Rodrigo Machaz: “Vamos ter mesmo que baixar preços”

Quando pensa o futuro, Rodrigo Machaz, administrador da Memmo Hotels, entende que há várias questões na primeira linha, nomeadamente a criação de planos sanitários que adaptem o produto / hotéis à nova segurança sanitária; a certeza de que até à vacina só haverá mercado nacional e que, por uns tempos, vai ser preciso baixar preços e, por via disso, perder margem.

“Isto vai demorar tempo e vai doer”, afirmou Rodrigo Machaz, administrador da Memmo Hotels, no debate online organizado pela agência de comunicação Message in a Bottle subordinado ao tema “Turismo: The Days After”. Mas para saber dos desafios do futuro há que analisar o presente e esse está longe e ser positivo, com muitas empresas do sector a resistirem praticamente só pelos apoios do Estado que “têm que funcionar no imediato” e, acima de tudo “têm que ser prolongados”, nomeadamente no que toca ao lay-off, na certeza de que “não vamos estar aqui todos muito contentes no Verão a abrir hotéis”.

Porque ainda não é claro quando o país, e muito menos o mundo turístico, começará a abrir, Machaz diz que os empresários têm que estar conscientes de que a situação pode demorar tempo, que “a viragem só acontecerá quando houver vacina” e que “até lá muita empresa vai fechar”.

“Fomos os primeiros a entrar [em crise] e vamos ser os últimos a sair”, afirma, justificando a necessidade de prolongar apoios que, aquando do relançamento, devem passar por novas medidas como “redução ou perdão da TSU”, que considera muito importante para empresas que, como as da hotelaria, vivem do capital humano, e o “financiamentos da banca a custos mais baixos ou mesmo a fundo perdido” porque haverá um momento em que “vai ter que se dar dinheiro e não emprestar, principalmente às empresas em maior dificuldade”.

Para o administrador da Memmo Hotels, com unidades em Sagres, no Algarve, e em Lisboa, muito dependentes do mercado internacional, a avaliação dos custos da pandemia e das medidas para sair da crise tem que ser feita em dois momentos, um antes e outro depois da descoberta de uma vacina. Antes da vacina a grande prioridade tem que ser “safe, safe, safe”, ou seja, quem quiser voltar a vender tem que começar por “garantir a segurança sanitária nos hotéis”. Para isso e mesmo sem ter data para reabrir porque “a última coisa a abrir serão os hotéis”, avançou que a Memmo já está a trabalhar no seu plano Covid-19, sabendo que será essencial “adaptar o produto à nova realidade da segurança”.

Convicto de que “até à vacina vamos falar essencialmente de mercado nacional” e que “vamos ter mesmo que baixar preços”, alerta que “não podemos baixar de maneira abrupta e sem sentido, mas temos que ter consciência que quem estava a aguentar os preços médios que estávamos a praticar não era o mercado nacional, era o mercado estrangeiro”. Por isso deixa o aviso: “a nossa margem vai baixar”.

Por outro lado, garante, “os nossos custos vão aumentar”, até pela implementação de medidas de segurança adicionais. “Vamos ter que passar uma mensagem de que temos menos gente no hotel, vamos ter que alargar horários para o pequeno-almoço, ter novos horários para ginásios, spas, etc, ter as mesas mais afastadas nos restaurantes, ter funcionários de máscara”. Aliás, considera mesmo que “a máscara vai ser o novo normal”.

Certo de que o Memmo Baleeira, no Algarve, Machaz foi dos últimos a fechar e será dos primeiros a abrir porque Sagres oferece uma coisa que será cada vez mais valorizada, “um maior isolamento”, avança que, depois de descoberta uma vacina as grandes preocupações têm que passar pela retoma e pela reconquista de mercados extra-europeus. Aí entra ainda outra preocupação que tem a ver com o transporte aéreo, que também não se sabe quando nem em que circunstâncias irá poder retomar.