OMT pede apoio urgente para o Turismo

“Devemos apoiar o sector agora, enquanto nos preparamos para que, quando voltar o crescimento, seja mais forte e sustentável”, exorta o secretário-geral da OMT num comunicado divulgado esta quarta-feira.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) divulgou esta quarta-feira, 1 de Abril, uma série de recomendações em que pede um “apoio urgente e vigoroso” ao sector em termos globais, para que este não só se recupere do impacto profundamente negativo em que o está a lançar a pandemia de Covid-19 mas também para que regresse a um “crescimento melhor”. As recomendações são o primeiro resultado do Comité Mundial de Crise do Turismo, constituído pela OMT, que integra representantes de alto nível do turismo e das Nações Unidas, e têm em vista apoiar os governos, o sector privado e a comunidade internacional.

“Estas recomendações específicas fornecem aos países uma lista de possíveis medidas para ajudar nosso sector a manter o emprego e apoiar as empresas em risco neste exacto momento. Atenuar o impacto nos empregos e na liquidez, proteger os mais vulneráveis e se preparar para a recuperação devem ser nossas principais prioridades ”, afirmou o secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili.

Sublinhando que “ainda não sabemos qual será o impacto do COVID-19 no turismo mundial”, o secretário-geral da OMT deixa claro que “ precisamos apoiar o sector agora, enquanto nos preparamos para torná-lo mais forte e sustentável quando ele voltar ao crescimento”, justificando que os “programas de recuperação do turismo irão traduzir-se em emprego e crescimento económico”.

As “Recomendações para Acção” agora divulgadas pela OMT são o primeiro conjunto abrangente de medidas que os governos e agentes do sector privado podem adoptar “agora e nos complexos meses que se seguem”. A propósito, Pololikashvili enfatizou que “para que o turismo desenvolva seu potencial no sentido de ajudar sociedades e países inteiros a recuperar desta crise, nossa resposta deve ser rápida, coerente, unida e ambiciosa”.

O documento, que segundo a OMT vai continuar a ser actualizado face à natureza mutável da crise que atravessamos, inclui 23 recomendações de base, divididas em três áreas-chave.

“Gerir a crise e mitigar o impacto” é a primeira das áreas definidas, onde as principais recomendações têm a ver com a manutenção do emprego, o apoio a trabalhadores independentes, a garantia de liquidez, a promoção de desenvolvimento de competências e a revisão de impostos, taxas e regulamentos relacionados com a actividade das viagens e turismo. As recomendações, sublinha a OMT, levam em consideração a possibilidade de uma recessão económica, o que implicará que o sector possa vir a sofrer um grave revés, com milhões de postos de trabalhos ameaçados, especialmente os ocupados por mulheres e jovens além de grupos marginalizados.

“Fornecer estímulos e acelerar a recuperação” é a segunda área, onde a OMT enfatiza a importância de fornecer incentivos financeiros, com políticas fiscais favoráveis, bem como a necessidade de suspender as restrições de viagens “assim que a emergência de saúde permitir”, flexibilizando o regime de vistos. O impulso ao marketing de forma a aumentar a confiança do consumidor é outra das vias preconizadas para acelerar a recuperação de um sector que, afirma a OMT, deve figurar em lugar de destaque nas políticas de recuperação e nos planos de acção nacionais.

“Preparar-se para o amanhã” é a terceira área-chave em que se agrupam as recomendações da OMT, que enfatiza a “capacidade excepcional do turismo de liderar o crescimento, tanto a nível local como nacional”. Neste conjunto de recomendações é exigida uma maior atenção à contribuição do Turismo para a Agenda de Desenvolvimento Sustentável e para a construção de uma maior resiliência, tendo em conta as lições aprendidas com a actual situação. As recomendações pedem aos governos e ao sector privado que preparem planos consistentes e que usem essa oportunidade para a transição para a economia circular.