PCP quer reverter privatização da ANA e novo aeroporto em Alcochete

Em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira em Lisboa, Vasco Cardoso, dirigente do PCP, defendeu a reversão da privatização da ANA – Aeroportos, e um maior controlo público sobre a TAP, além de ter considerado que a melhor alternativa ao aeroporto Humberto Delgado passa pela construção faseada de um novo aeroporto em Alcochete.

Citado pela Agência Lusa, o responsável comunista afirmou que “o país está ainda a tempo de evitar um colossal erro que seria o do adiamento, uma vez mais, da construção do Novo Aeroporto de Lisboa”. Considerando que a construção de um novo terminal no Montijo (ou noutra localização dentro do modelo Portela+1) “é uma solução sem futuro”, Vasco Cardoso defendeu a solução Alcochete, pelos “benefícios ambientais e de segurança”.

O membro da comissão política do Comité Central reivindicou ainda o “resgate da concessão da ANA e o controlo total da TAP”, além do “investimento e reforço de pessoal nas várias estruturas da administração pública que têm impacto na operação aeroportuária”, como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Navegação Aérea de Portugal (NAV).

O responsável acusou a Vinci e os responsáveis políticos que apoiaram a privatização da ANA da “situação caótica que se vive, designadamente no aeroporto de Lisboa”, tendo classificado a empresa francesa como “um autêntico espremedor” porque “reduziu o investimento, aumentou a precariedade e a subcontratação, aumentou as taxas, as tarifas, as rendas, adiou e procura condicionar opções estratégicas”, agindo “na mais absoluta impunidade a coberto de um criminoso contrato de concessão”.

Segundo noticia a Agência Lusa, o membro da comissão política do Comité Central do PCP afirmou que o investimento médio anual da ANA foi reduzido em 57 milhões de euros desde a privatização e que os lucros em 2017 ascenderam a 248 milhões de euros.

Quanto à TAP, o PCP defende um maior controlo do Estado, sublinhando tratar-se de “uma empresa que, apesar da privatização [revertida, entretanto, para metade na posse do Estado português], se mantém como companhia aérea de bandeira e é uma das principais empresas exportadoras nacionais e que deixa todos os anos no país, além dos resultados líquidos, cerca de 525 milhões de euros que paga directamente em salários, mais de 400 milhões de euros que paga de impostos e mais de 100 milhões de euros com que contribui para a Segurança Social”.