios importantes na ordem de centenas de milhões de euros”.

“O nosso foco não é apenas garantir que a TAP sobreviva, mas que recupere a rota de crescimento que vinha percorrendo e que prospere para que possamos cuidar dos nossos trabalhadores e clientes”, garante.

Neeleman recorda que a TAP precisa “da ajuda do Estado Português” tal “como todas as outras companhias aéreas na Europa” e afirma que “todo o investimento feito pelo Estado” na empresa “tem um retorno garantido, multiplicado por muitas vezes”, sublinhando ainda que esta ajuda terá “um significativo impacto na economia portuguesa, quer pela estabilidade económica” dos trabalhadores da companhia e da respectiva “cadeia de valor de fornecedores e parceiros portugueses”, como pelos “milhões de visitantes” que anualmente transporta para Portugal.

“A TAP é muito importante para o País e estou certo que o Governo português saberá respeitar os compromissos assumidos com quem acreditou e transformou a companhia”, defende.