Paulo Portas não faz promessas ao sector do turismo

Em representação da Coligação Portugal à Frente, o líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, foi ontem dizer no jantar-debate organizado pela CTP, que o turismo português está bem e recomenda-se, muito por via do esforço dos empresários do sector mas também pelas medidas implementadas pelo governo, nomeadamente em matéria de liberalização e promoção turística. Sobre o futuro, em termos de política sectorial, se a Coligação for governo, pouco disse, não fez promessas nem adiantou compromissos.

Se a plateia presente no segundo jantar-debate organizado pela Confederação do Turismo Português, esperava que o líder do CDS-PP fosse falar do programa da Coligação Portugal à Frente para o turismo, então enganou-se. Paulo Portas pouco ou nada disse em matéria de política sectorial, preferiu falar da obra do governo e estabelecer compromissos económicos para os próximos quatro anos, caso a Coligação vença as eleições. Subentendeu-se, por isso que a política para o turismo será o seguimento da implementada nesta legislatura.

Tanto ao longo de uma intervenção de cerca de 40 minutos como no período de respostas, Portas não fez promessas nem estabeleceu compromissos. Falou do excepcional período que o turismo português atravessa, atribuiu louros aos empresários e à Tutela do turismo que nos últimos quatro anos pertenceu ao seu partido em matéria de Secretaria de Estado e nos dois últimos também de Ministério da Economia.

No período destinado a perguntas da plateia, Paulo Portas escusou-se a respostas concretas, mesmo nos casos em que estas versaram pontos como o IVA da restauração, a Lei do Jogo, política aeroportuária ou custos de contexto.

“A política é a arte do possível” e “não podemos fazer promessas porque vivemos no Euro” foram afirmações com que justificou a falta de promessas. Mas falou de outros compromissos: “É possível nós comprometermo-nos com a eliminação gradual e progressiva da sobretaxa do IRS e isso impacta com o rendimento tanto dos trabalhadores como dos reformados e impacta 3,5% no imposto que se paga; é possível comprometermo-nos com a descida de mais quatro pontos no IRC e isso não leva, inevitavelmente, à perda de receita; é possível nós comprometermo-nos com o não regresso da CES quanto ao rendimento dos aposentados; é possível nós comprometermo-nos com a recuperação salarial dos trabalhadores da administração pública, ano após ano”, afirmou, ligando estas medidas ao aumento de poder de compra dos portugueses e, por via disso, ao crescimento do turismo interno.

Quanto ao IVA, as taxas que impendem sobre os vários sectores da actividade do turismo não serão mexidas, tendo lembrado a propósito que o actual governo manteve a taxa sobre o alojamento nos 6% quando “a Espanha tem 10%” e na Grécia os vários IVA sobre o turismo têm aumentado.