“O turismo será o sector prioritário nesta fase de retoma”, diz Rita Marques

Com a pandemia de Covid-29 “tudo mudou, a sociedade mudou, o turismo mudou”, mas a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, passa uma mensagem de esperança e positivismo para o futuro do sector do turismo, também com base na estratégia de retoma a três tempos, adoptada pela Secretaria de Estado e Turismo de Portugal.

Com 400.000 trabalhadores no sector do turismo em Portugal, Rita Marques assevera que “o turismo será o sector prioritário nesta fase de retoma e cá estamos nós, com bom senso, para endereçar esta crise, e sobretudo arranjar soluções para todos os empresários, trabalhadores e famílias que dependem deste sector”. A secretária de Estado do Turismo falava esta terça-feira de manhã, na edição online do Symposium 2020 “Sangue na Guelra – #ThePowerofFood”.

Os esforços de retoma da Secretaria de Estado do Turismo pretendem criar condições para, em breve, “celebrarmos novas vitórias, novos sucessos no nosso turismo”, que em 2019 tinha batido um recorde absoluto do número de hóspedes (26 milhões). Assim, tem vindo a ser desenvolvida uma estratégia a três fases, que começou com “uma preocupação de operacionalizar medidas que ajudassem as empresas a sobreviver, introduzindo-se algum alívio na tesouraria, porque sabia-se que as receitas eram nulas ou praticamente nulas”.

Encontramo-nos, agora, na segunda fase da estratégia, em que “estamos a preparar um segundo pacote de medidas que permitam que os estabelecimentos possam, para além de resistir, ter alguma esperança para o futuro”, esclarece Rita Marques. Ultrapassada esta fase, chegará o terceiro momento da estratégia, em alguns meses, que estará assente em cinco pilares: conectividade, investimento privado, formação, aposta nos territórios de baixa densidade, e promoção.

A governante avançava que, em 2019, 70% dos hóspedes que pernoitaram em Portugal eram de origem estrangeira, pelo que: “temos consciência que para ter os números do passado temos de ter uma forte aposta nas condições de conectividades, especialmente aérea”. Será, também, necessário “apostar em criar as melhores condições para que os empresários possam continuar a investir”, sendo que “o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado têm de ajudar nesta dimensão”.

Na terceira fase haverá um foco para a formação. “As exigências hoje são diferentes do que eram há uns meses, pelo que temos de apostar na formação de competências, nomeadamente digitais”. Será valorizada a autenticidade, pelo que “temos de trabalhar a oferta nos territórios de baixa densidade, porque as pessoas vão procurar destinos turísticos ligados à natureza, ao ar livre, com experiências mais autênticas”. Por fim, “temos de ser fortíssimo na promoção”. “O Turismo de Portugal tem vindo a trabalhar muito bem a componente da promoção, e temos de passar esta mensagem de esperança e confiança”, atesta.

Rita Marques é da opinião que a resposta que Portugal deu a nível da saúde pública “nos colocou na lista dos países mais seguros para viajar, e temos esperança que a retoma do turismo possa acontecer em breve”. Numa postura realista, mas também optimista, lembra que Portugal continua a ter todos os activos de um destino que foi eleito o melhor do mundo três vezes consecutivas, nos últimos três anos. “O vírus tirou muitas coisas, mas os nossos activos não foram afectados e continuamos a ter territórios extraordinários, paisagens extraordinárias, pessoas hospitaleiras e excelentes profissionais”.

Ainda assim, “2020 vai ser um ano complicado”, pelo que a secretária de Estado do Turismo apela aos portugueses que gozem as suas férias em território nacional. A estimativa da Secretaria de Estado aponta a uma quebra de facturação nas empresas do turismo na média dos 50% este ano, pelo que “fazemos um apelo a todos os portugueses que num espírito solidário para com os profissionais do sector do turismo possam gozar as suas férias cá dentro”, sendo que “o mercado interno vai ser fundamental para assegurar que a actividade possa ser alguma este ano”.