Recuperação da hotelaria vai levar 18 a 24 meses, diz José Theotónio

Recuperar totalmente a hotelaria e vê-la voltar aos níveis dos dois primeiros meses deste ano “vai levar entre 18 e 24 meses”, afirmou o CEO do Grupo Pestana no webinar “E agora? Turismo: a reinvenção de um sector”, promovido sexta-feira pela Nova School of Business & Economics (Nova SBE). O executivo deixou, no entanto, uma palavra de confiança, ao declarar que “o sector vai sobreviver”.

Quando a pandemia “aterrou” em Portugal, no mês de Março, todos os indicadores que existiam apontavam para que este fosse mais um ano de recordes, já que Janeiro e Fevereiro assim o deixavam prever. A rapidez com que tudo se desmoronou ficará para sempre na história do turismo pelas piores razões. Exemplificando um pouco como tudo se passou, José Theotónio contou a experiência do Grupo Pestana: “Nós tínhamos fechado o mês de Fevereiro como o melhor mês de sempre do Grupo Pestana e tínhamos comemorado a abertura do nosso 100º hotel. Fiemos isto no dia 7 de Março, no dia 16 fechámos a primeira unidade, no dia 31 de Março tínhamos todas as unidades fechadas em Portugal e em Abril fechámos todas as unidades na Europa e nos Estados Unidos. Na primeira semana de Maio acabámos de fechar o Brasil e África”, ou seja, “aconteceu um chilique e fechámos todas as unidades”.

Habituado a crises cíclicas e à resiliência do sector, o CEO do Grupo Pestana diz ter começado a ver a “luz ao fundo do túnel” com a reabertura dos golfes e as perspectivas de abertura de algumas unidades hoteleiras em Portugal (ler aqui) mas também sabe que esta ainda é muito pequena e vem longe.

“Sabemos que a retoma vai ser muito gradual, no melhor cenário podemos ter em Setembro 50% da nossa capacidade preenchida, e não vamos reabrir todos os hotéis este ano”. Uma das razões reside no facto de para este ano apenas ser esperado o contributo do mercado interno e “mesmo que o turismo interno funcione, apenas representa cerca de 30% da nossa actividade no Verão” pelo que “nunca servirá para a retoma da actividade”. Essa, diz, “vai depender dos mercados internacionais e estes dependem essencialmente da conectividade, à excepção de um pouco do mercado espanhol que pode chegar de carro”. Por isso avança que “no melhor cenário que temos, em Setembro estamos em cerca de 50% da nossa capacidade”.

“Sem transporte aéreo não há turismo em Portugal”, reconhece, frisando que “mesmo Lisboa e Porto funcionam, em termos de turismo, como ilhas onde só se chega de avião porque ninguém vem de Paris fazer um city-break de carro”. Neste sentido, considera “muito importantes as regras que vierem a ser estabelecidas quer para o transporte aéreo quer para os aeroportos”.

Mesmo com o relançamento dos voos “sabemos que a retoma vai ser muito gradual e que o sector vai retomar porque o turismo continuará a ser importante mas para recuperarmos os níveis de Fevereiro ou que tivemos o ano passado, nunca será antes de 18 a 24 meses”, e até lá “as empresas têm de se habituar a viver na austeridade durante esse tempo para sobreviverem até chegar um novo ciclo alto”.