Paulo Cafôfo sugere que novos slots do Aeroporto de Lisboa sejam destinados à Madeira

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, aponta três desafios ao continuar do crescimento da Região Autónoma da Madeira como destino turístico, em concreto a requalificação do produto, a promoção e a acessibilidade. Nesta última afirma que “os slots que são necessários para a Madeira [no Aeroporto de Lisboa] têm de ser absolutamente garantidos pela ANA”.

Paulo Cafôfo aponta o estrangulamento do Aeroporto Humberto Delgado como um “factor determinante” a nível da acessibilidade à ilha. Quanto à possível criação de 60 slots na antiga pista 17/35 deste aeroporto afirma que “temos de garantir, até por uma questão de continuidade territorial, que uma parte desses slots sejam destinados à região”. Também o Aeroporto da Madeira apresenta condicionamentos, com o autarca a apontar como “imprescindível” a existência de um plano de contingência, enquanto não há conclusões do estudo sobre a revisão dos limites de ventos no aeroporto, a ser realizado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil.

O presidente da Câmara Municipal do Funchal falava na passada sexta-feira, 28 de Setembro, no evento de reabertura do Hotel Alto Lido, que descreveu como preponderante na requalificação do produto turístico da ilha. Na ocasião apontou os desafios postos à Madeira a nível do turismo, com a região a ser “um destino consolidado e histórico, mas que face à concorrência tem de ter um desempenho sempre actualizado e reinventar-se”. Uma reinvenção que tem de ter em atenção dois objectivos primordiais, o da “preservação da nossa identidade e trazer consistência ao nosso produto”.

Para além do desafio que é a acessibilidade ao território insular, destacava esta requalificação do produto, com a renovação das unidades de excelência da Madeira “adaptadas aos novos tempos, mas com o conforto e qualidade que sempre apresentaram”, mas também a promoção, a forma como o destino se vende nos mercadores emissores. “Os desafios são enormes”, exalta, mas, ainda assim, crê que “a Madeira não tem de se comparar com ninguém”, pois “temos características que são só nossas e não vamos concorrer nem com as Canárias, nem com Ibiza, nem com outros destinos”.

Afirma ainda que “não há destino turístico de qualidade, se as pessoas que vivem nesse destino não tiverem qualidade de vida”, com “a qualidade de vida e a qualidade da experiência a estarem intimamente ligadas”. Para Paulo Cafôfo, “o turismo é um ecossistema”, que “funciona sempre que tiver todas as componentes alinhadas, as componentes públicas, câmaras, Governo, os privados e a própria população”, sendo que se se mantiverem alinhadas “teremos com certeza o destino de excelência que todos conhecem e que existe há mais de 200 anos”.

Em jeito de resposta, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, na sua intervenção na mesma ocasião, atestava que “independentemente de se estar a discutir o sector do turismo, as suas nuances, há um facto que é indesmentível. A economia da Região Autónoma da Madeira cresce em todos os factores há 61 meses, ou seja, há mais de cinco anos”. Afirmava que este crescimento se deve em parte “à confiança instalada na nossa sociedade, porque sem este activo intangível que é a confiança não se consegue assegurar razões para investir, para criar emprego e para o desenvolvimento”.